O Espírito Santo e a atividade

A Igreja afirma, na oração ao Espírito Santo, que Deus instrui seus fiéis iluminando seus corações com a luz do Espírito Santo (MR); e segundo a palavra de Jesus, esta ação do divino Paráclito estende-se a tudo: ‘O Paráclito. Vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo’ (Jo 14,26). Não só, portanto, a oração, mas também as atividades do cristão devem ser iluminadas e dirigidas pelo Espírito Santo. É útil considerar em primeiro lugar aquela atividade mais estritamente unida à vida espiritual, que consiste em buscar e praticar dia por dia os bons propósitos formulados na oração. Ótimo esforço, todavia, reduzido muitas vezes a um trabalho predominantemente ‘moral’ e muito pouco ‘teologal’. Por outras palavras, o fiel procura corrigir os próprios defeitos e exercitar as virtudes com a intenção de agradar a Deus, mas na prática permanece quase desligado de Deus. Trabalha, então, sozinho o cristão, esquecendo que nele há quem poderia não só ajudá-lo, mas trabalhar muito melhor do que ele. Não deve certamente descuidar o trabalho espiritual, mas fazê-lo de modo mais interior, mais teologal, ou seja, mais dependente de Deus, da ação do Espírito Santo. Em vez de tomar como alvo diretamente um defeito ou uma virtude, alcançará maior proveito tomando como meta à contínua dependência do Mestre interior e passando ao ato depois de ter ouvido sua voz íntima e silenciosa. Enfim, trata-se de agir em todas as coisas, adaptando-se ao movimento interior da graça, à inspiração do Espírito Santo; trata-se de ceder e confiar o andamento da própria vida interior à direção do divino Paráclito.

Mesmo nas relações com o próximo, no desempenho dos deveres cotidianos, na atividade profissional e especialmente nas obras de apostolado, precisamos deixar-nos guiar pelo Espírito Santo. Deve-o tomar a direção de toda a nossa conduta. Para tal fim é necessário manter-nos em contato com ele, até em meio da ação; breves momentos de pausa ajudarão, de vez em quando, a intensificar este contato ou a restabelecê-lo, quando a excessiva atividade ou os impulsos das paixões o houvesse, de qualquer modo, interrompido. ‘Nada faço por mim mesmo -disse Jesus- mas digo as coisas que o Pai me ensinou’ (Jo 8,28). Era esta a norma da conduta de Jesus e deve ser também a do cristão: agir em contínua dependência de Deus que, por meio de seu Espírito, inspira o que devemos fazer, e ajuda na execução. Neste campo, porém, é necessário saber distinguir as inspirações do Espírito Santo dos movimentos da natureza e das insinuações de espírito maligno. Sem este prudente discernimento, poderíamos facilmente cair em ilusões ou enganos, julgando inspirações divina o que não passa, ao contrário, de impulsos mais ou menos inconscientes da própria natureza. As verdadeiras inspirações do Espírito Santo nos mantêm, ou antes, nos levam a penetrar cada vez mais a linha da vontade de Deus, isto é, a linha das ordens dos superiores, dos deveres do próprio estado. Quando verificamos o contrário, tudo é de temer, pois o Espírito Santo só pode impelir ao cumprimento da vontade de Deus; nada, por conseguinte, pode inspirar contra a obediência e os próprios deveres. Nos casos duvidosos, cumpre recorrer ao conselho de pessoa iluminada e prudente, e então quem de fato conduzido pelo Espírito Santo será dócil em se submeter à opinião alheia, mesmo se contrária à sua.

O Espírito Santo, disse Jesus, ‘permanece entre vós e estará em vós’ (Jo 14,17). Que loucura, pois, seria agir independentemente dele! Ele, que distribui aos fiéis a variedade de seus dons, com magnificência proporcionada à sua riqueza e às necessidades do ofício e dos deveres de cada um! (LG 7.12).

Eduardo Rocha Quintella
Fraternidade S. J. da Cruz – O.C.D.S – B.H. –
Adorador Noturno da Catedral Nossa Senhora da Boa Viagem – B.H.

eduardoquintella@superig.com.br Tel.: (0xx31) 3486 –8507 – Belo Horizonte M.G.

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