O milagre de Deus

Era a festa de Cristo Rei do ano 1977. Um grande grupo de jovens estava reunido na nossa casa de retiros, na cidade de Queluz-SP, naquele final de semana.

Depois de dois anos intensos de preparação, eu podia lançar para aqueles jovens um desafio: ‘Quem está disposto a deixar sua casa, seus estudos, seus trabalhos, e até mesmo interromper o seu namoro, para vir e vivermos juntos em comunidade‘?

Para minha surpresa, um grande número de jovens aceitou o desafio. Três meses depois, um grupo de 12 pessoas, no dia 2 de fevereiro de 1978, começava comigo a aventura de vivermos juntos em comunidade.

Nós não podíamos imaginar tudo o que Deus faria conosco a partir daquele dia, mas começamos com determinação e generosidade. Aqueles jovens estavam entregando de maneira muito concreta a própria vida a Deus.

Quando se semeia vida, os resultados são imprevisíveis. Foi o que aconteceu conosco. Deus precisava de uma companhia de pesca para pescar homens. Com a mesma convicção de Pedro, nós dizíamos ao Senhor: ‘Firmados na tua palavra, nós lançaremos as redes‘.

Deus nos queria missionários da comunicação. Rapidamente, Ele foi colocando em nossas mãos, uma aparelhagem de som, depois, um duplicador de fitas cassete, depois um gravador de rolo profissional… Eram sinais muito concretos. Deus tinha urgência: era preciso evangelizar usando os modernos meios de comunicação social.

Passados apenas dois anos, Deus já colocava em nossas mãos um programa de rádio, depois três programas de rádio, por fim uma rádio: a Rádio Bandeirantes de Cachoeira Paulista que, no dia de Pentecostes de 1980, começava a se chamar Rádio Canção Nova.

Olhando para trás, vejo que tudo foi muito rápido: o que são dois anos? Digo mais ainda: humanamente era impossível darmos esses passos, principalmente comprar uma rádio, que nos custou na época, dois milhões de cruzeiros. Estávamos diante de uma pesca milagrosa.

Não posso deixar de revelar a você que o segredo foi o fato de termos semeado nossas vidas.

Este é o segredo que acompanha a Canção Nova em todos esses anos: semear a vida.

Olhando para a grandeza e a complexidade que é hoje o Sistema Canção Nova de Comunicação, só posso dizer: ‘Isto é obra do Senhor, um milagre aos nossos olhos.’

Naquele 2 de fevereiro de 1978, éramos 12 pessoas. Hoje, somos mais de 400. Mas o segredo continua sendo o mesmo: consagrar inteiramente a própria vida nesta companhia de pesca. Graças a Deus somos missionários da comunicação. Nossa missão é evangelizar 24 horas por dia, 365 dias no ano, dando a vida toda em cada coisa que fazemos. Não nos pertencemos mais: nossa vida está inteiramente investida na aventura de evangelizar.

Eu sou o primeiro a reconhecer: não fazemos nada mais do que a nossa obrigação. Somos servos inúteis: fazemos aquilo que devíamos fazer. Mas, ao mesmo tempo, a Canção Nova é uma demonstração muito concreta do que acontece quando se semeia a própria vida, porque Deus nunca se deixa vencer em generosidade.

De olhos abertos para a realidade que o mundo está vivendo hoje, só posso lhe dizer: tenha a coragem de semear a vida aí onde Deus plantou você. Não há maior prova de amor do que dar a própria vida por aqueles que amamos. Vida se paga com vida.

Seu irmão,

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