Intimidade com Deus

Intimidade quer dizer aquilo que há de mais profundo no homem e em Deus. Está ligado ao “dar-se a conhecer profundamente”. O próprio ser humano precisa querer dar-se a Deus no mais profundo de si (claro que Deus conhece o nosso íntimo), mas é buscar uma amizade profunda com Deus, a ponto dizer: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim…”(Gal 2,20).

Intimidade: “íntimo” é o superlativo de intus, que significa “dentro de”.

Portanto, só se terá uma profunda intimidade com Deus por meio do Espírito Santo, pois só Ele pode nos levar a uma plena comunhão de alma com Deus. “A nós, porém, Deus o revelou pelo Espírito. Pois o Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus” (I Cor 2,10). O Espírito nos leva às profundezas de Deus, ou seja, à intimidade. Ele quem nos revela Deus.

Segundo Raniero Cantalamessa, o Espírito (Ruah) “indica o que de mais íntimo e secreto há em Deus e o que há de mais íntimo e secreto no homem, seu princípio vital, sua próprio alma”. (livro: “O canto do Espírito”)

Com razão, Santo Agostinho dizia: “Deus me é mais íntimo a mim do que eu mesmo”. “Quem, pois, dentre os homens conhece o que é do homem, senão o espírito do homem que nele está? Da mesma forma, o que está em Deus, ninguém o conhece senão o Espírito de Deus” (I Cor 2,11).

O Espírito nos leva à profundidade com Deus e, em Deus; o Senhor torna-Se nosso hóspede. Por isso, o Espírito é conhecido como “Doce Hóspede da Alma”. Assim, pode até se dizer: Deus em nós, e nós em Deus, por meio do Espírito.

Quando uma alma quer ser íntima de Deus, Ele se apropria dela, há uma afeição, um profundo amor. Deus é atraído, a ponto da pessoa tornar-se uma oikeiosis (casa), onde Ele pode habitar. São Basílio Magno diz: “o Espírito Santo é aquele que cria a intimidade com Deus”.

“O Espírito habita na Igreja e nos corações dos fiéis como num templo. Neles ora e dá testemunho de que são filhos adotivos” (LG,4).

Ser íntimo do Senhor é apresentar-se ou estar diante Dele despojado de si mesmo; é desvelar-se, tirar as máscaras; esvaziar-se totalmente; apresentar-se como dependente unicamente Dele; sair da hipocrisia para a transparência; estar totalmente “nu” diante de Deus.

Implica também em não ter vontade própria; assumir a vontade de Deus; não estar cheio de si.

O viver submisso a Deus – caminho para uma profunda intimidade com Ele. Daí parte o ser dependente do Senhor. Assim a vida torna-se plena de sentido, quando nos rendemos ao Seu doce Amor e à ação do Espírito.

A nossa maturidade espiritual só será plena, só chegará ao ápice, quando entendermos o que significa ser totalmente dependente de Deus.

O caminho para a intimidade com Deus, requer morte interior e, acima de tudo, renúncia; o sair ou transpor a atmosfera material para a transcendental. É estar totalmente no outro (em Deus).

A busca da intimidade com Deus nos proporciona rasgar o véu do santuário e penetrarmos na vida de Deus, participar dela. Pois a intimidade está ligada a esperança desta vida em Deus (cf. Hb 6,19).

A intimidade com o Senhor, com a Trindade, vai muito além de uma experiência mística, adoração, etc. É parte da morada de Deus. Por isso, quem é íntimo de Deus não fica preso a nada e nada lhe prende; experimenta a liberdade plena. Contudo, ser íntimo é ser livre diante da pessoa, sem medo ou constrangimento.

“Dessa intimidade com o Deus fiel, lento para a cólera e cheio de amor, Moisés tirou a força e a tenacidade de sua intercessão” (CIC 2577).

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