105 anos do cumprimento da promessa de Nossa Senhora a Lúcia
Esse acontecimento ocorreu na vida da pastorinha Lúcia quatro anos após as aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria em 1917. Ela nos deixou preciosos escritos sobre essas aparições, que foram editados pelo Secretariado dos Pastorinhos. Nomeado pelo bispo de Fátima em 1960, esse trabalho foi liderado pelo Padre Luís Kondor, SVD, que atuou como vice-postulador da Causa de Beatificação de Jacinta e Francisco. O sacerdote dedicou 45 anos de sua vida à causa dos pastorinhos.
Após a morte da Irmã Lúcia no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, o Padre Luís Kondor, por meio da saudosa Madre Celina, teve acesso a um escrito de um acontecimento inédito e determinante na vida espiritual de Lúcia, que ficou por 87 anos guardado somente no seu diário de carmelita. Nele, continha a Sétima Aparição de Nossa Senhora de Fátima dirigida a ela num momento crucial de sua vida: medos, incertezas, solidão…
Hoje, 15 de junho, completam-se 105 anos do cumprimento da promessa feita por Nossa Senhora a Lúcia na aparição de 13 de maio de 1917: “Eu voltarei aqui uma sétima vez”.

Créditos: Arquivo CN.
O mistério guardado por anos no diário carmelita
Alguns dias antes da trasladação do corpo da Ir. Lúcia do Carmelo de Santa Teresa de Coimbra para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, o saudoso Padre Luís Kondor, vice-postulador da causa de Beatificação dos Pastorinhos — que dedicou 45 anos de sua vida a esta nobre causa —, irradiante como um menino, partilhou com a direção da TV Canção Nova em Portugal que a saudosa Madre Celina, ao ler o diário da Irmã Lúcia, encontrou o relato da Sétima Aparição de Nossa Senhora.
Ele trazia em mãos o texto extraído na íntegra do diário da Irmã Lúcia e disse que Nossa Senhora honrou o que havia prometido à pequena Lúcia: que viria uma sétima vez.
Ao ler a mensagem, compreendemos a luta interior que a Irmã Lúcia havia travado diante do “sim” dado a Virgem Maria na aparição de 13 de maio de 1917, quando ela perguntou aos pastorinhos se queriam oferecer-se a Deus para suportar os sofrimentos que Jesus lhes enviaria, em ato de reparação pelos pecados e de súplica pela conversão dos pecadores.
Foi na primeira aparição que Nossa Senhora pediu aos pastorinhos que viessem àquele local por seis meses seguidos e na mesma hora, e, no momento oportuno, ela diria quem era e o que queria. Em seguida, prometeu: “Depois, voltarei ainda aqui uma sétima vez”.
O simbolismo do sete e a mensagem de esperança
Ao ouvirmos o relato pelo Padre Luís Kondor, fizemos uma experiência sobrenatural da presença materna de Maria. A promessa de voltar uma sétima vez não foi um acaso; tem um sentido que marca a história. Significa que ela vem, todos os dias, ao nosso encontro, que não é indiferente aos acontecimentos que nos ocorrem, que é Mãe. Mesmo que não a sintamos ou não a vejamos como os pastorinhos, ela está conosco (Is 49,15): ”Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas?”
Na linguagem bíblica, o número sete simboliza perfeição, totalidade, consumação e plenitude divina. Derivado da palavra hebraica sheva, indica que algo está terminado e completo pela ação de Deus. O sétimo dia marca a conclusão de um ciclo.
Após saber e ouvir essa experiência, e embora o desejo fosse registrar no papel, até hoje é indescritível expressar a profundidade e tudo o que está contido nessa mensagem de Nossa Senhora, a Sétima Aparição.
Foram entrevistados ao vivo, na TV Canção Nova, em um programa especial sobre a Irmã Lúcia, os padres Luís Kondor e Jeremias Vechia, que leram o texto do diário da Irmã Lúcia na íntegra, dando a conhecer como ocorreu a sétima aparição de Nossa Senhora a Lúcia.
Como comunicadores da Boa Nova, nos preparamos e, de modo inédito e na íntegra, levamos essa mensagem a todos os lugares onde a TV Canção Nova chegava, dando a conhecer o cumprimento da promessa, a esperança aos corações e a vontade de Deus para as nossas vidas revelada por Nossa Senhora.
A noite escura da alma: o medo de partir
Era 1921, e relata a Irmã Lúcia:
“ … foste Tu, que me tomaste pela mão e me conduziste os passos. Sim, mais de uma vez, vieste a terra para indicar-me o caminho, sem Ti, teria perdido o norte e desviado a senda.
Foi o dia 15 de junho de 1921, viste a minha luta, a indecisão e o arrependimento do sim que antes tinha dado, a incerteza do que iria encontrar, a resolução de voltar atrás. O conhecimento do que deixava e a saudade a desgarrar-me o coração.….
Deixar tudo, deixar a casa paterna, por uma incerteza que iria encontrar, oprimia-me o coração e fazia-me pressentir o que nem queria pensar!… Podia ser lá? – perguntava a mim mesma. – Não, digo à minha Mãe que eu não quero ir e, com o meu não aparecimento amanhã em Leiria, tudo estará resolvido, ….
Para onde o Sr. Bispo quer me levar, não sei como será, é com a condição de não voltar mais para a casa, por isso não voltarei mais a ver a família, nem estes lugares benditos! Cova da Iria, Loca do Cabeço, Valinhos, Poço do Arneiro, a Igreja onde fica o meu Jesus escondido e de onde tantas graças tenho recebido! O sorriso da minha primeira Comunhão! Vila Nova de Ourém, onde fica a Jacinta, o cemitério onde ficam os restos mortais do meu querido pai e de Francisco! Nunca mais voltar a pisar nessa terra abençoada, para ir sabe Deus pra onde! Sem nem sequer poder escrever diretamente à minha mãe! Impossível, não vou!
O sacrifício no altar da Cova da Iria
E foi entre essa multidão de pensamentos sombrios que percorri o caminho, desde a Igreja de Fátima, onde de manhãzinha cedo fui para assistir à Santa Missa e comungar por despedida, até a Cova da Iria. Ajoelhada e debruçada sobre a pequena grade que resguardava a terra que tinha alimentado a feliz carrasqueira, onde Nossa Senhora pousou os Seus Imaculados pés, deixei as lágrimas correrem em abundância, enquanto o que pedia a Nossa Senhora era o perdão de não ser capaz de oferecer-Lhe, desta vez, o sacrifício que me parecia superior às minhas forças.
Recordava, sim, esse mais belo dia 13 de maio de 1917, em que tinha dado o meu “Sim”, prometendo aceitar todos os sacrifícios que Deus quisesse enviar-me. E essa recordação era como uma luz no fundo da alma, um escrúpulo que não me dava paz e me fazia verter uma torrente de lágrimas.
Nesse momento, bem longe, eu não estava a pensar num novo encontro, nem no cumprimento da promessa: ‘Voltarei, aqui, uma sétima vez’. Existiam tantos mais dignos do que eu a quem podias manifestar-Te! Mas não é aos filhos mais pequeninos e necessitados que as mães socorrem em primeiro lugar? Por certo que, desde o Céu, o Teu maternal olhar me seguia os passos, e no espelho imenso da Luz que é Deus, viste a luta daquela a quem prometeste especial proteção: ‘Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado será o teu refúgio, e o caminho que te conduzirá até Deus’.
O amparo maternal: “aqui estou pela sétima vez”
Assim, solícita, mais uma vez desceste à terra, e foi então que senti a Tua mão amiga e maternal tocar-me o ombro; levantei o olhar e vi-Te, eras Tu, a Mãe Bendita a dar-me a Mão e a indicar-me o caminho; os Teus lábios descerraram-se, e o doce timbre da tua voz restituiu a luz e a paz à minha alma: ‘Aqui estou pela sétima vez, vai, segue o caminho por onde o Senhor Bispo te quiser levar, essa é a vontade de Deus’.
Repeti, então, o meu “Sim”, agora bem mais consciente do que o do dia 13 de maio de 1917. E, enquanto que de novo Te elevavas ao Céu, como num relance, passou-me pelo espírito toda série de maravilhas que naquele mesmo lugar, havia apenas quatro anos, me tinha sido dado contemplar. Recordei a minha querida Nossa Senhora do Carmo e, nesse momento, senti a graça da vocação à vida religiosa e o atrativo pelo claustro do carmelo. Tomei por protetora a minha Santa Teresinha do Menino Jesus. Dias depois, por conselho do Sr. Bispo, tomei por norma a ‘Obediência’ e por lema as palavras de Nossa Senhora narradas no evangelho: ‘Fazei tudo o que ele vos disser’…
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O Legado de Santificação e a Missão Continua
No momento decisivo da vida da Ir. Lúcia, no qual ela se sentiu tentada a dizer não aos projetos de Deus, a querida Mãe do Céu veio em seu auxílio para recordar a vontade d’Ele e encorajá-la a cumprir a sua missão. Assim é a Mãe Celeste, ela sempre nos acompanha, nos vê, conhece o nosso coração e sabe tudo o que vivemos. Não tenhamos medo de derramar a ela a nossa alma, as nossas lágrimas, as dores e lutas. Ela tudo compreende, tudo colhe, e apresenta ao seu Filho Jesus.
Unidos a Ele por Maria, nos tornamos capazes de suportar os sofrimentos, que oferecidos a Deus são meios eficazes de santificação. No Seu Reino, tudo se transforma em tesouros valiosos, que são guardados no coração da Mãe e nos renderão o céu.
O acontecimento de Fátima ultrapassou a Cova da Iria, e se concluiu em Pontevedra e Tuy, na Espanha, entre 1925 e 1929. É bem provável que a querida Mãe também a tenha visitado outras vezes durante a sua vida.
Nilza Maia
Texto adaptado do livro Mística de Fátima




