Um elogio à arte

A arte, enquanto manifestação do belo, é expressão do amor que cria e investe de sentido todas as coisas. Ela reveste de sacralidade o cotidiano, sem exigir-lhe nenhum reconhecimento e retribuição.
Fazer arte é criar beleza, é dar a vida a todas as coisas. É escutar os silêncios presentes no real, e que pela ausência da sensibilidade do descobridor de sentidos, perderam-se em meio aos ruídos existenciais de almas fragmentadas e sem cor, em virtude de não perceberem a beleza existente no ordinário da vida.

O artista é um descobridor de belezas, é um descobridor de sentidos. Ele perscruta as inúmeras regiões da existência com a capacidade de descobrir nela ternas significações, onde imperava a ausência e a opacidade.

A arte torna a vida mais bela, mais natural. Ela desescraviza o olhar que se acostumou com a desgraça. Ela, em suas múltiplas manifestações, faz emergir do real uma nova realidade, cheia de leveza e alegria, possibilitando ao povo desprovido de consolo novos motivos para continuarem acreditando na vida.

A arte traz em si o poder de abrir os corações. Não se pode negar o nobre “acompanhar” oferecido à alma pela música, poesia, teatro, dança, entre outras manifestações artísticas. Este é um poder transfigurador concedido ao ser humano, e com ele, o criado participa do ato de criar, recriando o real, gerando beleza e significação ao percurso humano, por vezes imerso na desesperança que sufoca.

Quem enxerga a vida com arte consegue contemplar positivas perspectivas na mesma, consegue descobrir bondade no criado, e percebe o revelado que continua a desvelar-se na multiplicidade dos rostos e expressões daqueles que enfrentam a existência sem se cansarem dela.

A vida é sempre bela para as almas que ultrapassam a faticidade dos dias e conseguem identificar a ternura presente nos detalhes e esquinas da realidade. A vida tem mais qualidade quando os momentos se tornam mais artísticos e investidos de beleza.

Na vida existe beleza, nela sempre existe a possibilidade do caos ser investido do belo e da ordem, da dor ser transformada em maturidade. Na vida sempre existe arte!

Dedico este escrito a todos que oferecem seus talentos e sua arte a serviço d’Aquele que é o artista por excelência; em especial a todos os irmãos e irmãs presentes no 1º Festival de artes da Canção Nova.

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