A família sob o olhar de Deus

Existem situações que fogem ao nosso controle e, que devemos ter a humildade de reconhecer que não somos suficientemente fortes para contorná-las sozinhos. Necessitamos da ajuda das pessoas que estão ao nosso lado e, sobretudo, de Deus. No fundo, vemos que a maioria dos conflitos presentes na sociedade, acabam tendo quase uma única causa: a desestrutura familiar.

Em nossos dias vemos um bombardeio de experiências negativas, que influem no relacionamento familiar, dando a entender que a instituição familiar, a fidelidade, o companheirismo, a educação, são coisas do passado e, que não têm mais sentido neste terceiro milênio. Porém, o amor, a entrega, os sonhos de um casal apaixonado, são os mesmos de 50 anos atrás, pois cada casal que se apresenta diante do altar buscando o Sacramento do Matrimônio, ao menos naquele instante, nutre em seu coração um forte desejo de constituir uma família duradoura “até que a morte os separe”. Talvez, o fato destes objetivos não perdurarem é porque, hoje, a sociedade já não mais valoriza a renúncia, a entrega. E assim, uma forte barreira vai se firmando entre os cônjuges, então, acontece um esfriamento e não o desaparecimento do amor. Na verdade, o amor nunca se acaba, pode acontecer que ele fique ofuscado pelas dificuldades, daí, a necessidade de se fazer purificações. O sol nunca deixa de existir, mesmo em dias nublados! O amor, mesmo em tempos de dificuldades, existe, mas é preciso saber reconhecê-lo, isto é, saber afastar as dificuldades por meio do diálogo e do perdão, para que ele seja manifesto novamente.

Talvez um dos caminhos para retomarmos o amor e o respeito nas famílias seja a recuperação da figura dos pais. É triste quando encontramos famílias que entregam a educação de seus filhos às domésticas ou babás. Não que estas não sejam qualificadas para darem a educação correta, mas porque os pais acabam se tornando um ser desconhecido para seus filhos. E os mesmos não conseguem assimilar uma formação adequada, pois a empregada, hoje está com eles, mas amanhã poderá ser substituída. Assim, a criança vai crescendo com este paradigma: “se esta não responde mais com algumas necessidades, faço a substituição”. Assim, o sentido de renúncia e de superação de alguns limites é descurado, pois não há uma exigência para vencer as dificuldades, mas simplesmente substitui-se. Desse modo, se nos enveredarmos por este caminho, poderemos perceber que alguns matrimônios não perduram, pois este espírito de substituição tornou-se tão “normal”, que é mais fácil eu deixar de viver com meu esposo, minha esposa, do que aprender a conviver com as suas limitações.

Talvez haja a necessidade de que cada cristão repense o seu modo de conceber o Sacramento do Matrimônio e a estrutura familiar. É triste perceber que, em grande parte dos matrimônios realizados em nossas paróquias, o essencial não é a bênção de Deus – pois se supervaloriza a roupa, a maquiagem, o traje – e sim pouca importância tem a Palavra de Deus anunciada. A ostentação, em determinadas celebrações de matrimônio, demonstra que Deus não foi convidado para o momento essencial do nascimento da família. Atrasos abusivos pretendem encher de glamour o evento, mas o que faz é apenas ressaltar o descaso com o Sacramento que se diz querer receber. Portanto, para muitos, a família já surge enferma, pois o essencial não foi ressaltado. Posso testemunhar que em determinadas celebrações, o mais importante era fazer poses para fotos do que a própria Palavra de Deus.

Contudo, ao lado de tanta ostentação, é possível encontrar um ou outro casal que esteja verdadeiramente preocupado em receber a bênção de Deus e, procura fazer de seu matrimônio um momento privilegiado de encontro com Ele. Estes que assim procedem, podem ter a firme esperança de que sempre estarão vivendo sob o olhar de Deus e, mesmo passando por dificuldades na vida matrimonial, encontrarão forças n Ele para superá-las. Porém, aqueles que colocam em primeiro lugar o glamour da celebração, não terão forças para superar as dificuldades, não porque Deus os abandonará, mas porque não saberão reconhecê-Lo.

Padre Reginaldo Lima
Paróquia Menino Jesus de Praga – Arquidiocese de Maringá-PR

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