O compromisso cristão não é uma prisão que limita, mas um caminho que liberta
Quando Jesus promete “vida em abundância” (Jo 10,10), revela-nos que a verdadeira plenitude nasce precisamente do nosso “sim” radical a Deus e ao Seu projeto de amor.
Na espiritualidade da Comunidade Canção Nova, este princípio ganha contornos luminosos: o compromisso com Cristo, vivido através da oração, da comunhão fraterna e do anúncio do Evangelho, transforma-se em fonte inesgotável de alegria. Não se trata de um fardo pesado, mas de uma resposta amorosa que nos configura cada vez mais ao Coração de Jesus.

Créditos: Rophiman Souza / cancaonova.com
Quando decidimos nos comprometer verdadeiramente – seja no matrimônio, na vida consagrada, no celibato apostólico ou simplesmente na vivência diária da fé –, experimentamos um paradoxo evangélico: ao entregarmos a nossa vida, encontramo-la multiplicada. É como o grão de trigo que, morrendo, produz muito fruto (Jo 12,24).
Os pilares fundamentais de um autêntico compromisso, a chave para uma vida abundante
O compromisso autêntico exige três pilares fundamentais, tão caros à espiritualidade carismática: a intimidade com Cristo na oração pessoal e comunitária, que nos renova constantemente; a vida em comunidade (família, trabalho, paróquia), onde aprendemos a amar concretamente e a perdoar setenta vezes sete; e a missão evangelizadora, que nos lança para fora de nós mesmos em serviço ao Reino.
Essa vida abundante não significa ausência de cruz. Pelo contrário, o compromisso cristão implica renúncias, momentos de aridez, tentações do cansaço, da mediocridade ou da rotina. Mas é precisamente nesses momentos que a fidelidade ao ‘sim’ inicial se torna testemunho profético. Como Maria, que permaneceu fiel mesmo ao pé da cruz, descobrimos que a graça de Deus nos transfigura e sustenta as nossas fragilidades.
Canção Nova: lugar de comprometimento, sentido, alegria e espiritualidade
A Comunidade Canção Nova testemunha esta realidade: milhares de pessoas que, comprometendo-se radicalmente com Cristo e com a Nova Evangelização, descobriram não empobrecimento, mas superabundância de sentido, alegria e fecundidade espiritual. O louvor constante, marca da Comunidade, não é alienação da realidade, mas celebração desta vida nova que brota do compromisso fiel.
O medo de se comprometer nasce frequentemente da ilusão de que manter todas as portas abertas nos dará mais liberdade. Contudo, a experiência humana e espiritual demonstra o contrário. Quem não se compromete com nada vive numa perpétua superficialidade, incapaz de experimentar a profundidade das relações, a solidez da identidade e a paz que nasce da entrega confiante. O compromisso não fecha possibilidades, antes abre as portas da verdadeira realização, porque nos ancora naquilo que verdadeiramente importa e nos impede de viver à deriva numa cultura do efêmero e do descartável.
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Precisamos transformar nosso ‘sim’ diário em estilo de vida
O valor do compromisso manifesta-se precisamente na sua duração e permanência. Num mundo que celebra o provisório e valoriza a facilidade de “desistir” quando as coisas se tornam difíceis, o compromisso cristão surge como testemunho de que o amor verdadeiro persevera, de que a fidelidade constrói história, de que só através da perseverança se alcançam os frutos mais preciosos.
Comprometer-se é acreditar que há algo maior do que os nossos humores passageiros, que vale a pena investir a vida inteira numa causa, numa pessoa, numa vocação. É descobrir que a verdadeira aventura não está em mudar constantemente de direção, mas em aprofundar o caminho escolhido até encontrar os tesouros escondidos que só a fidelidade revela.
Quando o nosso ‘sim’ deixa de ser teórico e se torna estilo de vida, experimentamos a promessa cumprida: vida em abundância, vida que transborda, vida que contagia. Este é o convite que Jesus nos faz hoje: não ter medo de nos comprometermos totalmente, porque só assim conheceremos a verdadeira liberdade dos filhos de Deus.
Paula Ferraz
(Missionária da CN- 2º Elo; Fátima – Portugal)




