Fevereiro Roxo é um mês dedicado à conscientização sobre doenças que, embora diferentes, compartilham o fato de serem crônicas e incuráveis: o Alzheimer, o Lúpus e a Fibromialgia.
Essa é uma campanha muito importante, que nos leva a conhecer mais sobre essas doenças para que o diagnóstico seja precoce e o tratamento iniciado o quanto antes; afinal, o fato de não ter cura, não significa que não tem nada a ser feito. Pelo contrário, há muito a fazer para que a qualidade de vida dessas pessoas possa melhorar, bem como a de quem cuida delas.

Créditos: Arquivo CN.
Conhecer os sinais iniciais da doença é o primeiro passo para que o diagnóstico aconteça desde a fase mais inicial, afinal, quanto mais precoce o tratamento, mais qualidade e dignidade de vida oferecemos à pessoa.
Como cristãos, somos chamados a honrar nossos pais e cuidar dos nossos irmãos. No entanto, muitas vezes, o desconhecimento nos impede de oferecer o melhor cuidado.
Quando falamos sobre saúde do idoso, é comum confundirmos o envelhecimento natural com doenças. Há muitos sinais e sintomas que as pessoas idosas manifestam e “jogamos na conta da idade”, o que atrasa o diagnóstico e compromete a qualidade de vida dessa pessoa idosa e de toda a família.
A Doença de Alzheimer é um dos maiores exemplos que temos dessa realidade. Ela mostra seus sinais antes de se instalar completamente, e percebê-los precocemente é um ato de zelo e responsabilidade. Neste artigo, vamos desvendar os sinais iniciais do Alzheimer de forma direta e sistemática, para que você possa buscar ajuda médica e garantir qualidade de vida a quem você ama.
A memória recente falha (mas o passado fica)
O sinal mais clássico — e o primeiro a chamar a atenção — é a perda da memória recente. No Alzheimer, a área do cérebro chamada hipocampo (responsável por guardar novas informações) é a primeira a ser afetada. Por isso o idoso se lembra com detalhes de uma festa de 40 anos atrás (memória remota), mas não se recorda do que comeu no café da manhã. Portanto, se o seu familiar conta histórias antigas perfeitamente, mas esquece recados dados há cinco minutos, isso é um sinal de alerta.
• Dica prática: Não fique forçando a pessoa a lembrar, achando que isso vai “desenvolver” a memória dela, porque não vai. Insistir para que o idoso se lembre gera frustração, e ele se sente humilhado.
A repetição excessiva
Você já notou o idoso perguntando a mesma coisa várias vezes em um curto espaço de tempo? Ou contando a mesma história repetidamente? Isso acontece porque o que ele disse ou ouviu não foi registrado no cérebro; para ele, é sempre a primeira vez que ele está perguntando ou contando aquele caso.
• Dica Prática: Não adianta dizer “eu já te falei”. Tenha paciência e responda novamente, pois ele realmente não se lembra; por mais que pareça que ele esteja fazendo “de propósito”, acredite, não é!
Dificuldade em tarefas simples
Outro sinal importante é quando a pessoa começa a ter dificuldade em realizar tarefas que sempre dominou. Por exemplo, uma cozinheira de mão cheia que começa a simplificar o cardápio porque tem dificuldade em fazer pratos que sempre fez. Se você notar que o idoso está deixando de fazer o que fazia com facilidade, investigue. Isso pode indicar perda de funcionalidade, que é um dos sintomas do Alzheimer
• Dica Prática: Mesmo que não fique bem-feito, elogie e agradeça o esforço que a pessoa teve em executar a tarefa.
Perder objetos e guardar em lugares estranhos
Todos nós perdemos a chave ou o celular de vez em quando. Mas, no Alzheimer, a pessoa pode guardar objetos em lugares totalmente inapropriados, como o controle remoto na geladeira ou comida no guarda-roupa. Muitas vezes, por não lembrar onde guardou, o idoso pode desenvolver uma desconfiança e acusar as pessoas da casa de roubo. Entenda que isso é um sintoma da doença, não um desvio de caráter.
• Dica Prática: Não fique insistindo em dizer que foi ele quem guardou. Ele não se lembra que fez isso e não fez de propósito.
Desorientação de tempo e espaço
Se o idoso se perde em caminhos conhecidos, como o trajeto para a igreja ou padaria, ou confunde frequentemente os dias da semana e horários, é hora de buscar ajuda. A noção de tempo e espaço é afetada precocemente na demência.
• Dica Prática: Ajude a pessoa a se situar ao invés de exigir que ela se lembre.
ATENÇÃO!
Esses sintomas podem não se manifestar todos de uma vez, e o fato de apresentá-los não é uma sentença de ter Alzheimer, pois há outras condições clínicas que podem apresentar sintomas semelhantes. Mediante alguns dos sintomas citados acima, você está diante de um quadro de alerta, que deve ser investigado por um Geriatra, Neurologista ou Psicogeriatra.
Infelizmente, a maioria das pessoas acredita que esses sintomas são “da idade” e não investigam. Para saber se alguma coisa é da idade ou se já pode ser indício de enfermidade, use esta regra simples: o que é normal da idade acontece com todo mundo.
• Ficar com o cabelo branco? Normal, acontece com todos.
• Ter rugas? Normal, acontece com todos.
• Perder a capacidade de gerenciar a própria vida? Pode acontecer com muitos, mas não acontece com todos, por isso não é normal da idade.
Outro ponto muito importante é entender que, na fase inicial do Alzheimer, os sintomas se tornam mais evidentes na presença de pessoas que este idoso convive diariamente. Pessoas com as quais ele tem pouca convivência, os sintomas são “mascarados” e isso faz com que a família acredite que esse idoso esteja fazendo de propósito ou para chamar atenção. Por causa disso, algumas pessoas dizem que este cuidador familiar está exagerando e que o idoso não tem essa condição, o que torna a situação mais difícil para os cuidadores.
Tratamento
O ponto mais importante do tratamento é conhecer a doença, entender os sintomas e aprender a lidar com essa pessoa, que agora “funciona” de forma diferente. As pesquisas têm mostrado que o tratamento não farmacológico tem eficácia comparada ao tratamento farmacológico. Há uma diversidade no tratamento não farmacológico a ser aplicado:
– Estabelecer uma rotina diária;
– Exercícios físicos;
– Alimentação controlada;
– Estimulação cognitiva;
-Capacitação da família.
As medicações são necessárias para que os sintomas sejam mais controlados, porém, não impedem as manifestações das alterações de comportamento. O ideal é a junção dos cuidados não farmacológicos com a medicação, para que a doença apresente uma evolução mais lenta.
Leia também:
.:Alzheimer e o desafio de cuidar com amor
.:Saiba os sinais de alerta do Alzheimer
.:Filha deixa tudo para cuidar da mãe
A fé move, a ciência guia e a família acolhe
Estudos mostram que cerca de 90% dos diagnósticos de demência no Brasil são feitos tardiamente, quando muito do que poderia ser preservado já se perdeu.
Buscar ajuda médica é um ato de responsabilidade e amor. A ciência é um instrumento da Providência Divina que nos permite conhecer e entender a doença, oferecendo recursos para retardar o avanço dela e melhorar a qualidade de vida. Fé e razão devem caminhar juntas: o amor é um ingrediente fundamental, mas só o amor não sustenta o cuidado, é preciso buscar conhecimento para cuidar com assertividade. O conhecimento liberta e tira o peso da culpa.
Portanto, se você identificou os sinais mencionados neste texto, é hora de agir! O amor verdadeiro não apenas “sente”, ele “faz”. Ele busca o médico, adapta a casa, estuda a doença e, acima de tudo, se faz presente. No fim das contas, o que o idoso mais precisa, e merece, não é a nossa perfeição, mas a nossa presença amorosa e capacitada.
Luziane Mendes de Souza Moreira
Casada, natural de Campo Belo-MG
Missionária da Comunidade Canção Nova há 17 anos
Fisioterapeuta – Especialista em Saúde do Idoso
contato@luziane.com.br
www.luziane.com.br
Instagram: instagram.com/@luziane.cuidandodeidosos
Facebook: facebook.com/luziane.cuidandodeidosos
TikTok: tiktok.com/@luziane.cuidandodeidosos
YouTube: youtube.com/@luziane.cuidandodeidosos
Spotify: https://open.spotify.com/show/3W0OVFyC3LsPR752jr8lvN
Referências Bibliográficas
ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL. Relatório Mundial de Alzheimer 2023. Londres: ADI, 2023.
ALZHEIMER’S ASSOCIATION. 2024 Alzheimer’s Disease Facts and Figures. Alzheimer’s & Dementia, v. 20, n. 5, 2024. Disponível em: PubMed.
BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa. 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. FREITAS, Elizabete Viana de; PY, Ligia. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022.
LIVINGSTON, G. et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2020 report of the Lancet Commission. The Lancet, v. 396, n. 10248, p. 413-446, 2020. Disponível em: PubMed.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Década do Envelhecimento Saudável: Relatório de Linha de Base. Genebra: OMS, 2020.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA (SBGG). Estatuto da Pessoa Idosa: 20 anos. Rio de Janeiro: SBGG, 2023.
SUEMOTO, C. K. et al. Risk factors for dementia in Brazil: differences by region and race. Alzheimer’s & Dementia, v. 19, n. 4, p. 1-10, 2023. Disponível em: PubMed/SciELO
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global status report on the public health response to dementia. Geneva: WHO, 2021.
MENDES, Luziane. Sinais Iniciais do Alzheimer: Dicas Essenciais que você precisa ter atenção. YouTube, 2024. Disponível em: Canal Luziane Cuidando de Idosos.




