🕊️ Espiritualidade

Síntese Jubilar: o que aprendemos com a Igreja?

Raízes bíblicas e o significado do Tempo Jubilar

O Ano Jubilar, desde que foi celebrado em 1300, pelo Papa Bonifácio VIII, sempre foi um tempo extraordinário de graças, um convite à conversão e reconciliação, concedido pela Igreja. Suas raízes estão na Sagrada Escritura,
e são confirmadas pela Sagrada Tradição da Igreja, e vividas pastoralmente ao longo dos séculos como um verdadeiro kairós (tempo favorável de Deus).

Créditos: Massimo Merlini by Getty Images.

Para avaliar o que aprendemos e lucramos com o Jubileu que há pouco se encerrou, precisamos conhecer o que ele significa para nós.

O Jubileu que a Igreja celebra já era celebrado no Antigo Testamento: “Declarareis santo o quinquagésimo ano e proclamareis libertação na terra para todos os seus habitantes” (Lv 25,10).

Os escravos eram libertados, as dívidas perdoadas, as terras devolvidas, o povo era reconduzido à confiança em Deus.

O sentido religioso do jubileu é que Deus é o verdadeiro dono da história e o homem só é livre quando volta a Ele. E Jesus aplicou a Si mesmo a promessa jubilar: O Espírito do Senhor está sobre mim… enviou-me para
proclamar a libertação aos cativos. Um ano da graça do Senhor” (Lc 4,18–19; cf. Is 61).

Jesus Cristo como o Jubileu Vivo

Cristo é o Jubileu vivo que liberta do pecado, restaura a comunhão com o Pai, inaugura o ano da graça do Senhor. Santo Ambrósio (†397), Doutor da Igreja, afirma: “Onde há remissão dos pecados, aí está a liberdade; onde está
a liberdade, aí está o Jubileu”. (Exposição sobre o Evangelho de S. Lucas, IV, 19).

Em cada Ano Jubilar que o Papa convoca, ele coloca uma intenção especial. Neste último foi o Jubileu da Misericórdia (2015–2016), convidando o povo da Deus a desfrutar de graças especiais concedidas por Deus para
quem faz uma Peregrinação às igreja jubilares onde os bispos abrem e fecham a porta santa, para quem faz a Confissão sacramental bem feita, pra quem participa com mais fervor e devoção na Eucaristia. Neste Ano Santo
podemos lucrar Indulgências plenárias para nós mesmos ou para uma alma do purgatório. Tudo isto esteve à nossa disposição gratuitamente.

:: Cobertura especial do Jubileu de 2025

A porta santa e a Misericórdia de Deus

A Porta Santa que o Papa abre no Vaticano, e que os bispos abrem em suas dioceses, simboliza o próprio Jesus que disse: “Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo” (Jo 10,9). Passar pela Porta Santa significa, então,
entrar em comunhão com Cristo, com uma vida renovada, livre dos pecados, e ter a consciência de que a nossa salvação não vem de nós mesmos, mas da misericórdia de Deus.

São Beda, o Venerável (†735), Doutor da Igreja, dizia: “Passar pela Porta é abandonar o homem velho e revestir-se de Cristo” ( Homiliae Evangelii, I, 13).

Santo Agostinho disse que: “Cristo é a Porta pela qual entramos na vida; quem entra por Ele não se perde” (Tratado do Ev. de São João, 45, 2).

Ele dizia também que: “A Igreja é a porta aberta do lado de Cristo que foi aberto na Cruz”. “Fora da Igreja pode haver tudo, exceto o perdão dos pecados” (Sermão 214, 11).

Santo Irineu de Lião (†202), Doutor da Igreja, disse: “Onde está a Igreja, aí está o Espírito de Deus; e onde está o Espírito de Deus, aí está a remissão dos pecados” (Adversus Haereses, III, 24, 1).

Veja também a série The Church, com apresentação do Prof. Felipe Aquino:
.:O que é a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério?
.:O que é Ecumenismo? Como vivê-lo?
.:Por que é pecado fazer doação de óvulos?

O convite à conversão e o retorno à Igreja

O Catecismo da Igreja Católica, (nn. 1471–1479) fala da importância espiritual do Ano Jubilar dizendo que o Jubileu desperta a consciência do pecado, reaviva a esperança na vida eterna com Deus, reconcilia o homem
com Deus e com os irmãos, lembra que a Igreja é mãe que perdoa.

São João Paulo II disse, no Jubileu do ano 2000, que: “O Jubileu é um forte convite à conversão e à redescoberta da misericórdia”.

Nesses tempos de triste relativismo moral e religioso – que ensina que a verdade não existe – o Jubileu vem nos lembrar da pior realidade que é o pecado, para o pecador, para o mundo e para a Igreja (cf. Cat. n. 1488).

Recupera-se o sentido do pecado e a necessidade da conversão e da Confissão sacramental. Volta-se para a única Verdade que é Jesus Cristo.

Para muitos este último Jubileu foi a oportunidade de voltar-se para Deus e para a Igreja; vencer o cansaço espiritual, as feridas pessoais e sociais, superando a dor na misericórdia de Deus, vencendo o desânimo e o
desespero com a graça de Deus.

Felizmente, este Ano Jubilar trouxe de volta para a Igreja muitos que, infelizmente, às vezes, por causa de uma exigência descabida, fez-se fechar as Igrejas afastando delas o povo. Mas o Jubileu o trouxe de volta, graças a
Deus.

Muitos voltaram a ter um encontro pessoal com Jesus, na vida sacramental e eclesial. Foi a Igreja, abrindo de modo visível, as portas do Coração de Cristo para todos os de boa vontade. Os santos doutores diziam que “o Jubileu é a antecipação do Céu”.

Demos graças a Deus por mais este Ano Jubilar, por nos ter ensinado todas essas maravilhas e nos ter propiciado tantas graças.


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br e Twitter: @pfelipeaquino