Amigo a gente guarda...

Imagine aquele amigo que, durante anos, conviveu com você, dividindo sonhos, brincadeiras, sorrisos, lutas e conquistas… Enfim, esta pessoa que deu mais cor e brilho à sua vida, “porque esta é uma das faces da amizade”, mas que, por motivos superiores, precisou partir. O tempo foi passando, alimentado por boas lembranças e algumas vagas notícias ou comentários distantes. Falta de iniciativas, descuido pelo afeto, respeito ao processo que cada um precisou viver? Talvez um pouco de tudo isso, mas o certo é que a amizade verdadeira é como a boa semente que, guardada na terra, espera o tempo de germinar. Quando a chuva cai, quando chega o Outono, ela rompe o silêncio do solo e revela a força que jamais deixou de ter.

Hoje, vivo um pouco de tudo isso ao reencontrar um grande amigo, além de irmão de comunidade: padre Fernando Santa Maria. Nós nos conhecemos há vários anos e sempre nos demos bem, apesar de nossas inúmeras diferenças. Aliás, concordo quando dizem que as diferenças pessoais num relacionamento não são barreiras e sim riquezas, desde que haja respeito e caridade de ambas as partes. Trabalhando e convivendo com ele, experimentamos bem isso. Mas as próprias exigências da missão nos conduziram por outros caminhos que, diga-se de passagem, bem distantes.

Hoje ao encontrá-lo de novo, constato, com alegria, que mesmo tendo se tornado sacerdote, e com isso tenha tantas novas responsabilidades, seu coração é o mesmo e me encontro nele sem esforço nem embaraço.

Quanto a mim, sua amizade sempre teve lugar seguro em minh’alma. Alegramo-nos muito recordando nossas aventuras, brincadeiras e nosso jeito simples, talvez até ingênuo de aprofundar a fé. A oração da manhã é uma das boas lembranças da qual gostamos de nos recordar. Antes de começar o trabalho, nos reuníamos diante da imagem de Nossa Senhora e ali rezávamos empolgados… Um dos dois precisava tomar a iniciativa corajosa de interromper a prece, visto que as atividades estavam à nossa espera. E todos os dias a cena era a mesma. Hoje, padre Fernando brinca, recordando que nosso “grupo” começou, perseverou e terminou com os mesmos membros, ou seja, nós dois. E creio que a base de nossa amizade está na oração.

Há uma jaculatória do “Terço da família” que diz: “Família que reza unida, permanece unida”. Com este testemunho, posso afirmar também que: “Amigos que rezam unidos, permanecem unidos”. A Palavra de Deus diz em Eclesiástico 6, 14 que: “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, encontrou um tesouro”. Sou muito grata por cada tesouro que Deus, em sua infinita bondade, me permitiu encontrar.

Pense, com carinho, nas sementes de amizade que, com certeza, estão guardadas no solo fértil de seu coração, e deixe a “chuva” das boas recordações regá-las enquanto você espera o tempo de vê-las germinar.

Gosto quando a Ziza Fernandes canta: “Amigo a gente guarda mesmo que haja falha, quando Deus constrói um laço, o amor jamais se acaba (…)”

A amizade verdadeira nunca morre, e se vier a morrer é porque talvez nunca tenha sido verdadeira, ou faltou “terra boa” para guardá-la durante o “sol ardente” do “verão” inevitável da vida.

Hoje, passeando nas lembranças de amizades que marcam sua história, quem sabe seja oportuno manifestar, de alguma forma, para seus amigos o quanto eles são preciosos em sua vida.

Que Jesus, o Mestre da Amizade em todos os tempos, nos ensine a arte de cultivar este dom tão precioso. E lembre-se sempre: “Amigo a gente guarda…”


Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às terças-feiras, está à frente do programa “De mãos unidas”, que apresenta às 21h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000. Recentemente, a missionária lançou o livro “Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar” pela Editora Canção Nova.

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