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A mortificação e o amor materno de Maria: uma escola de entrega total 

O mistério do sim: a entrega de Maria

Quando contemplamos o rosto de Maria, a Mãe de Jesus, somos convidados a descobrir  nela um dos mais profundos mistérios da fé cristã: o amor que se oferece, que renuncia a si mesmo e que, na dor, gera vida. Maria não foi poupada do sofrimento. Ao contrário, ela foi chamada a percorrê-lo na sua plenitude, como sinal de que o amor verdadeiro  sempre passa pela cruz. 

Créditos: Arquivo CN.

Desde o primeiro instante em que o anjo Gabriel se aproximou dela em Nazaré, Maria foi  confrontada com o peso de um ‘sim’ que transbordava os limites da compreensão  humana. “Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).  Nessa resposta simples e absoluta, encontramos o fundamento de toda a mortificação cristã: a vontade rendida a Deus, sem reservas, sem negociação. Maria não mortificou  apenas o corpo — ela mortificou a própria vontade, o projeto de vida que talvez tivesse traçado para si mesma. 

A mortificação como caminho de liberdade

A mortificação, muitas vezes mal compreendida, não é punição nem desprezo pela criação. É o ato livre e amoroso de aquietar em nós aquilo que nos afasta de Deus — o  orgulho, o apego desordenado, o medo — para que o Espírito Santo possa agir com mais liberdade na nossa vida. E foi exatamente isso o que Maria viveu, dia após dia, ao longo de toda a sua existência. 

O velho Simeão, no Templo, profetizou que uma espada trespassaria a alma dela (cf. Lc 2,35). Essa espada não foi apenas o Calvário. Ela começou na fuga para o Egito, na busca angustiada do filho de doze anos perdido em Jerusalém, nas incompreensões, nos silêncios e nas horas em que a fé precisou sustentar aquilo que os olhos não conseguiam  enxergar. Maria aprendeu, como toda mãe, que amar é, muitas vezes, soltar — e que soltar com paz é o fruto maduro da mortificação. 

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A presença silenciosa no Calvário

No Calvário, esse amor chegou ao seu ápice. “Junto à cruz de Jesus, estava Sua mãe” (Jo 19,25). Ela não fugiu. Não se afastou. Ficou de pé — stabat Mater —, unindo a sua dor à dor do Filho, oferecendo com Ele o sacrifício redentor. A sua presença silenciosa naquele momento é, ela mesma, uma catequese viva: o amor materno que se nega a  abandonar, mesmo quando tudo parece perdido.

A escola do belo amor

Somos chamados a aprender com Maria esse caminho de entrega. A mortificação que ela nos ensina não é sombria, mas luminosa — porque brota do amor e conduz ao amor. Como nos lembra São Paulo: “(…) completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, em favor do seu Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,24). Maria viveu isso de forma eminente. 

Que a contemplação do amor materno de Maria nos mova a dizer ‘sim’ com ela, a cada dia, em cada renúncia pequena ou grande, até que Cristo tome forma plena em nós (cf.  Gl 4,19). Ela é a Mãe do Belo Amor — e sua escola é aberta a todos os que desejam amar de verdade. 

Paula Ferraz
(Missionária da CN- 2º Elo; Fátima – Portugal)