Unidade em meio às contradições

Por que é tão difícil ao homem contemporâneo acreditar e lutar por uma unidade assim, tão verdadeira? Será que entre os primeiros cristãos não se levantavam oposições contra a unidade? Com toda certeza, a Caridade era vivida por eles também em meio às contradições e às tentações, mas nada os impedia de tudo fazer para “serem um”, porque estavam fundados unicamente no fato de que Ele, o Cristo, por todos se entregara.

Nos dias de hoje, uma grande tentação contra a unidade parece ser a predominância do pensamento econômico nas relações humanas. Nos sistemas econômicos, as relações funcionam sempre na base da compra e venda. E o dinheiro é o instrumento desta troca. Segundo o pensamento econômico, faz-se necessário maximizar os lucros e diminuir cada vez mais os encargos. Mas, quando aplicado às relações fraternas, tal pensamento vai frontalmente contra a “economia divina”.

Na “economia divina” a salvação é gratuita, e a “troca” realizada por Jesus consiste em tomar sobre si o nosso pecado, para nos devolver a Salvação. Cristo trocou o nosso ódio pelo seu Amor, a nossa morte pela sua Vida em nós. Assim Ele nos resgatou. Uma “economia” assim nos inquieta, e nos constrange. É que Cristo não veio salvar “as coisas”; veio salvar pessoas humanas, criadas para viver eternamente com Ele. E pessoas estão, para Ele, infinitamente acima das coisas.

Mais uma vez recordamos as palavras de São Paulo: “A Caridade de Cristo me constrange…”. Só os corações constrangidos pelo amor de Cristo não põem condições para doar-se sem interesse nem cálculo algum, compartilhando tudo. Se Deus se entregou livremente, gratuitamente, inteiramente e indiscriminadamente por todos nós, como podemos nos relacionar de outra forma? E se na ordem da criação, primeiro vem o homem e depois as coisas, que a ele estão submissas, nas relações fraternas a “economia divina” deve prevalecer sobre todas as formas de “economia” baseadas no lucro.

Diferente da economia fundada pelos homens, na economia divina nossa “troca” não é com os homens nem nossa recompensa é o dinheiro, mas nossa troca é com Deus e a recompensa é primeiramente a vida eterna. E o resto será dado por acréscimo, porque em última instância é Dele que nos vem tudo: vida, saúde, bens e autênticas alegrias. Só Ele nos deu e tem tudo para nos dar.
Ninguém pode merecer ou pagar nosso amor ou nossos benefícios, mas Deus pode e sabe “pagar” como ninguém. Ninguém como Ele sabe nos “pagar” à altura, com “medida cheia, calcada, transbordante”. Por ter experimentado isto é que São Paulo confirma-nos o que diz o Evangelho: “Dai e dar-se-vos-á, com medida cheia, calcada, transbordante”.

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