A santidade é questão de empenho

São Francisco de Sales, um santo extraordinário

Francisco foi nomeado Bispo quando tinha somente 32 anos pelo Papa Clemente VIII, juntamente com uma Comissão de Cardeais e diversos teólogos. A cerimônia de Consagração realizou-se três anos depois, em 8 de dezembro de 1602, na Igreja Paroquial de Thorens (onde ele havia sido batizado em 28 de agosto de 1567). Francisco queria ser um Bispo à maneira dos Apóstolos, e sobretudo de seus grandes modelos, Pedro e Paulo.

Se propôs a anunciar Jesus à todos que se aproximassem dele. Tarefa esta que recomendou também aos futuros Bispos:

“Para pregar bem, um Bispo não precisa de muito, porque os seus discursos devem ser compostos de coisas necessárias e úteis, e não já esquematizadas e elaboradas; as suas palavras, simples e não simuladas; a sua ação paterna e natural, sem artifícios e requintes. E, mesmo com um discurso breve sempre diz muito.”

Diante da sua ânsia de atingir os que estavam distantes, ele colava mensagens nos muros, nos troncos das árvores, ao lado de resíduos de cruzes velhas, nas bancas, nas fachadas dos conventos, era uma espécie de jornal-mural, a esses fatos lhe deve o título de patrono dos jornalistas.

“Somos pescadores e pescadores de homens, portanto devemos usar para esta pesca não só dos cuidados, os cansaços, as vigílias, mas também da isca da indústrias, os contatos e, se assim é permitido exprimir-se, a santa astúcia(…)”

Pobre, de uma pobreza digna, preferia ir à pé para encontrar com as pessoas, interessando em seus problemas, em suas dificuldades e para falar de Deus, não se distanciando jamais de ninguém, “porque – dizia – os Bispos são os grades bebedouros públicos”.

O “progresso espiritual” que propôs aos leigos foi o mesmo que propôs sem nenhuma modificação ao seu amigo Vicente de Paula e este espôs às Filhas da Caridade, porque a santidade não é questão de vocação, mas de empenho.

Sua é também a afirmação que a santidade não consiste no cumprimento de coisas extraordinárias, mas no fazer extraordinariamente bem as coisas ordinárias.

“A vida mística – escreve – é a vida cotidiana, a vida com seus acontecimentos imprevistos, o seu sofrimento e suas alegrias, as suas amizades e suas separações, as suas preocupações e as suas consolações”.

Ele seguiu tudo com serena perspicácia, firmando e fazendo firmar a espiritualidade às fortes exigências do amor de Deus e ao sentido profundo da doçura e da misericórdia pedindo muito de si mesmo antes de pedir ao outro. O seu ponto de partida era o homem, o homem real, o homem no seu todo. Ele não desconhecia a realidade do pecado: acreditava mais na força da graça.

Morreu em 28 de dezembro de 1622. Com ele se cumpre uma época, mas dele nasce uma outra parte da época seguinte, com seu exemplo aprende que a glória de Deus não tem um templo melhor que o coração do homem.

Fonte: L’Osservatore Romano, 28 de novembro de 2002
Canção Nova – Roma

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