Cristo e a Igreja em um só corpo
O Catecismo da Igreja Católica afirma que: “A convocação da Igreja é, por assim dizer, a reação de Deus ao caos provocado pelo pecado” (n. 761). Isso quer dizer que depois que o pecado entrou na história da humanidade, Deus providenciou a Igreja como o remédio contra o pecado e a salvação da humanidade. Por isso, o Concílio Vaticano II disse que “a Igreja é o Sacramento universal da salvação” (LG, 5). Ela é indispensável!

Foto ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com
Neste sentido, os grandes Padres da Igreja diziam que “fora da Igreja não tem salvação” (Cat. n. 846). No entanto, o Catecismo diz que aqueles que não conheceram a Igreja e o Cristo, sem culpa, podem se salvar se viverem de acordo com a consciência.
Sem a Igreja, a missão de Cristo ficaria sem corpo na história. Sem a missão, a Igreja deixaria de ser fiel ao seu Senhor. A Igreja existe porque Cristo continua a agir nela e por meio dela. Ela é Cristo prolongado no tempo. Santo Agostinho insistia que: “Cristo e a Igreja são o Cristo total (Christus totus).”
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A missão da Igreja é tornar Cristo presente, audível e tocável em cada época. Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, a Igreja é enviada por Cristo, não com outra missão, mas com a mesma missão, agora sacramentalmente estendida. Quem ouve a Igreja ouve Cristo: “Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita” (Lc 10,16).
A missão de Igreja é instaurar o Reino de Cristo na terra. Jesus confiou o Reino à Igreja: “Não temas pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-vos o Reino”. Por isso o Concílio Vaticano II disse que a Igreja é o “germe do Reino de Deus”. Sem a Igreja não há Reino de Deus.
A sua missão nasce do próprio coração de Cristo e prolonga-se na história como participação real na sua obra de salvação do mundo. A missão da Igreja tem sua origem direta no mandato do Senhor ressuscitado: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações…” (Mt 28,19).
A Missão de salvar a humanidade
Cristo não fundou a Igreja como uma associação religiosa entre outras, mas como Sacramento universal de salvação, Seu Corpo Místico, Sua Esposa (cf. Ef5,25).
Santo Irineu (†200), mártir, dizia: “Onde está a Igreja, aí está o Espírito de Deus; e onde está o Espírito de Deus, aí está a Igreja e toda graça.”
Tudo o que a Igreja faz: pregar o Evangelho, santificar pelos Sacramentos, educar na fé e na moral, guardar a sã doutrina da fé, etc., é prolongamento da missão do próprio Cristo, o Enviado do Pai. “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio, a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados serão perdoados” (Jo 20,21-22). Este é o caminho da salvação: o Pai enviou o Filho, o Filho enviou a Igreja.
A primeira missão da Igreja é anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado, único Salvador da humanidade. Não há salvação sem Jesus Cristo (cf At 4,12). Os Padres da Igreja são unânimes a afirmar que sem o anúncio explícito de Cristo, a Igreja trai a si mesma.
São Paulo: “Ai de mim se eu não evangelizar!” (1Cor 9,16). Evangelizar não é impor, mas propor a Verdade que salva, iluminando a razão e tocando o coração.
A Igreja comunica a vida divina por meio dos sacramentos, sobretudo a Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã; o Batismo, porta da salvação; a Reconciliação, remédio para os feridos pelo pecado. A missão é transformar o homem por dentro, tornando-o participante da vida de Deus.
Santo Agostinho escreveu: “A Igreja recebeu as chaves do Reino dos Céus para que se opere nela a remissão dos pecados pelo sangue de Cristo e pela ação do Espírito Santo. É nesta Igreja que a alma revive, ela que estava morta pelos pecados”.
O cuidado com a fé
A autoridade na Igreja não é domínio, mas serviço. “Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos” (Mc 9,35). A hierarquia que Jesus deixou na Igreja (Papa, bispos, presbíteros) a governam para: proteger a fé, manter a unidade, conduzir o povo de Deus à santidade. O Papa e os bispos exercem essa missão como pastores, não como chefes políticos.
Santo Inácio de Antioquia (†107), mártir, dizia: “Onde está o bispo, ali esteja a comunidade; assim como onde está Cristo Jesus, aí está a Igreja Católica” (Carta aos Esmirniotas, 8).
A Igreja quer salvar o homem inteiro; sua missão não se limita à alma isolada, mas alcança a cultura, a sociedade, a dignidade humana, os pobres e sofredores. São João Paulo II dizia: “O homem é a via da Igreja”. Por isso, caridade, justiça e defesa da vida não são “atividades paralelas”, mas expressões concretas da missão evangelizadora.
A missão da Igreja vai até o Fim dos Tempos; só terminará quando Cristo voltar em glória. “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28,20). Enquanto houver um homem que não conheça Cristo, a missão continua.
Evangelizar não é inventar, mas ensinar conforme foi recebido dos Apóstolos. Ninguém pode pregar o que quer, mas o que a Igreja ensina pelo seu Sagrado Magistério. A sucessão apostólica é, para os Padres, garantia da autenticidade da missão. São Cipriano de Cartago (†258), mártir, dizia: “Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por Mãe” (De unitate Ecclesiae, 6). A missão da Igreja não é apenas pregar, mas gerar vida sobrenatural.
Ela é Mãe que gera no Batismo, Esposa que ama fielmente, Arca que salva no dilúvio do pecado. Para os Padres da Igreja, não há salvação abstrata; ela passa pela Igreja.
A missão da Igreja implica também no Sofrimento e no martírio para testemunhar a fé e Jesus Cristo. Tertuliano (†220) escreveu ao imperador romano Marco Aurélio (161-180), que não adiantava ele matar os cristãos, porque “O sangue dos mártires é semente de cristãos”.
A presença viva de Jesus entre nós
A missão da Igreja não se cumpre apenas pelo discurso, mais também pelo testemunho até o fim. O mártir é o missionário perfeito: ele anuncia Cristo com a própria vida. “completo na minha carne o que falta à Paixão de Cristo pelo seu Corpo que é a Igreja” (Col 1,24).
Alguns perguntam: por que a Igreja? Não basta a fé em Jesus Cristo? A resposta é que foi o próprio Jesus quem quis a Igreja como prolongamento de sua Presença salvadora no meio dos homens. Ele nos deu a Igreja e o seu Credo, como garantia de que não estamos seguindo apenas o nosso bom senso, ou uma religiosidade amorfa, mas estamos seguindo o caminho de Deus. Ela prolonga a Encarnação do Verbo na história.
Em um Cristianismo sem a Igreja instituída por Cristo sobre Pedro e os Apóstolos, o próprio Cristo ficaria mutilado, como que “degolado”.
A Igreja é o povo de Deus, e a missão desse Povo é ser “o sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5,13-16). Ele é para toda a humanidade a grande esperança de unidade e de salvação. “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos Céus” (Mt 5,16). A Carta a Diogneto, do ano 100, diz: “O que a alma é para o corpo, os cristãos são para o mundo”.
Professor Felipe Aquino






