Eu sou mais que um amigo fiel

Um amigo verdadeiro é alguém que está sempre perto de você. Alguém que acredita em você, mesmo não entendendo ou aprovando o que você faz. Este é o tipo de Amigo que Jesus é para aqueles que o seguem. “Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15).

Todos nós precisamos da “psicoterapia de apoio” da amizade. Todos nós somos um conjunto de misteriosas necessidades e impulsos que precisam ser expressos. Precisamos ser capazes de nos exprimir, de falar de nós mesmos sem medo de rejeição. Quanto mais nos fecharmos, mais doentes nos tornamos. Não percebemos as verdadeiras dimensões das coisas que nos incomodam, até que possamos defini-las e demarcá-las em conversas com um amigo. Dentro de nós, elas persistem nebulosas como fumaça! Mas, quando fazemos confidências a uma outra pessoa, adquirimos um certo senso de dimensão e objetividade. E isso permite o crescimento na auto-identidade e a capacidade de nos aceitarmos como somos realmente.

Pode ser que os nossos muros e máscaras dificultem essa tarefa. Podemos instintivamente tentar racionalizar nosso fechamento, alegando não haver ninguém por perto com quem possamos nos abrir. Muitos enganam a si mesmos acreditando que ninguém é digno de confiança. Pois nosso verdadeiro medo é de sermos rejeitados. Tememos que a outra pessoa não nos entenda. E assim esperamos… Esperamos atrás de nossos muros até que alguém nos transmita uma manifestação tranqüilizadora.
Fugimos dos relacionamentos interpessoais verdadeiros, alegando que o momento não é propício ou as circunstâncias não são ideais.

Nesse meio tempo sofremos amargamente e nos transformamos em atores: fazendo representações. Representaremos nossa hostilidade através da crítica destrutiva aos que estão à nossa volta. Representaremos nossa necessidade de sermos amados por meio de uma superdependência emocional dos outros. Representaremos nosso sentimento de inferioridade reprimido, tentando humilhar ou dominar outros. É muito mais sensato assumirmos os riscos de confiar em outra pessoa do que vivermos sozinhos atrás de muros e máscaras, representando cegamente as coisas sobre as quais nós recusamos falar. E, se queremos amar verdadeiramente os outros, precisamos lembrar-nos de que os problemas reprimidos e suprimidos são, sem dúvida, impedimentos para o amor. Eles são como a nossa “dor de dente”, que nos mantém voltados para o nosso interior. São eles que nos impedem de sermos nós mesmos e de nos esquecermos do nosso próprio “eu”. O mundo precisa de homens e mulheres de corações curados! Cura interior é deixarmos o fogo do Espírito Santo arrancar nossas máscaras.
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos amigos”.

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