A beleza de estar em construção

O crescimento na condição humana se dá não tanto pela ausência de fraqueza, mas pelo fato de sabermos lidar com ela [fraqueza]. Crescemos quando temos humildade para nos compreender e nos aceitar em nosso real.

Ser humilde consiste em aceitar “deixar-se fazer”, significa acolher pacientemente o processo em que nos encontramos, permitindo-nos ser construídos pela vida, por Deus e pelas experiências que vão caminhando no solo de nossa história. Quem se desprende do orgulho – e vive constantemente como um “aprendiz” – consegue crescer e “ser construído” por meio de tudo o que lhe acontece.

Quem se permite ser fraco, acolhendo com ternura tal condição propriamente humana, colecionará inúmeros ensinamentos acrescentados a si pela experiência da queda. Aqueles que fazem a experiência do erro conseguem compreender com profundidade o sabor do acerto, conseguindo valorizá-lo devidamente.

Em nosso caminho de crescimento, se de fato o buscamos, a experiência de nossa fraqueza se estabelece como uma realidade que nos forma, libertando-nos da pretensão de querer ser o que não somos.

Nossos relacionamentos também são responsáveis por nossa construção: nosso relacionamento familiar, com os amigos e com aqueles que nos acompanham em nosso cotidiano nos constroem e nos moldam profundamente. Nosso relacionar-se desvela o que somos, revelando-nos em que precisamos mudar; ele nos faz romper com a alienação do egoísmo que nos faz acreditar que somente nós estamos certos em nosso jeito de compreender a vida.

Quando abrimo-nos ao outro conseguimos encontrar superação e virtude, aprendendo com outras maneiras de enxergar a existência. As virtudes e os defeitos daqueles que convivem conosco também nos constroem, retirando de nós os excessos e nos acrescentando no que somos carentes.

Nesse “processo de se deixar fazer” as dores e perdas também nos auxiliam, acrescentando-nos têmpera para enfrentar os desafios, e paciência para acolher nosso processo de crescimento no ponto em que nos encontramos.

Nossas iniciativas também são condições essenciais para que nosso ser seja bem construído. Bons livros, o cultivo de boas e puras amizades, de um bom relacionamento familiar, a busca por uma autêntica vida de oração, tudo isso possibilita concretamente nossa construção e crescimento.

Deixemo-nos fazer, trabalhemos por nossa construção, entreguemo-nos à dinâmica do “processo”, do humanizar-se, assim a vida se tornará mais bela e a cada experiência o ser se tornará mais…

“Quando o coração vagueia na noite
da poesia inabitada,
o lugar que o completa é saudade,
realidade que ainda não chegou.

É preciso saber esperar,
deixar-se completar,
assim tudo nos faz
e até a dor nos constrói.

O processo nos humaniza.
A saudade nos desperta.
A vida nos constrói.
Se se compreende…
Tudo é presença, tudo acrescenta
…sem abstração…”

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