Devoção e profecia

A grande promessa de Maria

A Virgem Maria, nas suas aparições, não vem para nos dar más notícias; pelo contrário, ela nos fala, sobretudo, de uma Nova Terra

Naquele dia, o Senhor será o único Deus e só o Seu Nome será invocado. (Zc 14,9). Quando Maria nos diz algo desagradável na suas aparições, é exatamente para nos ajudar a evitar que essas coisas aconteçam. Por isso, as mensagens de Nossa Senhora são sobretudo para nos dar esperança, na expectativa do mundo novo que virá. A grande profecia mariana, que ecoa em todo o conjunto das aparições, é a promessa do grande Triunfo do Seu Coração Imaculado e a vinda de um tempo de paz. Monsenhor Jonas Abib escreveu nos seus fabulosos livros “Maria, a Mulher do Gêneses ao Apocalipse” e “Céus Novos e uma Terra Nova”, respectivamente.

Crédito: Domínio público

Jesus estabelecerá aqui o seu reinado, será o triunfo do coração de Maria

Teremos uma história nova. Um tempo único em toda História. Isso está para acontecer. A vitória de Maria acontecerá! O que a Mãe disse repetidas vezes em Fátima ocorrerá em breve: “Por fim, o meu Coração Imaculado triunfará” […] Alegre-se! Vibre de entusiasmo. É a hora de Deus! É a hora de Maria! […] Graças a Deus, a bendita descendência da Mulher esmagará a cabeça da serpente. Satanás será devolvido ao abismo, que será fechado e selado. (ABIB, 2011, p. 107-108)

Esta é a nossa esperança: passaremos por muitas dificuldades e tribulações até a chegada desse dia, mas enfim, veremos um Mundo Novo, em que a justiça e a paz se abraçarão, e o amor e a alegria reinarão. (ABIB, 2009, p. 147)

Esse Triunfo do Imaculado Coração, que será marcado por um momento histórico próprio, já vai acontecendo progressivamente nos tempos que nós estamos vivendo: são, de fato, os tempos de Maria, a hora de Maria, em que Ela mesma vai preparando o mundo e a Igreja para a Vinda do Seu Filho.

Nos últimos 350 anos, estamos vendo um aumento do protagonismo da ação mariana na Igreja. Foi a partir dessa época que:

Deus nos deu dois gigantes marianos que iluminaram toda a Igreja com sua devoção e teologia

São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716), que escreveu o “Tratado”, e Santo Afonso Maria de Ligório, já declarado doutor da Igreja (1696-1787);

foram proclamados dois dos quatro dogmas marianos que a Igreja tem: a Imaculada Conceição da Virgem Maria (pelo papa Pio IX, em 1854) e a Gloriosa Assunção (pelo papa Pio XII, em 1950);¹²

iniciou-se um ciclo de aparições marianas sem precedentes na história, algumas delas reconhecidas oficialmente por Roma (Rue du Bac, 1830; La Salette, 1846; Lourdes, 1858; Fátima, 1917; Akita, 1973; Kibeho, 1981-1989), muitas outras reconhecidas por bispos locais e inúmeras sendo estudadas em todo o mundo, conforme já indicamos no primeiro capítulo;

os movimentos, grupos e comunidades marianas vêm crescendo progressivamente na Igreja, enquanto muitos grupos passam por uma certa “crise” e escassez de pessoas.

Tudo isso é, certamente, a prévia de uma intervenção mariana que ainda virá, como estamos compreendendo ao longo deste livro. Por tudo isso, também é urgente a nossa consagração! São Luís chega a dizer que Deus escondeu Maria pela Sua grande humildade, por Ela mesma ter pedido a Deus que em Sua vida terrena A escondesse (cf. TVD 3:50). Ele diz:

“A fim de atender aos pedidos que ela lhe fez para que a ocultasse, empobrecesse e humilhasse, aprouve a Deus ocultá-la […] Deus Pai consentiu que ela não fizesse milagres em vida, pelo menos manifestos, embora lhe tivesse dado poder para isso. Deus Filho permitiu que quase não falasse, tendo-lhe embora comunicado a sua sabedoria. Deus Espírito Santo permitiu que os apóstolos e evangelistas falassem muito pouco sobre ela, apenas o puro necessário para dar a conhecer a Jesus Cristo, apesar de ser ela a sua esposa”. (TVD 3-4)

“Jesus Cristo é o Sol da Justiça (cf. Ml 4,2) que vem iluminar as trevas do mundo, e Maria é a aurora que anuncia a chegada do Sol (cf. TVD 50). Portanto, Maria deve brilhar mais do que nunca em misericórdia, em força e em graça, nesses últimos tempos (TVD 50), e por isso Deus quer que sua Mãe seja hoje conhecida, amada e honrada mais do que nunca (TVD 55). Uma vez que Nossa Senhora já está confirmada na Glória do céu, coroada como Rainha do Céu e da Terra, […] já não subsistem as razões que levaram o Espírito Santo […] a ocultar, durante a vida, a Sua Esposa, e a revelá-la muito pouco, após a pregação do Evangelho (TVD 49). Deus quer, de fato, nesses tempos, mostrar a Virgem Maria ao mundo”!

Recordemos o que Ela mesma disse em Fátima (1917):

“Vistes o Inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. […] Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará […] e será concedido ao mundo um tempo de paz”.

Já em La Salette (1846), a Virgem Maria prometeu (BLOY, 2016, p. 157):

“Então virá a paz, a reconciliação de Deus com os homens; Jesus Cristo será servido, adorado e glorificado; a caridade florescerá por toda parte. Os novos reis serão o braço direito da Santa Igreja, que será forte, humilde, piedosa, pobre, zelosa e imitadora das virtudes de Jesus Cristo. O Evangelho será pregado por toda parte, e os homens farão grandes progressos na fé, porque haverá unidade entre os trabalhadores de Jesus Cristo e porque os homens viverão no temor de Deus”.

Não estamos falando, portanto, de “fim de mundo”, mas de uma grande transformação: um mundo novo, uma Nova Terra que virá. Mons. Jonas Abib pregou e escreveu muito sobre isso, principalmente nos livros que aqui citamos: “Maria, a Mulher do Gênesis ao Apocalipse”, “Céus Novos e uma Terra Nova” e “Orando com Poder”. Não sabemos a cronologia exata dos acontecimentos futuros, mas sabemos que estamos sendo preparados para esse tempo, que pela descrição que temos, será algo tão lindo como nunca houve na história da humanidade. Por isso, Deus tem derramado o Seu Espírito sobre nós, e inspirou a Canção Nova e tantas Novas Comunidades de Vida e Aliança, que têm sido essa primavera de Deus para a Igreja.

Há uma conhecida profecia, proclamada em um Congresso da Renovação Carismática em Roma, no ano de 1975, que passou pela prova do tempo e parece confirmar tudo isso. Mons. Jonas, inclusive, citou-a no seu livro “A Bíblia no meu dia a dia”. Ao apresentar essa profecia, Mons. Jonas escreveu:

“Vale a pena ler e reler esta Palavra de Profecia. Tomá-la como condutora de nossas vidas” (ABIB, 2009, p. 19).

Diz a profecia:

“Um tempo de trevas está vindo para o mundo, mas um tempo de glória está vindo para a Minha Igreja, um tempo de glória está vindo para o Meu Povo. Derramarei, sobre todos, os dons do Meu Espírito. Prepararei vocês para um tempo de evangelização como o mundo nunca viu… […] Estejam prontos, povo Meu, quero prepará-los… Eu lhes falo da aurora de um novo tempo para a Minha Igreja. Eu lhes falo de um dia que nunca foi visto antes. Preparem-se para a ação que inicio agora, porque o que estão vendo em volta mudará. […] Abram os olhos, abram os corações para se preparar para Mim e para o dia que agora inicio. Minha Igreja será diferente; Meu povo será diferente. […] Preparem-se, pois Eu proclamo um novo dia, um dia de vitória e de triunfo para o seu Deus. Vejam, já começou”.

Esses novos tempos, chamados por São Luís de “Reino de Maria” ou “Era de Maria”, serão também, por excelência, o tempo do Espírito Santo. Pois a Virgem Maria, a Esposa, atrai o Esposo, isto é, o Espírito Santo. Diz o Tratado:

“Quando chegará aquele tempo abençoado […] em que Maria reinará como Senhora e Soberana dos corações, para submetê-los inteiramente ao império do seu grande e único Jesus? Quando chegará aquele tempo em que as almas respirarão Maria como os corpos respiram o ar? Quando este tempo chegar, vão acontecer coisas maravilhosas neste pobre mundo, porque o Espírito Santo, encontrando nele a sua querida Esposa reproduzida nas almas, descerá sobre elas com a abundância e a plenitude de seus dons – de maneira particular, o dom da Sabedoria –, para nelas realizar maravilhas da graça. Sim, querido irmão, quando chegará este tempo feliz, essa era de Maria, em que muitas almas eleitas que ela terá obtido do Altíssimo mergulharão voluntariamente no abismo das suas entranhas, tornando-se cópias vivas de Maria, para amar e glorificar a Jesus Cristo? Esse tempo só virá quando a devoção que ensino for conhecida e praticada”. (TDV 217)¹³

Também ao Padre Stéfano Gobbi¹⁴, Ela prometeu nas locuções interiores:
Em breve, o deserto florescerá e toda a criação voltará a ser aquele maravilhoso jardim que foi criado para o homem, para refletir de maneira perfeita a maior Glória de Deus. (28/11/1979)

Apressarei a hora do triunfo do meu Coração Imaculado no Reino de Jesus, que chegará a vós na glória. Assim começará uma era nova de paz e vereis, finalmente, novos céus e nova terra. (12/11/1981)

A hora de Maria chegará ao seu auge com o Triunfo do Seu Coração Imaculado, para o qual nos preparamos

Desde já, fica-nos uma certeza: quanto mais da Virgem Maria nós formos, mais cheios do Espírito Santo seremos! Ela é o lugar onde o Pentecostes acontece. Quando nos consagramos a Ela, estamos já antecipando em nós esse Triunfo glorioso. É como se já passássemos a fazer parte dessa Nova Terra. Como testemunhou Mons. Jonas:

“Dou graças a Deus: com treze anos, me consagrei a Nossa Senhora. Eu não sabia dessa frase que, depois, João Paulo II iria usar: Totus Tuus, que quer dizer; Todo Teu. Mas, mesmo sem saber, eu havia me consagrado todo a ela, na minha simplicidade de criança. […] Hoje, é o que temos de dizer a todos aqueles que querem lutar e vencer. A todos aqueles que se sentem sozinhos e não são capazes de vencer. Eu digo a você: não deixe para depois. Faça isso hoje. Faça como João Paulo II fez: Totus Tuus – Sou Todo Teu. Vai ser como um novo nome que assumidos: ‘Todo Teu'”. (ABIB, 2011, p. 128)

E como Ela mesma ensinou ao padre Gobbi em tantas ocasiões, peçamos: “Vinde, Espírito Santo, vinde por meio da poderosa intercessão do Imaculado Coração de Maria, Vossa Amadíssima Esposa!”

 

 

Trecho retirado do livro “A hora de Maria” do Padre Francisco Amaral

¹² Um dogma é uma verdade definitiva de fé, já contida na Revelação Divina desde a era apostólica (cf. CEC 88). A necessidade da proclamação do dogma surge quando há controvérsias doutrinais. Os dogmas marianos são quatro: Maternidade Divina, Imaculada Conceição, Virgindade Perpétua e Gloriosa Assunção.

¹³ Essa devoção que São Luís menciona é a prática da Consagração Total a Jesus pelas Mãos da Virgem, que ele ensina no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, que se encontra na bibliografia do presente livro.

¹⁴ Pe. Stéfano Gobbi (1930-2011) foi o fundador do Movimento Sacerdotal Mariano. Tinha o dom da locução interior, por meio da qual recebeu mensagens da Virgem Maria entre os anos de 1973 e 1997, que foram publicadas em um livro chamado “Aos Sacerdotes, Filhos Prediletos de Nossa Senhora”, com apoio de vários bispos. É importante lembrar que a Igreja não impõe que se creia em revelações particulares, mas elas podem ser acolhidas à medida em que estiverem de acordo com os critérios de discernimento, os quais apresentamos no segundo livro desta trilogia, chamado “Segredos da Virgem Maria”, publicado pela Editora Canção Nova.