Catequese

Santuário, memória e profecia do Deus vivo

Santuário é memória eficaz da obra de Deus, o sinal visível que proclama como é grande o seu amor

Dentro da grande peregrinação que Cristo, a Igreja e a humanidade cumpriram e devem cumprir na história, cada cristão é convidado a se inserir e participar, a se encontrar com Deus na “Tenda do Encontro”, como a Bíblia chama “o Tabernáculo da Aliança”.

Um dia, Deus chamou Abraão e disse: “Parte da tua terra, da tua família e da casa de teus pais para a terra que eu te mostrarei…” e Abraão partiu como o Senhor lhe havia dito. E Abraão parte em busca da terra prometida, terra onde corre leite e mel. E inicia a peregrinação da sua vida e do seu povo guiado pelo próprio Deus.

Santuário, memória e profecia do Deus vivo

Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Depois de Abraão vem Moisés. Ele é chamado a conduzir o povo de Deus através do deserto. É o braço poderoso de Deus a fazer passar Israel pelo Mar Vermelho. Mas é o próprio Deus a prová-lo durante quarenta anos no deserto. Ele mesmo conclui: “Se tu não caminhas conosco, eu não me moverei”.

Os templos ou santuários são como pedras milenares que orientam o caminho dos filhos de Deus sobre a terra. São, antes de tudo, lugar da memória, da ação poderosa de Deus na história, que é a origem do povo da aliança e da fé de cada um dos que creem.

Na tradição bíblica o santuário não é, portanto, simplesmente o fruto de uma obra humana, carregada de simbolismo cosmológico ou antropológico, mas, testemunha à iniciativa de Deus no seu comunicar-se com o homem para estreitar com ele o pacto de salvação. O significado profundo de cada santuário fez memória na fé da obra salvífica do Senhor.

Santuário assume, portanto, o caráter de memória viva originado do alto para o povo da aliança eleito e amado. Este é o permanente chamado ao fato que não se nasce como povo de Deus pela carne e pelo sangue, mas que a vida de fé nasce da iniciativa admirável de Deus que entrou na história para nos unir a Si e mudar o nosso coração e a nossa vida.

No Santuário, a fidelidade de Deus nos alcança e transforma

Santuário é memória eficaz da obra de Deus, o sinal visível que proclama a todas as gerações como é grande o seu amor, e testemunha como Ele tenha amado primeiro e quis ser Senhor e Salvador do seu povo. É o lugar da divina presença, um sinal, o lugar da sempre nova atualização da aliança dos homens com o Eterno e entre os seus. Cristo é o novo santuário, presença viva no Espírito.

Os templos cristãos são sinais. Sabemos que Deus está sempre vivo e presente entre nós e por nós. O templo é morada santa da Arca da Aliança. O santuário é o lugar do Espírito, porque é o lugar onde a fidelidade de Deus nos alcança e nos transforma.

No santuário vamos antes de tudo para invocar e acolher o Espírito Santo e levá-lo em todas as ações da vida. É sinal do chamado constante da presença viva do Espírito Santo na Igreja. Nos doando Jesus Ressuscitado, a glória do Pai, é um convite visível a atingir a invisível fonte de água viva, do qual se pode fazer sempre uma nova experiência para viver a fidelidade da aliança com o Eterno na Igreja. O santuário é o lugar privilegiado da ação sacramental, especialmente da Reconciliação e da Eucaristia.

O que devemos buscar no interior de um santuário?

O peregrino deve buscar no santuário, particularmente, a graça do perdão que o ajuda a abrir-se ao Pai, rico em misericórdia. Na celebração da Eucaristia, evento de graça que contém e exprime todas as formas de oração, o Santuário – profecia da Pátria Celeste – é um sinal, memória da nossa origem junto ao Senhor e sinal da divina presença, e também profecia da nossa pátria última e definitiva: o Reino de Deus, que se realizará quando: “Eu porei o meu santuário no meio dos homens para sempre”, segundo a promessa do Eterno (cf. Ez 37,26).

O sinal do santuário não nos recorda somente de onde viemos e quem somos, mas abre também a nossa visão a discernir para onde vamos na direção da meta de nossa peregrinação na vida e na história. O Santuário, como obra das mãos do homem, nos restitui a Jerusalém Celeste, nossa mãe, a cidade que desce de Deus, toda ornada como esposa, santuário escatológico perfeito onde a divina e gloriosa presença é direta e pessoal.

No santuário ressona constantemente o “Magnificat”, no qual a Igreja “viu vencer as raízes do pecado posto no início da história terrena do homem e da mulher, o pecado da incredulidade e da pouca fé em Deus, no qual Maria proclama com força a não ofuscada verdade sobre Deus: O Deus Santo e Onipotente que, desde o início, é a fonte de todo bem, aquele que ‘tem feito grandes coisas'”. No santuário se testemunha a dimensão escatológica da fé cristã, isto é, nosso caminho na direção da plenitude do Reino de Deus.

A Virgem Maria é o santuário do Deus vivo do Verbo de Deus, a Arca da Aliança nova e eterna. Aproximando-se de Maria, o peregrino deve sentir-se chamado a viver aquela dimensão pascal, que gradualmente transforma a sua vida através da Palavra, da celebração dos sacramentos e do trabalho a favor dos irmãos.

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Fonte: vatican.va

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