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O conteúdo do Antigo Testamento é confiável ou é de histórias figurativas?

A confiabilidade do Antigo Testamento

O Antigo Testamento, uma parte fundamental das Escrituras da Igreja Católica, é a primeira parte da Bíblia, compreendendo os livros escritos antes do nascimento de Jesus Cristo. É uma fonte rica de ensinamentos que nos proporcionam orientações para a vida espiritual e moral.

Os gêneros literários e a verdade teológica

O Antigo Testamento não é um bloco único de relatos literais, mas um mosaico de gêneros literários que inclui parábolas, fatos históricos, genealogias e cartas. Existem textos de caráter apocalíptico, como os de Daniel e Ezequiel, que utilizam linguagem figurativa para transmitir suas mensagens. É essencial discernir essas formas para compreender o que ocorreu de fato e o que é ilustrativo.

A verdade espiritual além da literalidade

São Gregório Magno, por exemplo, tratava a narrativa de Jonas como uma parábola, semelhante à história do Filho Pródigo contada por Jesus. O ponto central da Escritura não é a existência física de todos os personagens de uma parábola, mas a verdade religiosa nela contida. A Bíblia foca na revelação espiritual e não na precisão absoluta de crônicas.

A criação e os limites da ciência

Sobre Adão e Eva, a Igreja assegura as verdades religiosas fundamentais: Deus criou o homem e a mulher, e o pecado entrou na história humana por meio deles. A definição científica de quando ou onde surgiu a primeira linhagem humana cabe à ciência e à codificação genética. O texto sagrado não visa substituir o conhecimento científico ou a paleontologia.

A historicidade dos Patriarcas e Profetas

Personagens como Abraão, Isaac, Jacó e o profeta Elias são considerados históricos, dada a seriedade da tradição do povo judeu com sua linhagem. Cada hagiógrafo escreveu dentro de seu contexto cultural e intelectual, variando do culto Isaías ao simples pastor Amós. Ambos, contudo, buscaram transmitir a mesma verdade religiosa sob a inspiração divina.

O papel do Magistério na interpretação

O Magistério da Igreja, composto pelo Papa e pelos bispos, detém a exclusividade da interpretação autêntica e infalível da Palavra de Deus.

Embora teólogos, biblistas e cientistas realizem estudos fundamentais, o carisma definitivo da interpretação pertence à autoridade eclesial. O documento Dei Verbum reforça que esse ofício é exclusivo do Magistério.

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O auxílio da ciência e a união entre Fé e Razão

A Bíblia pode ser comparada a um remédio: o que realmente importa é a substância curativa, não a embalagem ou o frasco que a transporta.

A Igreja utiliza ferramentas como a arqueologia, o teste de carbono 14 e o estudo de línguas antigas para extrair essa verdade. Fé e razão são irmãs que se enriquecem mutuamente na compreensão da Revelação.

Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br e Twitter: @pfelipeaquino