Assunção de Nossa Senhora também é uma promessa sobre o nosso destino
Sabia que existe um lugar no universo onde a humanidade já chegou plenamente? Esse lugar é o Céu, e a pessoa que abriu esse caminho de forma extraordinária foi uma mulher chamada Maria. A Assunção de Nossa Senhora não é apenas um título católico, é também uma promessa sobre o nosso próprio destino.

Crédito: PaoloGaetano by Getty Images.
As palavras eloquentes do Papa
No dia 1 de novembro de 1950, o Papa Pio XII proclamou o dogma de fé da Assunção na Constituição Munificentissimus Deus dizendo: “Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo”.
Na Igreja do Oriente se diz a “dormição” de Maria
Bento XVI sempre defendeu que a teologia não nasce apenas de textos, mas da experiência de fé do Povo de Deus (Sensus Fidelium).
Embora os relatos do Transitus Mariae não integrem o cânon bíblico, eles fundamentam a Lex Orandi (lei da oração) da Igreja primitiva sobre o fim da vida de Maria.
Enquanto a tradição ocidental enfatiza a Assunção, o Oriente cristão celebra a Dormição. Essas narrativas apócrifas descrevem o encontro sobrenatural dos apóstolos que, transportados sobre nuvens de diversos lugares do mundo, reuniram-se para o sepultamento da Virgem.
O enigma dos túmulos vazios
A arqueologia cristã é repleta de relíquias: temos os ossos de Pedro, Paulo e de quase todos os apóstolos, mas, ao procurar por um osso de Maria, não se encontrará nada!
Existem dois túmulos atribuídos a ela (um em Jerusalém e outro em Éfeso), mas ambos guardam uma característica única: estão vazios. Esse “vazio arqueológico” é um dos argumentos históricos da Igreja, que a ausência de restos mortais de Maria é o eco físico de que ela não pertence ao pó da terra.
Bento XVI nos recorda que se Maria é “cheia de graça” (Lc 1,28) , ela está livre do pecado. Sendo o pecado a causa da morte “definitiva” e da corrupção, Maria é a primeira a participar da vitória total de Cristo sobre a morte.
O céu se conquista no cotidiano
Por que isso importa para nós hoje? A Assunção de Maria é a “antropologia do futuro”, pois nos diz que o corpo humano não é descartável, mas um templo destinado à glória.
Maria não foi assunta ao céu porque viveu fora do mundo, mas porque santificou o mundo através das tarefas simples do dia a dia: fazer o pão, cuidar do Filho, silenciar nas dificuldades, oferecer as dores, elevar e apresentar o seu coração a Deus pela oração, amar sem medidas.
Na dia da Assunção, a Igreja reza na Missa: “Deus eterno e Todo-poderoso, que elevastes à glória do Céu, em corpo e alma, a Imaculada Virgem Maria, Mãe do Vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos de Sua glória”.
O Papa Bento XVI, ao referir-se à ‘Mulher vestida de sol’ (Ap 12) que simboliza tanto a Igreja quanto a Virgem Maria, nos recorda que ela já está na glória de Deus, mas continua agindo em favor da humanidade. Isso mostra que Maria já atingiu o estado de ressurreição que Deus prometeu a todos nós no fim dos tempos.
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Para refletirmos e dar passos concretos
Se o corpo de uma mulher comum de Nazaré, Maria, habita hoje a luz de Deus, o nosso corpo e a nossa história também têm um lugar reservado no céu. Conquistar o céu não exige atos heroicos distantes, mas sim viver a vida comum com um amor incomum. O que torna o “comum” em “céu” é a qualidade do amor que empregamos ao viver cada pequeno momento.
Hoje, ao realizarmos as nossas tarefas mais simples, lembre-se: Maria levou para o céu o corpo que trabalhou servindo nessa terra, a sua família e os que Deus enviava dia a dia para ela servir.
Você está se preparando para ir para o Céu? O que levará consigo?
Referências:
Papa Pio XII:Constituição Apostólica Munificentissimus Deus (1950);
Papa Bento XVI: Sensus Fidelium e homilias na Solenidade da Assunção, 15/08/2011;
Tradição do Transitus Mariae (Apócrifos dos séculos III a V);
Dormição (Koimesis): Referência à tradição das Igrejas Orientais (Ortodoxas e Católicas de rito bizantino);
Doutrina da Imaculada Conceição (Ineffabilis Deus, 1854);
Missal Romano: Oração do Dia (Coleta) da Missa da Solenidade da Assunção: “Deus eterno e todo poderoso, que elevastes à glória do Céu…”;
Lex Orandi, Lex Credendi: O princípio teológico de que a “lei da oração é a lei do que se crê”, mencionando como a liturgia antiga já celebrava esse mistério antes mesmo de virar dogma;
Túmulos Vazios: A Abadia da Dormição (ou Túmulo de Maria no Getsêmani), em Jerusalém, e A Casa de Maria (Meryem Ana Evi), em Éfeso (Turquia).






