Santíssima Trindade

A Trindade e a Cruz

Terminado o Tempo Pascal, a Igreja nos leva a viver algumas Solenidades de grande importância: a Santíssima Trindade, coração de nossa fé, depois o Corpo e Sangue de Cristo, Corpus Christi, centro de toda a vida cristã, e em seguida o Sagrado Coração de Jesus, já que o Verbo de Deus se fez carne verdadeiramente e Deus quis sentir e viver toda a realidade humana, menos o pecado. Trata-se de um desdobramento da fé que nós cristãos professamos.

Ao celebrar a festa da Santíssima Trindade, queremos voltar nossos olhos e o nosso coração para o sinal da Cruz. Um homem muito simples disse que sabia as palavras, mas não conseguia “espalhar” sobre si mesmo os gestos! Podemos aprender de novo! Uma cruz na testa, outra na boca e outra no coração, para depois traçar sobre si o grande sinal da Cruz! E nós, quantas vezes repetimos “Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”!

A Trindade a cruz

Foto Ilustrativa: Arquivo CN

A Trindade e a Cruz Redentora

Traçamos a Cruz sobre a nossa cabeça e pedimos a purificação de nossos pensamentos. Sobre a nossa boca, pedindo que de nossos lábios saiam palavras que louvem a Deus e edifiquem o próximo. E sobre o nosso coração, para que em nós só reine o amor e a lei de Deus. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, unindo as duas realidades, a Trindade e Cruz Redentora. Temos à disposição um resumo de verdades fundamentais de nossa fé, podendo recorrer a este sinal inúmeras vezes durante o dia.

Com o sinal da Cruz traçado sobre nós, dizendo “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, desejamos começar o nosso dia. É o compromisso de viver em nome da Trindade, o que significa viver no amor e não no egoísmo. Não dá para fazer tal oração e escolher o individualismo ou o ódio. Quando queremos viver em nome da Trindade, Pai e Filho e Espírito Santo, somos como que embaixadores da vida que vem de Deus.

“O Senhor, o Senhor, Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel, que conserva a misericórdia por mil gerações e perdoa culpas, rebeldias e pecados” (Ex 34,6-7). O Pai do Céu é a fonte de todo amor. “Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho Unigênito, para que não morra o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16-18). “Lá de longe o Senhor lhe apareceu: “Com amor eterno eu te amei; por isso, guardo por ti tanta ternura!” (Jr 31,3). Bebemos dessa fonte inesgotável, sabendo que somos filhos e não escravos, amados com amor eterno!

Vivemos em nome do Pai!

Vivemos em nome do Filho, Jesus Cristo, Verbo eterno de Deus, que se fez homem, assumiu a nossa carne, por amor foi até o fundo do poço de toda a miséria humana, revestindo-se de todas as chagas da humanidade, tomando sobre si as nossas dores, para ressuscitar glorioso, abrindo-nos o caminho da eternidade. Ser cristão significa acolher este amor eterno e aprender a amar como Jesus amou, assumindo como vida própria o seu Evangelho, para que a sua Cruz, com uma haste vertical que aponta para o alto, raiz na terra, a mente voltada para o Céu, e haste horizontal, abrindo os braços para trazer no coração a humanidade e amar a todos. Vivemos em nome do Filho!

O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Cf. Rm 5,5). Deixar-nos conduzir pelo Espírito Santo é nossa vocação, para que, com os dons que ele derrama sobre nós, possamos sair de nós mesmos e viver para Deus e pelo bem do próximo. Seu dom maior é a caridade (Cf. 1 Cor 13,1-13), que nunca passará, pois vai conosco para a eternidade! Vivemos em nome do Espírito Santo!

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A Cruz sobre nós mesmos, ao começar o dia. A Cruz que tantas pessoas traçam sobre si ao sair de casa para o trabalho ou quando iniciam sua dura labuta. A Cruz às refeições, no agradecimento e na bênção. A Cruz ao iniciar qualquer oração. A Cruz ao terminar o dia, fechando com amor a Deus mais uma maravilhosa aventura, repetindo que Deus nos fez ver a salvação, que para nós foi preparada (Cf. Lc 2,28-32). A Cruz, e em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

A importância da cruz

Na Liturgia da Igreja, a Cruz com a qual iniciamos as celebrações, a Cruz nas bênçãos sobre as pessoas e sobre o pão e o vinho que serão consagrados, a Cruz no envio da Comunidade, ao encerrar-se cada rito da Igreja. A Cruz com a Imagem do Crucificado, pontificando em casas e salas, por toda parte. O sinal da Cruz ao iniciar aulas e outras atividades, onde quer que os cristãos se encontrem. A Cruz na bênção das casas. A Cruz sobre o peito de quem está para encerrar a jornada na terra, a Cruz nos cemitérios, para marcar o lugar em que foi plantado um corpo que se tornou templo do Espírito Santo, à espera de novos céus e novas terras. A Cruz colocada ao longo das estradas, os Cruzeiros edificados, muitos deles com os símbolos da Paixão de Cristo, por toda parte do mundo. A Cruz, e em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Mas a Solenidade da Trindade, que estamos para celebrar, põe em nossos lábios a palavra de louvor, e o louvor é nossa força: “Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém.” No mistério da Trindade e na Cruz gloriosa se encontra a nossa vida e nossa alegria. Aí está a nossa felicidade. Por isso, podemos tomar posse de um dos hinos da Igreja na Solenidade da Santíssima Trindade, a Trindade feliz!

“Ó Trindade, num sólio supremo que brilhais, num intenso fulgor. Glória a vós, que o profundo dos seres possuís e habitais pelo amor. Ó Deus Pai, Criador do Universo, sois a força que a todos dá vida; aos que dela fizestes consortes, dai a fé, que sustenta na lida. Esplendor e espelho da luz sois, ó Filho, que irmãos nos chamais; dai-nos ser ramos verdes e vivos da fecunda videira do Pai. Piedade e amor, fogo ardente, branda luz, poderoso clarão renovai nossa mente, ó Espírito, e aquecei o fiel coração. Ó Trindade feliz, doce hóspede, atendei nossa humilde oração: atraí-nos a vós, saciai-nos com a glória da vossa visão” (Hino de Laudes, na Liturgia das Horas).

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Dom Alberto Taveira Corrêa

Dom Alberto Taveira foi Reitor do Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte. Na Arquidiocese de Belo Horizonte foi ainda vigário Episcopal para a Pastoral e Professor de Liturgia na PUC-MG. Em Brasília, assumiu a coordenação do Vicariato Sul da Arquidiocese, além das diversas atividades de Bispo Auxiliar, entre outras. No dia 30 de dezembro de 2009, foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA.