O ser humano é mais que sua doença!

Nicolai Hartman, com sua ontologia, e Max Scheler, com sua antropologia, entre outros nos remetem a um mundo onde o homem é visto na sua totalidade, não como um sistema fechado e reduzido, mas como um sistema aberto, projetado para o mundo fora de si mesmo. É a partir destas raízes que Frankl concebe o homem: “… pertence à essência do homem o ser ele, em todo caso, aberto, o ser “aberto ao mundo”- ser homem, já de si, ser para além de si mesmo. A essência da existência humana, diria eu, radica na sua autotranscendência.”

Se perdemos a essência, nos tornamos um nada. Igualados a outros seres, nos misturamos a eles e já não podemos nos diferenciar: não sabemos o que somos. Então não há sentido nos denominarmos humanos, se somos qualquer coisa.

Vendo a atual perspectiva da ciência dos nossos dias, que buscam a solução para os mais diversos problemas da vida humana, na sede e se igualarem a Deus, observamos que vão perdendo o que é essencialmente humano.

Mais precisamente no que diz respeito a utilização de células tronco embrionárias para a pesquisa da cura de doenças degenerativas e paralisantes vemos uma cultura que busca a vida em detrimento de milhares de outras vidas, onde os fins justificam os meios.

Se pensarmos nestes embriões como apenas células-tronco, o estaremos reduzindo a dimensão biológica. Porém sabemos que um punhado de células sem “alma” sem “espírito” não serve para nada, fenece, pois ali não há vida.

Da mesma forma reduzimos aqueles que sofrem de doenças degenerativas a sua própria doença. O Sr. X por portar uma diabetes não é uma diabetes, ele é muito mais que isto. Se sua vida é reduzida a sua enfermidade ele não é um ser humano e sim um ser subhumano. Por que a dor, a doença, o sofrimento são fenômenos especificamente humanos. Um animal fica doente, sente dor, porém não tem capacidade de refletir sobre sua condição e transcendê-la.

E se pensarmos que a diabetes leva a tais e tais conseqüências, não alcançamos a dimensão de autotranscendência que porta a dimensão espiritual que só o homem possui, capacidade de ir além e encontrar sentido em sua doença. Daí estamos negando também, a essência do ser humano de autotranscendência e caímos no erro de acreditarmos que o homem é determinado e ponto final. E onde fica a liberdade do homem?

É evidente que o homem não está livre de condições biológicas, psicológicas e sociológicas que a vida lhe oferece, porém as mesmas condições o deixam livre para tomar uma posição perante todas as condições. Livre para escolher ser mais que sua doença.

Com isto não estou recriminando pesquisas científicas honestas, que levam em consideração o ser humano como um ser total e ao mesmo tempo único, indivisível, insubstituível. É necessário exercermos a liberdade que temos, todavia a liberdade só é completa se com ela carregamos a responsabilidade. Somos responsáveis pela vida, e vida em plenitude.

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