🙏 Reavivar o dom de Deus

O combate pela coroa da salvação em tempos difíceis

Estamos num tempo em que um Cristianismo de aparência não suportará o duro combate

Na Segunda Carta de São Paulo a Timóteo, nós encontramos esta exortação, que se apresenta profundamente pessoal e vivaz: o soldado de Cristo combate pela coroa da Salvação (cf. II Tm 1, 6-14).

Paulo oferece o seu exemplo, recordando o seu ministério e preparando-se para o martírio. É um verdadeiro alerta perante a realidade dos falsos mestres que aumentaram e se fortaleceram nos últimos dias, por meio do qual o responsável da comunidade, como também aqueles que dela fazem parte, devem agir como um soldado, lavrador, operário, servo fiel, ou seja, como uma testemunha corajosa. Não devem temer o fortalecimento dos maus, pois sua derrota será inevitável.

Créditos: flickr/cancaonova.com

O soldado de Cristo diante das provações

Essa carta é para nós atual e significativa, pois também nós vivemos situações em que o cerco se fecha e as perseguições se acentuam. Vivemos num tempo de hostilidades e perseguições, no qual a fé sofre ataques. Portanto, diante desse contexto, surge a pergunta: nossa vida de fé nos prepara para a provação ou para a derrota? Creio que devamos nos rever, com sinceridade e verdade, em vista do arrependimento e da conversão.

O soldado de Nosso Senhor Jesus Cristo, mesmo no sofrimento e na prisão, não deixa de ser um evangelizador e anunciador, pois o Evangelho de Cristo não se deixa acorrentar, difunde-se, espalha-se pela força da graça divina. Este constitui o testemunho da própria vida do apóstolo Paulo. Vida que aqui encoraja Timóteo com o seu testemunho, deixando-lhe um verdadeiro testamento de fidelidade e perseverança diante das provações. E o apóstolo dos gentios o motiva não com uma teoria vazia, mas com seu testemunho de vida. Testemunho de quem sofre com Cristo como prisioneiro, por isso, tal testamento possui para nós uma atualidade tremenda, é ponto de referência segura. É preciso, sem dúvida, permanecer fiel à sã doutrina apostólica resistindo às provações, como soldado de Cristo.

Este texto nos exorta a reavivar o dom de Deus, que é um espírito de força, amor e sabedoria, para enfrentarmos, com coragem, o testemunho e os sofrimentos por causa de Cristo e do Evangelho. É o Espírito Santo que forja essa têmpera em nós, para que sejamos capazes de uma caminhada cristã fiel na doutrina e na prática, ou seja, fé e vida em íntima comunhão. A ordem é para não se acovardar. A fé precisa ser constantemente alimentada, para que se torne certeza e esperança; não fraqueza e covardia, pois se nossa existência se tornar covarde, sem dúvida, “a ousadia dos maus vencerá a covardia dos bons”. Estamos num tempo em que um Cristianismo de aparência não suportará a dura luta. Portanto, que tipo de cristão você é?

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A força do Espírito Santo

O Espírito de força revela-se como o oposto do medo e da preguiça, e aponta para a necessidade de um testemunho corajoso e perseverante. Eis a fonte inesgotável que sustenta e motiva a fé e o testemunho cristão: a graça eficaz, gratuita e salvífica de Deus, revelada em Jesus Cristo e contida na Boa Nova do Evangelho. Se a Palavra de Redenção não é assimilada no profundo da alma, ela não se torna anúncio de vivência, o ouvinte distraído e superficial não evangeliza, fala de algo que está fora da sua vida!

Somente pelos méritos de Cristo, que salva a humanidade, torna-se possível a fidelidade e a perseverança nesse vale de lágrimas. Paulo quer mostrar a Timóteo que o Espírito Santo agirá dando tal testemunho. Também em nós este mesmo Espírito age para que o anúncio seja autêntico e firmado no depósito da fé. Paulo foi constituído, portanto, como pregador, apóstolo e mestre, que sofre sim, contudo, com uma coragem inabalável, confiante na força de Deus que o sustenta. Por isso, o apóstolo não se apresenta como modelo somente para Timóteo, mas também para cada um de nós. Modelo de fidelidade e perseverança cristã, garantida pela força do Espírito Santo, que atua constantemente na humanidade.

Deixemos que o Espírito Santo seja o mestre a formar em nós a têmpera necessária para enfrentarmos as provações da vida. Que o Senhor nos conceda a fé e a têmpera dos mártires neste tempo em que o testemunho é tão urgente e necessário!

 

Com minha bênção sacerdotal,

Padre Eliano Luiz Gonçalves (in memoriam)
Diocese de Lorena (SP)

 

Este artigo foi escrito originalmente em 2014 pelo saudoso Padre Eliano, que hoje descansa na paz de Deus.

 

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