Para acertar nas escolhas da vida

“A Escritura diz: Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará! Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus” (Ef 5,14b-17).

O discernimento consiste em conhecer com exatidão a Deus e a si mesmo. Deus se encontra na alma como se encontra no Céu. Por isso mesmo a própria alma é outro Céu, no qual se pode entrar pela oração. É uma loucura querer entrar no Céu sem antes termos entrado em nosso coração, a fim de conhecer a nossa miséria, os bens que recebemos de Deus e pedir muitas e muitas vezes, a misericórdia. Devemos rezar para saber o que Deus quer de nós e Lhe pedir Sua ajuda para cumprir a Sua vontade. O discernimento é próprio do homem novo; daquele que se converteu.

“Antes de toda e qualquer coisa, é preciso converter-se pelo temor de Deus para conhecer-Lhe a vontade, para saber o que Ele vos ordena buscar ou rejeitar” (Sto. Agostinho). Só temos o devido discernimento através da renovação de nossa mentalidade (cf. Ef 4,23-24).

Deus não quer homens e mulheres conformados com este mundo; é preciso ir além e não tomar a forma dada por uma vida paganizada. Antes devemos, convertendo-nos para o Senhor, deixar renovar a nossa mente. Essa é a única maneira de discernir a vontade de Deus.

É importante falarmos alguma coisa sobre o discernimento, pois sem ele, colocamos todo o nosso esforço a perder. A oração deve orientar a nossa vida e devemos aproveitar dos nossos momentos de intimidade com Deus para pedir as diretrizes que nos vão conduzir. Quem reza e não ouve a Deus é como um cego diante de um imenso horizonte, só faz idéia por aquilo que lhe dizem e não pelo que de fato experimentou.

“O Senhor bem deseja e quer dispensar-nos as suas graças. Contudo não as quer dispensar, senão a quem lhe pedir” (Sto Agostinho).

As almas sem oração são semelhantes a um corpo entrevado ou paralítico. É preciso pedir a Deus a graça do discernimento para caminharmos na verdade e não na ilusão; na vida e não na morte. Quando Deus nos toca, transforma-nos interiormente, passamos a ser homens novos.

Usam muito a palavra “ungido” nos meios carismáticos e é bem isso que acontece; quando Deus nos toca, dá-nos uma unção; como acontecia com os reis, assim se faz conosco, recebemos um poder real maior do que qualquer poder deste mundo. Ninguém jamais foi capaz de medir sua força, até hoje, não houve quem pudesse dizer seus limites.

Esta graça tem também como conseqüência um despertar, um abrir de olhos; quem foi por ela tocado: enxerga. Acende-se uma luz que antes nem sabíamos que existia e ilumina as opções de nossa vida, passamos a ser capazes não só de escolher entre o bem e o mal; mas com clareza conseguimos distinguir, entre coisas boas, a que é melhor e isso é muito mais difícil.

Acabamos por ter um novo olhar sobre o mal e um novo entendimento sobre o sofrer. Vemos que, com Jesus, a própria dor consola. Não mais nos deixamos esmagar pelo peso da tristeza. Este novo olhar nos leva pela mão à experiência de uma alegria nova, diferente, inexplicável por palavras e enche o nosso coração de gosto por Deus.
O homem que foi visitado pelo Espírito, tem a sua mente aberta para compreender as Sagradas Escrituras e as intervenções de Deus em sua vida, apenas com este toque é que a pessoa passa a ter coragem de assumir compromissos novos e difíceis a serviço de Deus e daqueles que o Senhor colocou a seu lado. Só pode dizer “sim” ao irmão quem consegue dizer “não” a si mesmo e isso é dom de Deus.

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