Inimigo sutil

Sentimento de culpa, barreira para acolhermos o amor de Deus

O sentimento de culpa consiste em nos fazer sentir culpados quando, na realidade, não o somos

Não quero falar sobre a culpa, mas do sentimento de culpa. Se tivermos pecado, temos que dizer: “Eu pequei, sou um pecador”. As culpas são realidades que não devem nos desencorajar, mas sim nos jogar ainda mais nas mãos de Deus, realidades que nos devem fazer encontrar o Cristo Salvador.


Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com 

Não podemos nos salvar sozinhos

O problema maior, nos dias de hoje, é sustentarmos a ideia de que não precisamos de um Cristo Salvador, porque podemos nos salvar sozinhos. Essa é toda a teoria ou filosofia – podem chamá-la como quiserem – da Nova Era, que diz não precisar mais do Salvador: “O Salvador sou eu, o Cristo está em mim!”. Não se refere naturalmente ao Cristo, que mora em nós, o Cristo pessoal. Para eles, o Cristo seria aquela força, aquela energia que está em nós: “Tanto mais eu a descubro em mim, tanto mais ela sai de mim. Portanto, eu me transformo no Deus de mim mesmo, eu me transformo no Cristo”.

Como podemos ver, temos alguma coisa que, verdadeiramente, está distorcendo e destruindo toda nossa vida espiritual. Para eles, a vida espiritual consiste em fazer experiências espirituais, experiências feitas por eles mesmos.

Ficando uma hora na frente de uma árvore, por exemplo, recebem a energia da árvore. Isso para eles é a experiência espiritual. Estamos sobre trilhos totalmente diferentes, portanto, podemos falar que a espiritualidade da Nova Era é, provavelmente, o inimigo mais sutil e sério da espiritualidade cristã dos nossos dias.

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Ferida psicológica

Dessa forma, não me refiro às culpas, mas sim aos sentimentos de culpa. A realidade da culpa é aquilo que faz São Paulo falar: “Em mim existe uma lei que não me deixa fazer o bem que eu quero, mas me leva a fazer o mal”. Essa é a sua culpa! O sentimento de culpa, em vez disso, consiste em nos fazer sentir culpados quando, na realidade, não o somos. Porém, eu digo a mim mesmo: “Deus perdoa o meu pecado, mas eu ainda vivo o meu pecado!”. Aqui temos uma grande ferida psicológica.

Encontramos muitos fiéis com esse sentimento de culpa, que podem se transformar em escrúpulos ou talvez em depressão, obsessão; muitas vezes, numa ideia fixa. Fixamos a nossa atenção num ponto, que é praticamente irreal, porque, se Deus nos perdoa, já não somos culpados. O diabo fica, certamente, festejando quando acha uma fraqueza desse tipo no homem. Ele tenta e consegue, com certa facilidade, convencer-nos de que Deus já não nos ama.

Deus nos ama e perdoa nossos pecados

“Deus me ama!” Tudo começa daqui, a caminhada para a cura começa aqui. Ela não começa no falar: “Eu sou um pecador!”, mas sim no falar: “Deus me ama, Ele perdoa o meu pecado”.

Uma vez que Deus nos ama, tentamos não pecar mais, porque o amor deve ser correspondido com amor. Portanto, o início da caminhada está aqui: “Deus me ama!” Deus não é amor? Assim o define São João! Quando existe o senso de culpa, é muito fácil que o inimigo entre de forma muito sutil para nos atrapalhar e fazer com que paremos de continuar na minha caminhada.

Frei Elias Vella, OFM Conv.

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