Reconciliação

O perdão não nasce do nosso sentimento

O perdão não nasce do nosso sentimento, mas sim da nossa decisão

O perdão afeta a santidade e o nosso corpo. Sabemos que São Pedro perguntou a Jesus até quantas vezes precisamos perdoar, e o Senhor respondeu: “Não só 7 vezes 7, mas 70 vezes 7”. Em uma casa, uma família precisa perdoar um usuário de drogas, em um dia, 70 vezes 7.

O perdão não nasce do nosso sentimento
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

O perdão não nasce do nosso sentimento, mas sim da nossa decisão, é uma decisão de amor; é uma graça que Deus nos dá. Algumas vezes, perdoamos querendo algo em troca, ou falamos: “Perdoei tal pessoa, mas ela não muda”; no entanto, o perdão é nosso. Não podemos esperar mudança nem reconhecimento, o perdão precisa ter gratuidade.

Há pessoas que se decidem a não perdoar, e se você livremente não toma a decisão de perdão, você não entrará no rio da misericórdia. Já pensou se Jesus falasse assim com você: “Veio confessar de novo o mesmo pecado? Virou brincadeira!…”? Mas isso nunca vai acontecer, porque Deus vai nos perdoar sempre.

Se nós não perdoamos uma pessoa gratuitamente, mesmo que ela não venha a mudar, estamos fazendo a ela um mal espiritual terrível, estamos escravizando-a.

Existem pessoas que resolvem pegar o passado e enterrá-lo. Preste atenção: você não é o senhor do tempo, o seu passado não é para ser enterrado, mas sim redimido no Sangue de Jesus Cristo. Descave o seu passado, o que você precisa é perdoar, é colocá-lo aos pés da cruz, para que ele seja redimido.

Primeiro caso equivocado: perdoar esperando recompensa. Segundo caso: enterrar o passado. O terceiro caso: não perdoar, porque essa pessoa lhe fez mal. Por exemplo: “Como vou perdoar uma pessoa que matou o meu pai?”. Eu lhe respondo: com a graça de Deus. Você não tem nenhum motivo para não perdoar. O quarto caso é: “Perdoei. Agora chega! Já faz 60 anos que perdoei esse infeliz e ele faz a mesma coisa”. Você só será santo se perdoar até o fim.

O perdão e a escola dos Santos

São João da Cruz pediu uma graça a Deus de não ser amado por ninguém. Quando ele percebeu que estava para morrer, ele buscou o convento no qual ninguém gostava dele. E disse que queria morrer naquele local, porque queria morrer perdoando.

Quem tem a coragem de querer morrer na casa da pessoa que mais lhe fez mal? Meus queridos, nós amamos muito e não queremos sofrer, não queremos a frustração. Achamos que ser feliz é não ter problemas, achamos que ser feliz é estar tudo bem, mas não é isso que diz o Evangelho. Como você quer seguir Jesus, que passa pela cruz, e não quer sofrer? Ser feliz é amar a Deus, é viver como Jesus a radicalidade do Evangelho.

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Santa Terezinha, certa vez, levou uma sobrinha para o convento para cuidar da menina, daí começou a haver um boato na cidade de que ela havia tido uma filha antes de ir para lá [convento], até que uma irmã lhe informou sobre o comentário que ocorria na cidade, e a santa francesa respondeu: “Já fiz tantas coisas erradas, que eles não souberam. Deixe-os falar para que essa fique por conta do que eles não sabem”.

O quinto caso é: “Não vou perdoar, porque ele fez de propósito”, mas isso não faz diferença para o perdão. A graça do perdão jorra de Jesus Cristo. São João da Cruz diz que tanto faz se um passarinho está amarrado por um barbante ou por uma corrente, pois das duas formas ele estará amarrado. Assim é o perdão: não importa se o que você tem quer perdoar é algo grande ou pequeno.

Nenhum pecado atinge só a alma, atinge nosso corpo também, pois este foi feito para expressar a santidade de Deus, o nosso corpo expressa a nossa história de vida.

Deus quer nos “revirginizar”, isto é, quer nos santificar na nossa alma e no nosso corpo.

Emir Nogueira é Co-Fundadora da Comunidade Shalom

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