Muito se fala sobre os malefícios do uso excessivo das telas, sejam elas do computador, do tablet ou do nosso celular, mas, na real, quais seriam esses malefícios que as telas trazem para os seus usuários?
Impactos no desenvolvimento cognitivo infantil
Estudos com crianças e adolescentes são os mais alarmantes, visto que o cérebro ainda está em formação.
● Atraso de Linguagem: Um estudo publicado na JAMA Pediatrics indicou que cada 30 minutos adicionais de tela em bebês de 6 a 24 meses estava associado a um aumento de 49% sem risco de atrasos na fala.
● Alterações na Estrutura Cerebral: Pesquisas utilizando ressonância magnética mostraram que crianças com uso superior a 7 horas diárias apresentam um afinamento prematuro do córtex cerebral, a camada responsável pelo processamento de informações críticas.¹

Créditos: GettyImages/D-Keine
Saúde mental e bem-estar psicológico
O uso excessivo, especialmente de redes sociais, está correlacionado a quadros clínicos específicos:
● Ansiedade e depressão: A frequência do FOMO (Fear of Missing Out ou medo de ficar de fora) e a comparação social constante elevam os níveis de cortisol. Estudos na Lancet Child & Adolescent Health sugerem que o impacto negativo é maior quando o tempo de tela substitui o sono e a atividade física.
● Déficit de Atenção: A “cultura do clique” e os vídeos curtos treinam o cérebro para recompensas rápidas de dopamina, o que pode reduzir a capacidade de concentração em tarefas profundas e prolongadas.
Prejuízos físicos e biológicos
Aqui estão os danos diretos ao funcionamento do corpo:
● Ciclo Circadiano (Sono): A luz azul emitida pelas telas inicia a produção de melatonina. Segundo a Harvard Medical School, isso não só dificulta o sono, mas altera a qualidade do sono REM, essencial para a consolidação da memória.
● Saúde Ocular: A síndrome da visão do computador e o aumento exponencial dos casos de miopia em jovens estão diretamente ligados à falta de exposição à luz solar e ao esforço constante de foco em objetos próximos.
Esses fatores acima citados estão relacionados com as crianças, o prejuízo na formação e no desenvolvimento cognitivo podem ocasionar danos irreparáveis no processo da formação neurológica das mesmas. Hoje, já é evidenciado por estudos que corroboram dizendo que as crianças estão tendo casos de ansiedade, casos de depressão e sintomas de abstinência por causa da retirada das telas. Antigamente, falávamos que a depressão era a doença do século; hoje, podemos dizer que o uso excessivo das telas tem causado um aumento nos números de casos de doenças psíquicas.
Quando pensamos que crianças de um a dois anos estão segurando celulares e assistindo a desenhos e filmes, porque seus próprios pais entregam em suas mãos muitas vezes para poder ficar livres, vemos que eles acabam terceirizando a criação dos filhos.
Infância digital x Consciência do adulto
Quantas crianças passam horas e horas com um celular ou um tablet nas mãos assistindo a desenhos e séries sem a supervisão de um adulto! Essas crianças estão sendo afetadas pelo uso excessivo dessas telas, elas nem deveriam estar usando esses aparelhos; na realidade, deveriam estar brincando com brinquedos lúdicos, feitos para desenvolver as habilidades motoras, a motricidade fina e grossa.
Você já parou para pensar que todo brinquedo possui uma faixa etária para ser usado, e se não estiver na faixa etária daquela criança ela não pode brincar com aquele brinquedo? Você já refletiu que não temos essa preocupação com nossas crianças de um ou dois anos quando entregamos um celular na mão dela? Evitamos dar um brinquedo que contém peças pequenas que podem ser engolidas para as crianças menores, pois podem fazer mal ou até mesmo matar ao ser engolido, por que então não pensamos da mesma forma quando entregamos um celular nas mãos de uma criancinha por exemplo? Quanto mal isso irá fazer para ela? Este deveria ser o nosso seletivo, mas não é! Precisamos melhorar nossas decisões em relação a isso.
Mentes hipnotizadas
Muitas crianças, hoje, com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), com TEA (Transtorno do Espectro Autista), TOD (Transtorno Opositor Desafiador) entre outras doenças psicológicas, não podem ter acesso a essas ferramentas, pois atrapalha no desenvolvimento de seus cérebros e são gatilhos para o despontar dessas doenças. Os pais não podem terceirizar a educação de seus filhos em detrimento à liberdade para que a criança não chore, não grite, não fique “esperneando”. “Eu dou esse aparelho, eu deixo assistir, então eu consigo ficar livre”. As crianças ficam hipnotizadas com as telas, por causa das cores, do brilho, da luz, das músicas, é tudo feito para controlar a mente de adultos, imagine isso tudo acontecendo na mente das nossas crianças.
Saúde mental e transtornos emocionais em adolescentes
O cérebro do adolescente está em uma fase crítica de desenvolvimento da identidade e do controle de impulsos.
● Ansiedade e Depressão: De acordo com o Panorama da Saúde Mental 2024 (Instituto Cactus/AtlasIntel), 45% dos casos de ansiedade em jovens de 15 a 29 anos no Brasil estão relacionados ao uso intensivo de redes sociais. Jovens que usam telas por mais de 3 horas diárias têm um risco 30% maior de depressão.
● FOMO e Autoestima: Estudos de 2025 da CNN Brasil e JAMA Pediatrics destacam que o “medo de ficar de fora” (FOMO) e a comparação constante com padrões irreais afetam a autoestima de 40% dos jovens, que baseiam seu valor pessoal em curtidas e comentários.
● Vício algorítmico: Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS 2024) revelam que o uso problemático de redes sociais (com sintomas de abstinência e perda de controle) subiu para 11% entre os adolescentes, com as meninas sendo as mais afetadas (13%). Em relação aos adolescentes, muitos estão no vício e não conseguem ficar muito tempo longe das telas. Nos dias atuais, existem clínicas especializadas para atender estes adolescentes que se tornaram dependentes deste uso excessivo das telas. Quando o foco é o medo de ficar sem o celular, utiliza-se o termo nomofobia, já existem estudos que mostram que este vício tem um risco aumentado nos índices de suicídios entre os jovens.
² Em 2017, por exemplo, um³ estudo publicado por pesquisadores da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, já relacionava o excesso de tempo (de pelo menos uma hora) que adolescentes passavam grudados em seus smartphones com um aumento no sentimento de infelicidade. Outro4 estudo, feito com adolescentes da Coreia do Sul, revelou que o excesso de uso desses aparelhos aumentava os conflitos familiares e as dificuldades na produção acadêmica, além de elevar o risco para tentativas de suicídio.
Precisamos ter um olhar atento aos nossos jovens em relação ao uso das telas, não é que não podem usar as telas, pode-se usar, mas com moderação, com responsabilidade e também com atenção dos pais. Os responsáveis precisam estipular horários e determinar o tempo de uso, precisam ser a consciência externa desses jovens.
E os adultos em relação às telas?
Em relação aos adultos, os malefícios também são notórios: depressão, ansiedade, transtornos de personalidade, distúrbios do sono, fadiga crônica, TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) entre outros. O aumento do número de danos causados pelo uso excessivo das telas também é algo que se tornou preocupante em nossa sociedade atual. A infidelidade conjugal via internet, o adultério, o aumento da pornografia tanto masculina quanto feminina. A busca desenfreada pela dopamina, endorfina e ocitocina acaba se transformando em um vício, em uma compulsão tão perigosa como o vício em drogas pesadas como o crack, a cocaína, a heroína entre outras drogas ilícitas, e, por causa disso, está destruindo muitos casamentos, muitas relações entre as famílias. Há falta de diálogo entre os esposos, entre os filhos, famílias que ficam dentro de casa e já não se falam mais presencialmente, tudo via internet ou rede social.
Precisamos rever o uso das telas nas relações interpessoais, as telas não são o problema, mas sim o excesso do uso delas, as redes sociais e as ferramentas da internet vieram para nos ajudar e não para destruir, mas precisamos usá-las com sabedoria, discernimento e com muita responsabilidade.
1 JAMA Pediatrics e The Lancet Psychiatry Commission on Problematic Usage of the Internet (2024).
2 https://nav.dasa.com.br/blog/nomofobia
3 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29355336/
4 https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.021983
Wesley Paulo Santos Moreira
É membro da Comunidade Canção Nova desde 2006 no modo de compromisso do Núcleo. Casado. Técnico na área de Rádio e TV, possui MTB de jornalista, formado em Marketing e Gestão de Qualidade pela FMU, cursou Capacitação em Psicopedagogia, é pós-graduado em Logoterapia pela FETES, psicanalista pela IBPC (Instituto Brasileiro de Psicanálise Clinica), pós-graduado em psicanálise pela Faculdade Metropolitana e também doutor em psicanálise pela FATEB.




