Você é bom!

Sempre falo isso para um dos meus irmãos e me divirto com as reações deles, quase sempre atrapalhadas, tentando se explicar que não é bom, agiu desta forma por tal motivo… e finalmente parecem sentir-se aliviados quando encerram o assunto dizendo que só Deus é bom!

Observo que quase ninguém acolhe esta afirmativa com naturalidade, inclusive eu. Em geral, ficamos meio sem jeito e rapidamente encontramos um meio de, com palavras ou gestos, desviarmos a atenção para outro ponto. Mas por que será que agimos assim?

Talvez seja por medo de nos vermos dominados pelo orgulho ou ainda por causa de feridas causadas por palavras duras, ou verdades ditas de forma errada. Lembro-me de uma situação que vivi: desde criança recebi muitos elogios, e sempre os acolhia com naturalidade, eram até uma forma de incentivo no meu empenho para ser íntegra e não decepcionar aqueles que me amavam e acreditavam em mim, a partir de meus pais.

Até que um dia ouvi de alguém muito querido, que eu não era boa, que as pessoas me admiravam, só porque não me conheciam o bastante, mas que, na verdade, eu era muito ruim! Claro que foi terrível ouvir isso, mas o pior é que eu acreditei, pois vinha de alguém que eu “amava”. Quando as palavras vêm de alguém que amamos, têm muito mais peso em nossa vida. Aos poucos, fui me convencendo de que eu não era boa. Até que um dia, um dos meus irmãos me fez perceber que estava tudo errado… daí eu comecei um processo de cura interior que continua, mas já consigo acolher que sou boa, não por mérito meu, mas porque Aquele que me fez à Sua Imagem e Semelhança é bom e habita em meu ser.

Outra barreira que nos impede de acolher a afirmativa “você é bom”, é que pagamos um preço alto pelo exercício da bondade! Torna-se alvo de observação, e às vezes, de crítica. Hoje, os valores parecem trocados e quase todos seguem sem saber para onde ir. Dá a impressão de que a moda manda, pois o importante é estar “fashion”, agindo como a maioria age, independente se está certo ou errado. Claro que ter uma postura diferente chama a atenção, incomoda. Porém não podemos temer o “ser diferente”! Somos escolhidos de Deus, não por merecimento nosso, mas graças a Sua misericórdia e isso já nos faz muito diferentes.

É certo que na essência, todo homem é bom, pois foi feito à imagem e semelhança do Sumo Bem. Assumir isso, não deve ser um peso, é questão de retomar a essência, é assumir a missão do verdadeiro cristão. Se levarmos isso a sério, chegaremos ao ponto que chegou o filosofo Raimundo Lullus, quando, certa vez, lhe perguntaram a quem pertencia, de onde vinha e para onde ia e, ele respondeu: “Pertenço ao Amor; saí do Amor e foi o Amor quem me conduziu até aqui. Sou movido pelo Amor!” Que possamos, hoje, trocar as palavras de Raimundo pelas nossas, e afirmarmos: “Pertenço ao Sumo Bem, saí do seio da bondade, foi ela que me conduziu até aqui. Sou movido pela bondade!”

Que o Senhor nos dê Sua graça. É somente Nele que espero!


Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às sextas-feiras, está à frente do programa “Florescer”, que apresenta às 18h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000 do portal cancaonova.com. Também é autora do livro “Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar” pela Editora Canção Nova.

 

 

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