A força do hábito

Todo dia é assim, você acorda na mesma hora, toma banho apressado, senta no mesmo lugar da mesa, toma café olhando mais para o relógio do que para qualquer outra coisa. Depois de um tchau, mãe, estou indo… Sai correndo para pegar o ônibus, pois não pode perdê-lo… Diga-se de passagem, no mesmo ponto e no mesmo horário. Encontra quase sempre as mesmas pessoas, que aliás, fazem a mesma coisa todos os dias…

Este é o início do dia de milhões de brasileiros, talvez, o seu talvez não seja assim, mas, afinal quem de nós não tem uma rotina?

Até aí tudo bem, o problema está em deixar-se levar pela rotina e assim perder algo maravilhoso que temos: a sensibilidade, dom de Deus!

Coisas novas acontecem todos os dias e as mesmas pessoas têm atitudes e dão respostas diferentes diante de situações semelhantes. Perceber e acolher isso é uma graça. Tarefa difícil, principalmente para os que se dizem de temperamento agitado, devido ao acúmulo de coisas a fazer, ou porque achem tudo normal, e não vêem mais diferença nos detalhes.

Pense um pouco no quanto foi importante receber aquele sorriso naquele dia, aquele telefonema exatamente naquela hora… Aquele olhar, que mesmo sem palavras, disse tudo.

Como fazem diferença estes pequenos detalhes em nossas vidas! Eles quebram a rotina e dão um colorido especial aos nossos dias.

Que digam os namorados, quantas “briguinhas” teriam sido evitadas, se ele tivesse percebido que ela cortou o cabelo, os escovou ou fez seja lá o que for para chamar-lhe atenção!

Vivemos na era do imediatismo, da pressa, tudo é automático, rápido e prático, mas com a gente deve ser diferente. A força do hábito não pode nos dominar!

Nesses dias, conheci uma fábula que me fez pensar no assunto, que a partilho agora com você:
Conta-se que havia na região um homem rico e inteligente, gostava de dar bons conselhos, mas, nem precisava, pois sua própria vida já era um exemplo a ser seguido.

Até que um dia, um sábio, passando pela região, contou-lhe um segredo que mudaria sua vida. Disse-lhe que ali perto de sua propriedade havia um rio com várias pedras em seu leito, e que uma delas escondia um poder mágico, porque tudo o que nela tocasse viraria ouro.

E para encontrá-la só teria um jeito: tocar nesta pedra, pois, aparentemente todas eram iguais; esta, no entanto, transmitiria um calor a quem a segurasse na mão.
O homem não perdeu tempo, vendeu tudo que tinha, armou uma cabana no leito do rio e começou a pegar uma pedra após outra, depois outras mais, e jogá-las novamente na água, passava os dias inteiros nesta tarefa, até que isso virou um hábito, uma rotina para ele!

Até que, finalmente, numa bela manhã, encontrou a tão procurada pedra. O pior é que pela força do hábito, também a jogou de volta no rio, e quando percebeu que a mão havia esquentado, já era tarde demais.
Muitas vezes, fazemos a mesma coisa. “Jogamos fora” aquilo que mais procurávamos por insensibilidade ou força do habito e só percebemos isso depois.

Acredito que cada acontecimento, mesmo que seja o mais comum, nos traga algo diferente e belo. Nenhum dia é igual ao outro; nenhuma pessoa é igual a outra, por isso, não podemos nos deixar levar pelo hábito, pelo costume e, muito menos, pela insensibilidade.

Depois que conheci esta fábula tenho dado mais atenção aos meus hábitos. Se quiser, faça o mesmo, provavelmente, terá boas surpresas.
Não somos máquinas programadas para fazer determinadas tarefas, temos sentimentos, capacidade de amar e perceber a beleza da vida por mais difícil que ela seja.

Hoje, procure dar mais atenção às coisas e às pessoas que o cercam, valorize os detalhes!
Transpor a força do hábito e ver a beleza que se esconde no ordinário do dia-a-dia é uma arte. Deus já o fez artista e já o capacitou. Vamos à luta? Estamos juntos!


Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às terças-feiras, está à frente do programa “De mãos unidas”, que apresenta às 21h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000. Recentemente, a missionária lançou o livro “Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar” pela Editora Canção Nova.

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