Superar a desilusão

O medo do matrimônio fez o namoro chegar ao fim

O medo do matrimônio e suas diversas consequências

Uma jovem educada em profundos valores de fé, ficou desiludida com o namorado, depois de quatro anos de namoro, porque ele tinha medo do matrimônio.

“Senhor padre, sou uma jovem de 25 anos, professora da escola elementar. Cresci numa família católica praticante, que me transmitiu profundos valores de fé. Depois de namorar durante quatro anos com um rapaz que eu julgava feito para mim, tudo se desmoronou quando, tendo nós de tomar uma decisão para a vida, ele me respondeu que tinha medo do matrimônio e que era melhor continuarmos assim, ou seja, viver o dia a dia, apenas conviver.

Devo dizer que tínhamos feito juntos um certo caminho, baseado na fé, na confiança, na paciência e no diálogo. Tive a coragem, graças aos meus pais e ao meu diretor espiritual, de acabar com essa relação sem bases para ter êxito.

Tive alguma dificuldade em voltar a frequentar antigos e novos amigos, e as surpresas à minha volta foram verdadeiramente tristes e amargas. A maior parte dos jovens de hoje pensa que só devem procurar o que dá prazer, e o que gostam de fazer no momento atual. Procuram eliminar tudo o que representa sacrifício e fadiga. A mim, ensinaram que todas as escolhas comportam sacrifícios, mesmo o matrimônio. Se nem sequer existe a capacidade de suportar alguns sacrifícios pelo bem do outro, onde é que vamos parar?” Teresa

Superar o medo do matrimônio

Mais uma vez, vê-se que nem sempre o caminho é fácil e agradável, mas você, Teresa, merece ser feliz! Embora casar seja um desejo seu, desde criança, temos de concordar que não estar casada com esse rapaz, com quem namorou quatro anos, e que até parecia ter sido feito para si, porque ele, seriamente, revelou a sua estatura (o seu medo do matrimônio e a sua opção pelo convívio), não é, por si só, nenhuma desgraça. Muito pelo contrário. O desfecho foi o melhor para os dois! A verdade revelou-se a tempo, denunciando a mentira que é sempre, mais cedo ou mais tarde, origem de muito e profundo sofrimento. O bem venceu quando a verdade acabou com a mentira!

Para poder ser feliz, suportando as dificuldades e ultrapassando os obstáculos, o matrimônio tem de assentar e orientar-se em amor sério e assumido, e não apenas no simples gosto ou gozo que uma relação pode proporcionar.

O amor não fica nas aparências e seguranças, mas arrisca em águas profundas e distantes, buscando “novas paragens” que dão “novos mundos ao mundo. É um caminho de elevado risco para o qual nem todos possuem, ou são capazes de arranjar a capacidade necessária. É para ponderar isso que serve o tempo de namoro, pois dele resultará partida, adiamento ou anulação da “viagem” ponderada.

Visto por esse ângulo, deve dar graças a Deus por vocês não terem partido com um enorme erro de cálculo, tantas vezes fatal, onde tantos ingênuos, porque não ponderam as suas reais motivações e capacidades, caem e tanto se magoam. A sua dor, embora justificada, não se compara a essa outra.

Aquilo que detectou as dificuldades, os seus valores despertados e adquiridos na educação que, felizmente, recebeu, foi a sua salvação. Efetivamente, o matrimônio é um caminho que exige boa capacidade de sacrifícios, que só se suportam com uma suficiente dose de felicidade que brota do amor verdadeiro e sério.

Avaliar não é julgar

Querida Teresa, não é bom caminho querer julgar o mundo e a si mesmo. Pior será se se “armar em vítima”, colocando-se do lado de fora. No seu caso, nem se pode queixar muito, pois queria um rapaz “sério” e foi o que teve. Se, como afirma, a maioria dos jovens de hoje não aceita sacrifícios, recorde como são as minorias que conduzem a história, e é também entre os jovens que existe maior apetência para tal atitude, que será tanto heroica como invulgar.

Você não é, longe disso, um caso único e raro de seriedade aliada à capacidade de sacrifício. Olhe de novo, limpe as lágrimas dos olhos e, certamente, encontrará mais “pérolas” entre as muitas pedras e areias. Caminhe sempre com coragem e esperança, porque “nem tudo o que vem à rede é peixe!. Os seus 25 anos não a incapacitam, e podem até dar maior maturidade e fortaleza para entender e suportar as esperas do amor. Se foi sempre seu desejo constituir família e ter filhos, nada do que foi vivido diz que estava enganada. Reconhecer em si uma boa capacidade pessoal para uma tal opção de vida é um bom princípio. Acredite, Deus coloca, com bastante frequência no mundo, rapazes com idêntica aptidão.

O medo do matrimônio traz lição de vida

Com essa lição que a vida lhe deu, e com a qual se está a apurar, o mundo em si e por si, e ao contrário do que afirma, sabe cada vez melhor o que significa amar. Acredite no amor, que isso lhe dará força e esperança, numa sabedoria que a levará muito mais longe, sem ficar sentada, desanimada, à beira do caminho. Combata a tristeza que apareceu, porque ela, por si só, afasta ou dificulta possíveis encontros felizes. Sem medo, porque Deus ainda não desistiu!

Redação
Padre José Luís Borga

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