Reflexão

Teologia do corpo

Há uma frase conhecida de um escritor norte-americano que diz: “Os dois dias mais importantes da sua vida são: o dia em que você nasceu e o dia em que você descobre o porquê”. O autor da frase é Mark Twain. Ele não é teólogo, mas como sua frase pode nos ajudar a pensar sobre a Teologia do Corpo de São João Paulo II?

Quando nascemos, originalmente, na pessoa de Adão e Eva, Deus viu que nós éramos “muito bons”, diferentemente das outras criaturas, como os peixes e as aves, por exemplo, os quais eram “bons”. Por que somos tão especiais assim? O que há em nós para que Deus veja algo de “muito bom”? O que significa o fato de Deus ter nos criados a Sua imagem e semelhança?

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Foto Ilustrativa: LaylaBird by Getty Images

Simplesmente, a nossa criação, enquanto homens e mulheres, revela quem é Deus. Mas quem é Deus? Deus é amor. É uma explosão de amor entre o Pai e o Filho, que gera vida, que é próprio Espírito Santo. E sim, nós fomos feitos à imagem da Santíssima Trindade.

O homem a mulher são a imagem e semelhança de Deus

Quando homem e mulher se unem em uma só carne, eles são capazes de gerar a vida. O matrimônio é um sinal da Santíssima Trindade. Deus nos fez homens e mulheres para que nos lembremos da nossa primeira vocação, que é o amor. E essa vocação está sinalizada em nossos corpos, os quais declaram que fomos feitos para uma relação de amor. O corpo do homem e da mulher são uma imagem do Amor.

Olhe para você e pergunte-se: tenho me sentido sozinho? Se não entendeu o significado dessa pergunta, convido você a pensar: em que medida a nossa sexualidade, os nossos desejos sexuais não são sinais de que somos convocados a uma união, a uma relação? Deus estampou em nossos corpos este convite, para que, assim como Ele, expressemos o amor em forma de doação recíproca, total, fecunda e livre, assim como acontece entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Afinal, essa doação não é o que Jesus quis dizer com “Este é o meu corpo entregue por vós”?

Para nós homens, Jesus é o nosso maior modelo de masculinidade. É o nosso modelo de homem, de filho e esposo. É aquele que doou seu corpo a nosso favor, para nos salvar. Somos chamados a amar como ele amou, a amar como Cristo amou a Igreja.

A mulher é chamada a se deixar ser amada pelo homem, assim como a Igreja é amada pelo Cristo. Ela deve se inspirar nas santas palavras ditas por Maria ao anjo: “Faça-se em mim segundo a Tua palavra”. Essa submissão só faz sentido quando temos, do outro lado, o Cristo, o Homem, que dá a vida pela Igreja, que é a mulher.

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Para nossa surpresa, Deus, a todo momento, fala de casamento desde Adão e Eva, no livro de Gênesis, até Apocalipse, onde fala do casamento entre Cristo e a Sua Igreja. Não por acaso, mas porque, de fato, o plano de Deus é se casar conosco. Nós somos a Igreja, a esposa; e Cristo é o nosso esposo. O matrimônio é também uma imagem da união entre Cristo e a Igreja.

Teologia do corpo

A teologia do corpo de São João Paulo II não são apenas catequeses que se destinam a casais católicos que buscam viver o plano de Deus para a vida delas. É muito mais do que isso… é também um caminho onde o ser humano pode reencontrar sua verdadeira identidade e vocação. É por isso que o escritor americano, sabiamente, escreve sobre o segundo dia mais importante da nossa vida, que é, justamente, o dia em que descobrimos o porquê de existirmos.

De fato, o pensamento do Santo Padre é capaz de responder com simplicidade, mas, ao mesmo tempo, profundidade, questões fundamentais acerca da nossa existência: Por que eu existo? Como devo viver minha vida de forma a obter a verdadeira felicidade? O que significa ser humano? Como é o meu destino final e como o alcanço? De forma majestosa, São João Paulo II entende que todas essas perguntas estão relacionadas com a forma como vivemos nossa sexualidade.

É muito atraente e, especialmente, estratégico para os nossos tempos atuais, abordar a nossa fé de um modo que encontremos, nas coisas mais humanas, um significado divino. São João Paulo II conseguiu nos ajudar a compreender que o nosso corpo, por exemplo, não é uma barreira para termos uma autêntica espiritualidade. Afinal, o ser humano é uma pessoa na unidade de seu corpo e alma, um espírito corporificado. Da mesma forma, nossos desejos sexuais não são ruins e, por isso, devem ser reprimidos. Pelo contrário, são bons e devem ser aperfeiçoados e canalizados para o fim correto. Deus colocou em nossos corpos, em nossa sexualidade, uma marca do Seu amor, para que entendêssemos Sua vontade para nós.

Dessa forma, quando tomamos consciência da nossa criação como algo “muito bom” e “porquê” existimos, sem dúvidas, a vida adquire um novo sentido. Por que nem sempre temos essa consciência, e, portanto, um sentido para nossa vida? Por que, muitas vezes, nós vemos diversas manifestações de rebaixamento do valor do ser humano? Por que não conseguimos enxergar marcas do eterno em nossa vida e vivemos distantes do plano original de Deus para conosco? São perguntas que serão esclarecidas em um próximo artigo. Precisamos compreender o que faz distorcer nossa vocação ao amor, entendendo, sobretudo, a influência do pecado original e suas consequências no modo como vivemos nossa sexualidade, já que ela está intimamente relacionada a nossa existência.

Ezequiel Francisco Carvalho Viana, de Fortaleza (CE)

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