A comunhão fraterna x milagres

Deus é Trindade, é comunhão de vida, é família, “Deus é amor” (1 Jo 4, 8).

A Igreja é uma comunhão de vida com Deus em Jesus Cristo, significada e expressa externamente por uma comunhão de amor com os irmãos e irmãs. A união com os irmãos e irmãs é um sinal sacramental de nossa união e comunhão com Deus. A união e o amor entre os irmãos e irmãs é um reflexo do amor e da união existente no seio da Trindade.
O conceito de família e de comunhão é essencial para se compreender a vida cristã, sempre partindo de Deus como Trindade, como família, como sociedade e como comunhão de amor e conhecimento para entender a vida de família na Igreja.

A “comunhão fraterna” (koinonia) é a união espiritual dos crentes baseada na mesma fé e no mesmo projeto de vida. A primeira comunidade cristã tinha consciência de estar coadunada pelo Espírito do Senhor, que fazia deles “um só coração e uma só alma” (At 4,32).
Jesus e seus discípulos constituíam uma autêntica comunidade fraterna, onde tudo era posto em comum: preocupações, sofrimentos, interesses, esperanças e alegrias, os bens materiais e espirituais. Cristo os unia acima de todas as diferenças possíveis e imagináveis. No interior dessa comunidade, acontecia a convivência de todos e cada qual com Cristo e, por conseguinte, convivência fraterna dos discípulos entre si. A comunhão vale mais do que milagres. Existe milagre maior do que o amor que gera comunhão de espíritos? Apesar de nossa diversidade, o Espírito de Jesus é capaz de realizar o milagre da união…

Já na raiz somos irmãos e irmãs uns dos outros. É o mesmo Sangue de Cristo que dá vida a todos os membros da comunidade cristã.
Compartilhamos a mesma fé, a mesma vida divina, o mesmo Espírito de Jesus, o mesmo sangue. Com tanto mais razão deveríamos ser capazes de partilhar as outras coisas.
A comunhão na fé leva à comunhão dos bens. Quanto mais estivermos unidos a Deus, mais abertos deveríamos estar à solidariedade e à partilha. A fé é a base da união dos espíritos e do pôr os bens em comum: “Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e possuíam tudo em comum” (At 2, 44). A comunhão com Cristo é inseparável da comunhão com os irmãos e irmãs.

Portanto, a comunidade cristã só tem sentido quando for retrato vivo da comunhão fraterna, isto é, da caridade teologal. Valorizando cada pessoa na sua dignidade original, feita à imagem e semelhança de Deus, mais facilmente se chega a essa intercomunhão tão almejada. Então, os bens materiais são espontânea e generosamente postos à disposição da comunhão espiritual, fazendo com que desapareçam as discriminações, ninguém passe necessidade e não haja no seio de nossas comunidades indigente algum. “Quem recolheu muito não teve de sobra e quem recolheu pouco não teve falta” (2 Cor 8, 15). A comunhão com Cristo leva necessariamente à prática da partilha, do dízimo e da solidariedade fraterna.

Sempre me impressionou o que dizia São Basílio de Cesaréia: “O pão que você guarda para você pertence ao faminto. Ao homem sem roupa pertence o manto que está fechado em seu baú. Ao que caminha descalço pertencem os sapatos que estão mofando em sua casa. Do pobre é o dinheiro que você mantém enterrado. É assim que você oprime tantas pessoas a quem poderia ajudar”.
Compartilhando nossa vida, compartilharemos também nossa missão evangelizadora e apostólica. Seremos verdadeiros discípulos(as) e missionários(as) de Jesus Cristo.

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