Vida a dois

O cônjuge como um caminho para Deus

O cônjuge como um caminho para Deus, um lugar de encontro com o Senhor

O encontro de duas pessoas em Deus – por intermédio da oração ou da vivência religiosa compartilhada – é uma das formas mais ricas e profundas de elas se encontrarem com o melhor que cada um possui, já que estão diante do Senhor. Diante d’Ele, elas se desprendem de tudo o que normalmente dificulta o encontro e vão assumindo, com mais objetividade, a atitude compreensiva, benigna e compassiva do amor de Deus.

A união de duas pessoas pelo sacramento do matrimônio abre-lhes uma nova possibilidade de amor sobrenatural: o cônjuge como um caminho para Deus, um lugar de encontro com o Senhor. No momento solene das bodas, Cristo diz a cada um: “Eu, desde agora, vou amá-los especialmente por meio do cônjuge, vou convertê-lo em santuário do meu encontro contigo”.

O cônjuge como um caminho para DeusFoto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Descoberta de Cristo no cônjuge

Com isso, o Senhor nos deixa o grande desafio de O buscarmos no coração do outro, onde, desde agora, Ele está nos esperando. O desafio de descobrir o rosto de Cristo no rosto do cônjuge, de acolher Seu amor como transparente e reflexo do amor divino. Em contrapartida, eu devo ser Cristo para o outro, dar a Ele o amor, a luz e a força que necessita para crescer e chegar até Deus. Assim, cada um se aceita e se doa ao outro como lugar privilegiado de encontro com o Senhor.

Por isso, em todo matrimônio cristão está sempre Deus como terceiro, como quem se faz de ponte e laço de união entre os cônjuges. Mas quando o Senhor não ocupa esse lugar dentro do matrimônio, há sempre lugar para outro terceiro, que destrói a aliança matrimonial.

No matrimônio precisar ter amor

O casamento é uma comunidade de salvação unida por um vínculo sobrenatural. O amor de Cristo e de Maria selam nosso amor. Estamos unidos como a videira e os brotos. Nossa salvação está unida ao outro e vem por meio dele. Nossa santidade repercute no outro, nosso pecado também.

Tão profunda é essa aliança [matrimonial] e esse conhecimento mútuo, que os esposos deveriam chegar a ser diretores espirituais um do outro. Tanto se conhecem que podem ajudar o outro em seu caminho de santidade. Essa aliança de amor se dá entre os esposos e deles com Deus. Por isso é comunidade de salvação, de amor, vida e tarefas com Cristo e Maria.

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Compartilhamos Sua missão e junto com Ele caminhamos para Deus Pai. Em caso de os contraentes humanos entrem em crise, o Terceiro os ampara. Cristo carrega com eles o matrimônio.

Fonte de salvação um para o outro

Depois de nossa consagração, a Virgem também começa a ser uma aliada nossa e nos ajuda no caminho. Ela também nos ampara. O que dissemos sobre o matrimônio vale para todos os membros da família: pais, filhos, irmãos… Cada um é Cristo para os demais, reflexo do Senhor. Cada um é e há de ser, para o outro, um caminho para o Senhor, caminho privilegiado de amor a Ele.

Nisso encontramos o sentido da aliança matrimonial e o sentido da aliança familiar: todos juntos, unidos e aliados com a Virgem Maria, caminhamos para Deus. Todos juntos, amando-nos mutuamente como ao Senhor, nos consagramos a Maria e, mediante ela, entregamo-nos para sempre a Deus.

Queridos irmãos, se nos deixarmos educar e guiar pela Virgem Maria, então a aliança com ela será como uma grande escola de amor. Nela aprendemos a amar para percorrer os caminhos do amor divino e chegar ao coração do Pai. E é assim que se tornará realidade em nossa vida a aliança com Deus.

Por Padre Nicolás Schwizer
Movimento apostólico Shoenstatt

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