Conflitos

É possível viver de forma harmoniosa com a vinda dos filhos

Com a chegada dos filhos, é preciso viver em harmonia para eliminar os conflitos, pois cada pai e mãe tem a sua história familiar

Como prometi, vamos continuar a conversar sobre a reestruturação do casal após o
nascimento dos filhos, sabendo da grande dificuldade que a maioria dos casais encontra para achar uma nova organização do casamento nesse tempo. Se você não leu, veja o artigo anterior “Como driblar os conflitos do casal com a chegada dos filhos”.

É possível viver de forma harmoniosa com a vinda dos filhos
Foto Daniel Mafra/cancaonova.com

Quando nasce uma criança, marido e esposa ganham mais uma função, mais um componente da identidade: ser pai e mãe. Essa transição reacende diversas lembranças (boas e ruins), conceitos, medos e traumas guardados no nosso inconsciente sobre o que nós entendemos sobre “ser pai” e “ser mãe”. Essas memórias foram acumuladas ao longo de toda vida, em especial na nossa infância, na convivência com nossos próprios pais. Nossa história pode determinar dois objetivos: repetir o que foi bom ou fazer diferente do que vivemos. Se os pais foram um bom casal, se foram carinhosos, educadores e presentes, nossa tendência é querer fazer o mesmo e esperar do outro que tenha atitudes compatíveis com isso (uma expectativa difícil de cumprir, considerando que ele/ela veio de outra família!). Por outro lado, se foram ausentes, agressivos, frios, não acolhedores e inseguros, tendemos a querer compensar o que nos faltou por meio da dedicação em conseguir ser diferente para nossos filhos. Os dois caminhos são perigosos e podem atrapalhar o casamento.

Os traumas não resolvidos com os próprios pais vão influenciar excessivamente na nossa própria forma de ser mãe/pai. Por isso, é muito importante perdoar a própria história (o perdão diminui a força de influência dos traumas em nossa vida atual), e entender que o casamento é um novo caminho, não é como a minha família nem como a família do outro: juntos formamos uma nova forma de viver a vida. E os costumes cotidianos refletem isso, como a forma de lidar com a criança, de vestir, dar comida, brincar, ensinar hábitos de higiene… É importante entender que a criança não pode seguir somente o desejo de um dos pais. Ela faz parte dessas duas culturas, dessas duas formas de criação, dessas duas famílias de origem e, por isso, será influenciada pelos dois lados.

Como são comuns os conflitos com os avós nesse período! A mãe tem uma forma de cuidar da criança diferente da sogra. Então, o esposo fica entre “a cruz e a espada”, sem saber se apoia a esposa ou a própria mãe (afinal, ela o criou e ele sobreviveu bem!). E vice-versa. Se essa influência está atrapalhando seu casamento, é sinal de que o casal não definiu corretamente seus conceitos sobre a criança.

Quem deve determinar se seu filho vai comer doce, andar descalço e beber refrigerantes são vocês dois juntos, somente os dois. Vocês devem definir as regras unindo as duas opiniões e chegando a um meio termo que seja agradável e correto para os dois. Se o casal está firme nos seus conceitos, as duas famílias de origem vão respeitar. Caso aconteçam conflitos com avós e tios, sugiro que cada um se entenda com sua própria família. Marido e mulher conversam sobre o que aconteceu, e cada um se resolve com os seus (para evitar o mal estar com os sogros e outros parentes).

Quanto mais estáveis os conceitos de criação na vida do casal, mais a criança sente a segurança de saber seus limites e seu espaço, podendo se desenvolver da maneira correta, ficando livre para amadurecer e começar a se desvincular da dependência com os pais, deixando-os livres para retomar o principal vínculo de sua vida: o amor matrimonial.


Roberta Castro

Roberta Castro é Ginecologista e especialista em terapia familiar. Coordenadora do Ministério de Música e Artes da Renovação Carismática Católica no Estado do Espírito Santo.

Escritora pela editora Canção Nova

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