No início do século XX, numa Polônia marcada pelo sofrimento e pela incerteza, Deus escolheu uma jovem humilde para ser mensageira de uma das maiores revelações espirituais dos tempos modernos. Irmã Faustina Kowalska, freira da Congregação das Irmãs da Virgem Maria da Misericórdia, recebeu de Jesus Cristo uma missão que transformaria a espiritualidade de milhões de pessoas em todo o mundo: proclamar ao mundo a imensidão da Misericórdia Divina.

Santa Faustina.
A mensageira escolhida por Deus
Helena Kowalska nasceu em 1905, numa família pobre e numerosa de camponeses polacos. Desde jovem, sentia o chamado de Deus, mas enfrentou muitos obstáculos antes de entrar para a vida religiosa. Em 1931, numa visão que mudaria a história da espiritualidade cristã, Jesus apareceu-lhe com dois raios saindo do Seu coração — um vermelho e um branco — e pediu-lhe que pintasse aquela imagem, com a inscrição: “Jesus, eu confio em Vós.”
Aquela imagem não era apenas uma devoção estética. Era uma proclamação: o coração de Cristo aberto na Cruz, de onde brotaram sangue e água (cf. Jo 19, 34), continua a derramar misericórdia sobre todos os que se aproximam com confiança.
A Palavra de Deus no coração da mensagem
A mensagem da Divina Misericórdia não surgiu do nada — ela é profundamente bíblica. O próprio Jesus, ao revelar-Se à Ir. Faustina, retomava a linguagem do Pai misericordioso que: “Quando ainda estava longe, o pai viu e, encheu-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço” (Lc 15, 20). Essa corrida do Pai é a imagem perfeita da misericórdia que a Ir. Faustina foi enviada a anunciar.
O Salmo 136 repete em cada versículo o refrão: “A sua misericórdia dura para sempre.” Não é um acaso litúrgico — é a respiração da fé. A Divina Misericórdia revelada em Cracóvia é a mesma misericórdia cantada pelos salmos, encarnada em Cristo e entregue à Igreja.
Jesus disse à Ir. Faustina: “Fala ao mundo inteiro acerca da minha grande misericórdia; que toda a humanidade reconheça a minha insondável misericórdia.” Este mandato ecoa o envio apostólico: “Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho” (Mc 16, 15). A misericórdia é o núcleo do Evangelho.
O Diário e os dons espirituais
A Ir. Faustina registou todas as suas experiências místicas no seu Diário, uma das obras espirituais mais lidas do século XX. Nele, Jesus confiou-lhe três instrumentos para o mundo:
A Imagem da Divina Misericórdia, para contemplar o amor que não cessa. A Coroa da Divina Misericórdia, rezada especialmente às três da tarde — a Hora da Misericórdia, quando Jesus expirou na Cruz. E a Festa da Divina Misericórdia, celebrada no segundo domingo da Páscoa, onde Jesus prometeu graças extraordinárias a quem se aproximasse com coração contrito.
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Da Polônia para o Mundo
São João Paulo II, ele próprio polaco e profundamente marcado pela espiritualidade da Ir. Faustina, foi o grande apóstolo desta devoção no mundo inteiro. Foi ele quem canonizou a Ir. Faustina, em 2000, e instituiu oficialmente a Festa da Divina Misericórdia para toda a Igreja. Afirmou então: “A misericórdia de Deus não tem limites.”
Hoje, o Santuário da Divina Misericórdia em Cracóvia-Łagiewniki é um dos maiores centros de peregrinação do mundo. Mas a mensagem não pertence à Polônia — pertence à humanidade inteira. Porque todo o ser humano, em algum momento da vida, precisa de ouvir que há um Pai que corre ao seu encontro, que há um coração aberto que o espera.
“Aproxima-te de mim com confiança” — é o convite que ressoa desde aquela pequena cela em Cracóvia até aos confins da terra. A misericórdia de Deus não conhece fronteiras. Ela é, como proclama o salmista, “eterna”.
Paula Ferraz
(Missionária da CN- 2º Elo; Fátima – Portugal)




