REFLEXÃO

Não nos percamos pelas coisas insignificantes

Não nos percamos pelas coisas insignificantes, mas lutemos pelas coisas essenciais

“As coisas mais insignificantes têm, às vezes, maior importância e é, geralmente, por elas que a gente se perde” (Dostoiévski)

Essa afirmação pertence ao grande escritor russo Fiódor Dostoiévski em uma de suas mais belas obras: “Crime e Castigo”. São palavras do protagonista do livro, um jovem estudante de nome Raskólnikov, que comete um homicídio e encontra a redenção pelo crime cometido por meio de sua amizade com uma prostituta, que lhe apresenta, no Evangelho, a narrativa da Ressurreição de Lázaro.

Não nos percamos pelas coisas insignificantesFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Essa frase foi dita pelo estudante no momento em que repensava e ensaiava cada passo que daria ao cometer o crime. Ele pensou exaustivamente cada pormenor e não queria deixar nenhum detalhe de fora, pois para ele “as coisas mais insignificantes têm, às vezes, maior importância, e é geralmente por elas que a gente se perde”.

Ao ler ‘Crime e Castigo’, essa frase me chamou muito à atenção, e ao trazê-la para diversas circunstâncias da vida, ela faz muito sentido e pode ajudar-nos a refletir e a vivermos melhor.

Quando pensamos nos grandes problemas e dificuldades que enfrentamos, logo tentamos buscar a causa dessas situações. Buscamos na memória o que fizemos para que tal mal acontecesse. Nessa hora, geralmente, esquecemos-nos de que as situações difíceis na nossa vida quase sempre são frutos das pequenas circunstâncias. Por exemplo: um casal não se separa por causa de uma briga, mas por problemas não resolvidos no dia a dia, os quais vão se acumulando e se tornando grandes. Da mesma forma, um jovem não se vicia do dia para a noite, mas começa com um “baseado” hoje e vai aumentando a dose, usando drogas mais fortes gradativamente. Assim como uma pessoa não se torna cheia de dívidas de repente, ela faz empréstimos para dívidas pequenas e, antes de quitá-las, continua comprando e comprando.

Essa é uma lei bíblica e da natureza: o que plantamos hoje, colhemos amanhã. E não nos esqueçamos de que toda semente é pequenina, mas a árvore pode alcançar grandes proporções. Jesus nos ensinou como cuidarmos para que não nos percamos pelas coisas que hoje são insignificantes, e que se tornarão grandes no futuro próximo: “Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. A cada dia basta seu cuidado” (Mt 6,34).

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Essa é uma regra de ouro para quem quer ter qualidade de vida e, além disso, colher boas coisas no futuro: viver um dia de cada vez e, ao fazer isso, viver intensamente o dia, cuidando das pequenas coisas cotidianas para que por elas não nos percamos, mas sim, alcancemos boas e grandes consequências.

Traduzindo na prática as palavras de Jesus, que os casais passem mais tempo um com o outro; que os pais se dediquem mais aos seus filhos; que os jovens pensem melhor nas suas pequenas escolhas; que o profissional execute bem o seu trabalho diárioPara que, nas tarefas e funções de cada dia, redescubramos o valor do que somos e temos, em especial das nossas relações humanas. Dessa maneira, possamos inverter a afirmação de Dostoiévsky a nosso favor, pois assim “as coisas mais insignificantes têm, às vezes, maior importância, e é geralmente por elas que a gente se salva”.

Deus nos abençoe!


Denis Duarte

Denis Duarte é graduado em letras, especialista em Bíblia e mestre em Ciências da Religião. Professor e vice-diretor da Faculdade Canção Nova.

 

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