Tabu

A felicidade é um mito?

Pode-se dizer que a felicidade é um mito?

Um mito é uma coisa inacreditável, um enigma, uma utopia, uma pessoa ou coisa incompreensível. É também uma interpretação alegórica de um fato real. Algumas pessoas são consideradas mitos, porque fizeram algo extraordinário, impensável para a época, quase impossível.
Dependendo da lente com a qual enxergamos o mundo e nos posicionas nele, a felicidade pode ser um mito para nós.

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Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Se, por exemplo, digitarmos a palavra “felicidade” no Google, aparecerão mais de 34 milhões de possibilidades. Os primeiros resultados mostram frases feitas, atribuídas a pensadores, personalidades, intelectuais, artistas e pessoas desconhecidas. É essa a verdadeira felicidade da qual falamos e que nós cristãos almejamos? No dicionário, a felicidade se traduz em bem-estar, contentamento e bom êxito; é o estado de quem é feliz.

Novelas e redes sociais

Revistas, filmes, novelas e redes sociais nos apresentam pessoas sempre bonitas, bem vestidas, muito sorridentes em suas belas casas, desfrutando de longas viagens em lugares paradisíacos, com seus carros do ano, roupas de grife e cabelos da moda. São vidas que parecem tão absolutamente perfeitas, que alçam pessoas comuns ao status de “mito”, e atribui aquele estilo à felicidade. Afinal, nem todos nós teríamos condições de, um dia, usufruir essa vida cara, estereotipada e padronizada que nos é apresentada como modelo de felicidade.
Nessa ótica, talvez passemos pela vida considerando a felicidade um mito se assumirmos que precisamos de tal padrão para sermos felizes. Infelizmente, o que há de pessoas que não conseguem enxergar nem valorizar o que tem e, por isso, consideram-se infelizes, não está no gibi!

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Jesus dá uma receita

Jesus deu uma receitinha boa de felicidade, que não tem nada de mitológica, ao contrário, está completamente ao nosso alcance, ao alcance da nossa essência, e se torna mais fácil ou mais difícil de viver conforme nosso comprometimento com Seu Evangelho. Essa “receita” está na passagem conhecida como o sermão das bem-aventuranças. Não vou descrever todas aqui, apenas atentar-me a um ponto:
“Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia” (Mt5,7).
Entramos no Jubileu da Misericórdia. O Papa Francisco abriu a Porta Santa e declarou um Ano Santo, ou Jubileu da Misericórdia, o que significa a abertura de um caminho extraordinário para a salvação, um convite a voltarmos às raízes do Cristianismo, que não exclui ninguém, mas está de portas abertas para acolher a todos, sem distinção. Nisso consiste a verdadeira felicidade. A misericórdia não é um mito, ela é real, mas depende de nós para que se materialize em felicidade para nossa vida e para a vida dos demais.
A palavra “misericórdia” é a junção de dois termos latinos: miseratio (compaixão) + cordis (coração). Trazendo essa junção para nossa vida, entendemos como “ter o coração compadecido” pelos demais, com sentimentos e ações que demonstrem essa misericórdia. A compaixão pelo outro nos recorda a compaixão que o próprio Deus tem por cada um de nós.

Quem de nós é digno e merecedor

Quem de nós é digno e merecedor de tudo aquilo que Deus faz em nossa vida? Ele tem uma misericórdia infinita, que não leva em consideração nossa pequenez nem fraqueza, e só isso já deve ser motivo suficiente para sermos felizes. Por mais que não consigamos perceber a mão de Deus nas diferentes situações de nossa vida, a misericórdia nos alcança. Sejamos felizes por isso!
Eu o desafio a fazer um propósito em 2016: pare de falar que você não é feliz. Se as coisas estão ruins, reze e faça a sua parte, busque sair do seu lugar e tente fazer as coisas de maneira diferente. Passe menos tempo admirando a vida dos outros e esses estereótipos de felicidade, e mais tempo cultivando a sua vida, a sua família, os seus amigos, e construindo a sua história de felicidade. Seja misericordioso com quem está mais perto de você. Isso mesmo!

A felicidade é acessível

Então, que tal se, antes do julgamento, praticássemos a misericórdia entre nós, na nossa casa, no nosso trabalho e com a vizinhança? Que saiamos da superfície das relações, para agir com misericórdia, aproximando nosso coração do coração do outro. Que o nosso coração se dobre com a dor e a dificuldade do outro, que saibamos ser Jesus na vida das pessoas que estão perto de nós.
A felicidade não é um mito. Ela é acessível a nós e não depende de dinheiro, fama ou de seguirmos nenhum estereótipo. Ela passa entre outras bem-aventuranças, como a nossa atitude de misericórdia no mundo. Façamos as escolhas que podemos fazer e sejamos felizes com elas. Quanto àquilo que não podemos escolher, acreditemos na misericórdia de Deus e sejamos misericordiosos com quem está perto de nós.
Desejo a todos nós um 2016 de menos mitos e mais misericórdia!

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Mariella Silva de Oliveira Costa

Mineira , esposa, católica, feliz e amante de uma boa prosa. Jornalista, pesquisadora e professora universitária, é doutora em Saúde Coletiva (UnB), mestre em tocoginecologia (Unicamp), especialista em jornalismo científico (Unicamp) e graduada em comunicação social (UFV). Participa da RCC desde 1998 tendo atuado no Ministério Universidades Renovadas e no Ministério de Comunicação Social. Cofundadora do projeto Muitas Marias.com
Contato: mariellajornalista@gmail.com Twitter: @_mari_ella_

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