Hora de nos rever

Durante muito tempo lutei contra Deus! Lutei porque não tinha entregado totalmente a minha vida, a minha liberdade em suas mãos. Lutei porque pensei que havia entregado, mas na verdade, no concreto, eu ainda era dono da minha vida, da minha vontade, da minha liberdade.

Todos corremos este risco: viver por um longo tempo nas bases desta dura ilusão, que cedo ou tarde vai ruir. É tudo uma questão de tempo!
Muitas vezes nos perguntamos: “Eu estou na caminhada há muito tempo e ainda carrego tantas coisas do passado que não consegui vencer?” Muitas vezes me deparo vivendo essas situações de forma mais intensa do que antes, parece que elas ganharam forças ao longo destes anos, em vez de diminuírem e desaparecerem completamente.
Estão aí e parecem mais fortes do que nunca.

Agora eu lhe pergunto: Você já teve a coragem de parar e perguntar a Deus o porquê disto? Se Deus falou ao seu coração, você deu os passos que precisava? Será que a entrega da sua vida, a sua conversão, foi sincera a ponto de, auxiliado pela graça de Deus, querer romper por completo com estas situações? Ou será que você ficou dando ouvido à voz da concupiscência que falava ao seu coração?

Este é um momento muito importante para a nossa caminhada de conversão. É um ponto onde todos nós, que realmente almejamos uma sincera e coerente mudança de vida, temos que parar um dia. Não há como fugir!
Pergunte a si mesmo e encontre a resposta.

Se ela, diante deste questionamento, for negativa, isso pode ser um sinal de que a sua entrega ainda não foi total. Repito: se você percebe em si mesmo e fica dando ouvido à voz da concupiscência, se você vive em um mundo de fantasias, no comodismo do pecado, é um sinal de que a sua entrega ainda não foi total. O seu abandono, então, foi pela metade!

Por falar em abandono, eu entro agora em outro ponto muito importante para nós que queremos viver esta sincera e autêntica conversão.
Até aqui, tudo o que vimos é aquilo que, concretamente, temos que nos questionar e fazer para chegarmos a uma conversão sincera e coerente. É a nossa parte a ser feita. Agora entra a parte de Deus, que se realiza à medida que você, já entregue sinceramente nas mãos Dele e abandonado por completo à Sua vontade, diz: “Senhor eu não entendo, somente me abandono, pois quero de todo o meu coração, que a tua vontade se realize plenamente em minha vida”.

Abandonar-se em Deus é, antes de tudo, um passo de fé! É não saber para onde se está indo, mas somente confiar e seguir em frente. Ao logo da minha caminhada tenho aprendido muito com os grandes exemplos dos homens e mulheres da Bíblia, desde Noé até Maria.

Para abandonar-se em Deus é preciso viver um constante desapego, não se prender a nada nem a ninguém. Ser livre! Deixar passar o que é passageiro! Está é uma condição indispensável para aquele que quer viver esta aventura de fé.

Para abandonar-se em Deus é preciso também vencer todos os medos; os medos são como que amarras que nos impedem de sair do lugar, de viver a liberdade, de ser quem de fato somos. O medo ofusca a nossa verdadeira identidade.

Acreditar na Providência Divina que rege todas as coisas também é fundamental e indispensável para se viver este abandono, pois quando acreditamos na Providência Divina e nela nos abandonamos. A nossa mente e o nosso coração se abrem para o mundo sobrenatural, nos abrimos para uma novo entendimento das coisas, para uma nova lógica de tudo aquilo que acontece em nossa vida. Desta forma passamos a entender e a aceitar com mais clareza a vontade Divina.

Abandonar-se em Deus nos faz pobres, pois exige de nós um desapego. Abandonar-se em Deus nos santifica, pois nos faz andar nos caminhos do Espírito Santo. Abandonar-se em Deus nos faz felizes e realizados, pois estamos vivendo e fazendo a vontade Dele, correspondendo ao seu querer para a nossa vida.

Deus realmente quer que sejamos formados na escola do abandono. Ele quer nos formar em todo o nosso conteúdo: corpo, alma e espírito. Nos dá todos os dias as situações que precisamos para nos levar a esta formação. Temos que nos abandonar, não só à voz interior que clama dentro de nós – este abandono é até fácil de se viver! Deus nos quer abandonados, principalmente na voz do nosso irmão, daquele que está ao nosso lado, que Ele mesmo colocou para ser parceiro concreto nesta formação “A voz do irmão confirma a voz do coração!”

Todas as vezes que você se sentir sozinho no caminho do abandono, olhe para a cruz do Senhor, pois é nela que você encontrará sempre forças para seguir em frente.

Guarde sempre esta frase consigo, principalmente em seu coração, pois é onde que ela precisa fazer efeito: “Sem abandono, não há conversão sincera!”

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