Sintomas

O que pode abrir as portas para uma depressão?

A depressão pode estar associada a várias situações do cotidiano

A depressão pode começar de forma discreta, mas, muitas vezes, não damos a ela a devida importância. Pensamos que é apenas cansaço, e assim que tivermos um tempo para tirar uma folga e relaxar, tudo ficará bem.

Essa folga vai sendo adiada constantemente por problemas cotidianos e alguns sintomas começam a aparecer, geralmente, após um período conturbado que ficou para trás ou junto com aquele problema que estamos lutando para resolver, mas não conseguimos.

O que pode abrir as portas para a depressãoFoto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Os problemas emocionais não são uma escolha, e ninguém deseja atravessar uma depressão. Mas ela pode surgir após um período de acúmulo de situações e circunstâncias complicadas em nossas vidas.

Existe também uma falsa crença de que a ansiedade e a depressão são sinais de fraqueza e de incapacidade diante da vida. Isso está longe de ser verdade! Ninguém em sã consciência escolheria ficar deprimido, e isso não é sinal de fraqueza nem de força de vontade como creem muitas pessoas. No mundo de hoje, na correria que todos vivemos, muitas podem ser a vias que podem nos levar a cair em uma depressão. É importante conhecer quais são esses sinais e refletir se não é hora de buscar ajuda.

Observe os sintomas abaixo e fique atento

1- Diante do menor dos problemas, perde-se o controle e, diante de pequenas coisas, sente-se afetado. Isso pode ser um sinal claro de esgotamento.

2- Sente-se exausto a maior parte do tempo. Esse é um dos principais sintomas de esgotamento, que pode também desembocar numa depressão. Apesar de ter dormido uma noite toda, já acorda cansado e sem disposição, ou até mesmo se recusa a levantar e deseja passar o dia inteiro deitado. Também a falta de sono, insônia e noites mal dormidas nos deixam sem energia e disposição, e podem afetar nosso humor. O cansaço pode agravar a sensação de tristeza, e não adianta achar que podemos recuperar as horas de sono perdidas durante o fim de semana, pois o organismo não funciona dessa forma.

3- A baixa imunidade e as doenças frequentes. Azia, dores de estômago e intestino que não funcionam como deveriam, também dores de cabeça frequentes. São esses os orgãos mais facilmente afetados em quadros psicossomáticos.

4- Situações de perda, luto recente ou separações são, sem dúvida, situações causadoras de tristeza e estresse profundo. Todavia, fixar os olhos e os sentimentos no que passou e já não volta mais, ficar alimentando sentimentos negativos, perda de sentido da vida e desejos de morte são um dos maiores sinais de alerta de que alguma coisa não está bem e exige um cuidado imediato.

5- Sentimento de incapacidade, incompetência e baixa autoestima. Queda de rendimento acentuado no trabalho. Dificuldades de memória, de concentração para ler e assimilar novos conteúdos e novas tarefas ou habilidades. Vontade de chorar sem explicação frequente, sensibilidade à flor da pele.

6 – Apatia generalizada e falta de interesse ou de entusiasmo. Sair de casa ou estar com os amigos já não causa entusiasmo, e a preferência é sempre por não sair de casa, ficar sozinho ou isolar-se.

7- Sem pausas ou descanso no trabalho, passa por contínuas situações de estresse sem tirar férias há anos. Fazer a mesma coisa monótona todos os dias pode tornar mais difícil lidar com a tristeza.

8- Falta de atividade física e de movimentar o corpo. Praticar atividade física pode ser a última coisa que algumas pessoas pensam em fazer quando estão tristes, mas os exercícios podem ser ótimos aliados para nos deixar mais animados. Eles provocam a liberação de endorfina, o hormônio do bem-estar, que faz com que nos sintamos mais leves e felizes.

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Observe as reações do seu corpo

Todos esses sinais associados podem constituir elementos que, sem perceber, abrem-nos as portas para uma depressão. Da mesma forma que não iríamos ignorar a dor causada por fortes pontadas no estômago ou uma enxaqueca terrível, não deveríamos ignorar as dores emocionais que exigem de nós os mesmos cuidados e atenção que qualquer enfermidade física.

Não podemos esperar que essas feridas emocionais se curem sozinhas. Devemos trabalhar para extrair delas o significado presente em seus sintomas e procurarmos ajuda de um profissional o quanto antes.

Em alguns casos, faz-se necessário um tratamento multidisciplinar, considerando que muitos quadros depressivos podem acontecer também por fatores hereditários, genéticos ou também terem um fundo químico; além do psicólogo e de uma adequada psicoterapia, é de fundamental importância consultar também um médico psiquiatra e fazer uso de medicação controlada.

A psicoterapia só surtirá o efeito esperado se a parte química dentro do cérebro estiver equilibrada. Portanto, devemos cuidar para não cair em falsos preconceitos e resistências ao uso de medicamentos. Como qualquer outra doença, a depressão tem também um fundo químico, e somente a medicação adequada irá equilibrá-la, e só quem poderá fazer a prescrição acertada e por tempo determinado é um profissional da área de Psiquiatria.

Estando bem amparado por esses dois profissionais da área de saúde, a pessoa deverá buscar outras fontes de equilíbrio para uma recuperação mais rápida e eficaz.

Associado à psicoterapia, também é de fundamental importância a redução das situações causadoras de estresse, a prática de atividades físicas e, obviamente, a preocupação em alimentar a vida espiritual. A vida de oração e a prática da espiritualidade é de fundamental importância também para o tratamento da depressão, que, em alguns casos, pode ser crônica e durar alguns anos.

 


Judith Dipp

Formada em Psicologia, Judith foi cofundadora da Comunidade de Aliança Mãe da Ternura e voluntária num Centro de Atendimento e Aconselhamento para Mulheres ( Montgomery County Counselling and Carreer Center), em Washington, nos Estados Unidos.

Atualmente, é psicóloga da Escola Internacional Everest, do Lar Antônia e da Congregação dos Seminaristas Redentoristas, todos com sede em Curitiba (PR), cidade onde reside.

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