Confiar mesmo sendo traído?

A confiança é um fruto que nasce de uma experiência de amor do encontro de duas pessoas. Para confiar é preciso se encontrar com o outro. Quando falo desta atitude, lembro-me das experiências dos encontros de Jesus com tantas pessoas: Maria Madalena, Zaqueu, Bartimeu, Pedro. É o encontro que nasce do amor e da gratuidade capaz de ver o outro naquilo que o torna único. Um encontro de amor evocando que o melhor do outro venha à tona. Sim é verdade, o amor é a única força capaz de perceber e intuir o que o outro tem de melhor, aquilo que, tantas vezes, está escondido e que só quem ama é capaz de perceber.

A confiança nasce dessa relação de encontro de amor, que nasce na oficina da vida. Jesus foi encontrando-se com as pessoas ao longo do caminho. É na caminhada da nossa existência que também vamos nos encontrando com as pessoas. No entanto, faz-se necessário uma abertura interior e disposição para acolher todos aqueles que a Divina Providênciavai colocando ao nosso lado: na família, na escola, no grupo, na comunidade, no trabalho, enfim, em todas as situações que vivenciamos.

Para confiar é necessário tempo. Em nossa comunidade, Padre Jonas usa algumas palavras fortes para esta situação: “É necessário sangue, suor e lágrimas”. Não se confia em alguém de forma mágica, é preciso conhecer o outro e dar-se a conhecer. Para que isso ocorra, é preciso partilha, transparência, aceitação das diferenças, acolhimento, paciência e amor. Confiar é uma conquista! Conquista que exige abertura de seu coração. Confiar implica em amar na gratuidade. Ricardo Sá, membro da comunidade, diz que quando o amor é amadurecido aceita a todos. Confiar passa pelo processo de aceitação daquilo que o outro é, mesmo com os seus limites e defeitos.

Talvez você se faça esta pergunta: “Como confiar quando nós somos traídos?” Sinto que a confiança está muito ligada ao perdão. É preciso coragem para pedir e conceder perdão. Jesus nos ensinou isso, no alto da cruz, quando pediu ao Pai que perdoasse àqueles que O estavam crucificando. Ele disse: “Eles não sabem o que fazem”. Precisamos ter este olhar misericordioso do Senhor, que aceita, acolhe e é capaz de ir além da situação, enxergando o outro por inteiro. É capaz de recomeçar sempre. Confiar no outro exige de nós uma atitude crescente de recomeçar sempre, mesmo quando tenhamos sido traídos.

Não é tarefa fácil, é trabalho e luta interior, exige lucidez diante dos fatos e autodomínio nos sentimentos. É preciso uma séria caminhada de conversão. Tenho feito esta experiência. Não é fácil, mas ao conseguir atingi-la, experimenta-se a liberdade interior. O amor verdadeiramente nos faz livres. Só o amor. Confiar é amar!

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