Moral Católica

Atos indiferentes e moralidade excessiva

A Igreja em meio ao debate moral

Vivemos em um mundo repleto de linhas ideológicas, e essas vivem entrando em conflitos e colocando pessoas em debates fervorosos. Uns buscando a verdade, outros buscando a glória da própria verdade. Pessoalmente, eu sou um grande fã da filosofia católica que subsiste da humildade católica. O católico, consciente de sua ignorância e de sua condição decaída pelo pecado, não deposita a confiança em si mesmo, mas nos ensinamentos da Santa Mãe Igreja.

É pela tradição e pelo sagrado dever de guardar a fé que a Igreja transmite aquilo que recebeu pela revelação divina. O católico não fabrica o seu mundo; ele o descobre através de sua Mãe. Porque, se tentasse construir um mundo a partir de si mesmo, perder-se-ia dentro dele.

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Os atos indiferentes e o excesso moral

A moralidade católica não é subjetiva, ela possui fundamentos objetivos. Porém, isso não significa que tudo na realidade deva ser enquadrado moralmente. Existem aspectos da vida que são moralmente neutros, e o fato de algo não ser “moral” não o torna automaticamente “imoral”.

O problema de certas correntes de pensamento é tentar moralizar ou desmoralizar aquilo que não cabe o selo moral. O moralismo excessivo prende o indivíduo, mas é ilusório pensar que essa atitude está apenas do lado puritano – muitos liberais cometem o mesmo erro ao impor carimbos morais onde julgam necessário.

Mesmo em temas nos quais haveria espaço legítimo para discussão, a tendência é fixar um selo moral absoluto em realidades que, originalmente, não pertencem a esse campo. Para esse tipo de mentalidade, se você não apoia publicamente todos os estilos de vida, automaticamente se torna uma pessoa má. Se não há espaço sequer para a neutralidade, muito menos para a discordância.

A virtude desconhece esse moralismo excessivo. Costumes corriqueiros, coisas que pertencem à simples ordinariedade da vida, passam a se tornar centro de debates morais, como se tudo precisasse ser classificado. Esse desejo de definir logicamente cada aspecto da realidade gera, no fim, o mesmo enrijecimento no âmbito moral, sufocando a liberdade interior que a virtude autêntica supõe.

A luz e o escrúpulo

Nada é tão libertador quanto lidar com a realidade, especialmente quando ela não é tão dura quanto parece. Isso não significa subjetivar o pecado, nem ignorar os problemas, mas dar a cada coisa o que lhe é devido.

Muitas vezes, porém, deixamos nossa vida ser guiada escrupulosamente por narrativas cujo fundamento nem sequer conhecemos. O Catecismo nos recorda: “a consciência deve ser educada e o julgamento moral esclarecido”. O inimigo odeia a paz, e o escrúpulo é uma de suas armas para roubá-la da alma.

Por isso, a consciência precisa estar alinhada com a doutrina da Verdade. A Igreja não deseja aprisionar consciências, mas formá-las. Para que, iluminadas, sejam capazes de discernir.

Matheus Eleutério – Jornalista