Educar quem? Pais ou filhos?

Basta ligar a televisão, o rádio ou conversar alguns minutos com alguém para sabermos de fatos horríveis: neto que mata a avó, pais que mataram ou espancaram seus filhos, filhos roubando ou matando os próprios pais; enfim, uma violência, que até então, existia, mas não tão evidente no âmbito familiar. Se já é triste ouvir falar de violência, imagine quando esta ocorre dentro da família. Neste momento é importante se perguntar: o que está acontecendo? E mais importante: Como podemos melhorar essa situação? Talvez, a resposta seja aquela que já ouvimos inúmeras vezes: uma melhor educação dos filhos, a qual acrescentaria também outra não tão comum: a educação para os pais.

Sim, pode soar estranho, mas a educação dos pais também é importante – diria fundamental, pois não há nenhuma carga genética que nos ensine a ser pai ou mãe, ou o que seja certo ou errado, o que fazer ou não fazer, ou seja, é preciso que aprendamos a ser pais. Até porque, se pararmos para refletir, o que todos os manuais que se prontificam a ajudar na educação dos filhos trazem são, na verdade, maneiras de os pais agirem, porque sabem que só uma postura diferente dos pais pode contribuir para comportamentos diferentes nos filhos.

Outro fator – que demonstra o quanto essa nova postura parece correta – é que hoje os pais pensam que dando aos filhos tudo o que eles querem: roupas da moda, tênis de marca, brinquedos, etc , poderão conquistá-los ou suprir o tempo que eles passam sozinhos, sem atenção, sem carinho… Não é difícil notar que isso não vem adiantando em nada e que se “fosse realmente assim os pobres não teriam como educar seus filhos, assim como os ricos não teriam as dificuldades com a educação que já nos acostumamos a ver que existem” (Aquino, 2002).

Buscando ajudar os pais na educação dos filhos, e conseqüentemente educando os pais, Felipe Aquino (2002), cita os “dez mandamentos dos pais e educadores”, são eles:

1- Os pais não briguem nem discutam na frente dos filhos,
2- Tratem todos os filhos com igual afeto.
3- Nunca mintam a uma criança (se isso lhe parecer impossível, ao menos evite dar informações ambíguas, ou seja, que cada um dos pais dê informações que se contradizem),
4- Sejam os pais afetuosos e atenciosos um com o outro, na presença dos filhos.
5-Haja confiança entre pais e filhos (porque a partir da confiança se gera a responsabilidade),
6- Os pais recebam bem os amigos dos seus filhos (o que faz com que você saiba quem são as pessoas com os quais o seu filho convive), não permitam gastos inúteis e além de suas mesadas (o que gera responsabilidade, noção de limites),
7-Quando castigá-lo, indique o motivo do castigo (para que ele possa saber com clareza o que está sendo considerado errado e o porquê disso),
8-Notem e encoragem as qualidades dos filhos (afinal quem não gosta de ser elogiado?) e não saliente seus defeitos (este devem ser “apenas” corrigidos e não comentados todos os dias e diante de todas as pessoas),
9- Respondam sempre as perguntas dos filhos conforme as exigências de sua idade (apesar de não ser bem definido o que é adequado para cada idade, ninguém melhor que os pais para perceber o grau de entendimento de sua criança e a partir disso, responder os seus questionamentos. Lembre-se: falar demais só gera mais questionamentos e falar de menos faz com que o filho procure respostas em outros lugares….),
10 – Mostre aos filhos o mesmo afeto e o mesmo humor sem demonstrar demasiada preocupação(caso você ao ler a último “mandamento” esteja pensando que é melhor desistir, aqui vai uma dica: comece tentando demonstrar o mesmo afeto para situações nas quais seu(s) filho(s) age de maneira parecida e não esqueça que o seu filho não é o responsável pelas brigas que aconteceram no trabalho, com amigos, etc.).

Enfim, vale dizer que uma solução rápida não há. Reaprender a educar os filhos é um primeiro passo, aplicar essa educação seria um segundo. Já mantê-la, mesmo quando o filho se rebela, chora e esperneia diante dos limites e das regras propostas seria a prova de que você está em plena evolução não só na educação do filho, mas principal e primeiramente, no seu “auto-educar-se” como pai.

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