Impaciência infantil

Como ensinar os filhos a lidarem com a ansiedade

Os pais precisam ajudar os filhos a lidarem com a ansiedade na infância

Num mundo onde se fala muito em competências para vencer na vida, torna-se necessário refletir sobre como desenvolver nas crianças características que vão ajudá-las a viver melhor no mundo adulto.

O tema ansiedade é fundamental, pois impacta na convivência do dia a dia das pessoas. Entretanto, não é uma habilidade que a criança adquire sozinha, mas pode ser adquirido aos poucos.

como_ensinar_os_ filhos_a_ lidarem_com_a_ansiedadeFoto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Na observação diária, podemos ver crianças que esperam a sua vez para falar, para pegar o que querem entre outras coisas; entretanto, existem outras que atormentam a vida dos adultos, querendo tudo, querendo a atenção de todos, na hora em que solicitam.

O instrumento mais usado pela criança é a birra; e pelos adultos é ceder, para ficar “livre” do choro. Entretanto, os pais precisam lembrar que estão formando futuros adultos, e se os filhos não forem corretamente desenvolvidos, serão mal-educados e infelizes, vão querer ganhar tudo no “grito”.

Ensinar e estimular a paciência

Num passado recente, era mais fácil trabalhar a paciência das crianças devido ao fato de as famílias serem maiores, a cultura privilegiava adultos e a tecnologia era lenta. Hoje, as famílias vivem num mundo de ditadura infantil, pouquíssimos filhos e uma tecnologia que permite acesso rápido e da forma que se deseja. As crianças não esperam mais a hora do seu programa favorito, pois os DVDs e as mídias lhes permitem assistir ao que querem na hora em que querem, o que não os ajuda no treino da paciência.

A facilidade e os preço dos brinquedos colaboram para que apenas algumas crianças esperem pelo natal ou aniversário para ganhar seu presente; a maioria não trabalha a paciência. Isso traz, como consequência, a desvalorização e o desinteresse; as crianças ganham, brincam e logo largam os presentes.

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Diante dessa realidade, os pais precisam se despertar para desenvolver nos filhos a capacidade de esperar, porque, na vida, as coisas não são mágicas, precisam de tempo e esforço para acontecerem.

Trabalhar nas crianças os sentimentos e sensações

A primeira dica é trabalhar a própria angústia, o exemplo é a maneira eficaz de ensinar, pois as crianças repetem o que observam.

Outro cuidado: não se preocupe em preencher todo o tempo das crianças, pois elas precisam aprender a lidar com a monotonia e o tempo vazio, preenchê-los com seus pensamentos e usar criatividade para fazer desses momentos algo precioso.

É comum encontrarmos crianças inseguras, mas é a atitude dos adultos, o apoio deles, a confiança e tranquilidade que as ajudam a combater os sintomas de agressividade, angústia, timidez e comportamentos inadequados.

Pais e filhos

É preciso incentivar o desenvolvimento de habilidades que ajudam a resolver problemas de forma madura, principalmente a tomada de decisões diante de pequenas ou grandes situações da vida.

O ambiente familiar é importante, pois serve de espaço de aprendizado para as crianças desenvolverem competências, mostrar que o erro e o acerto fazem parte do processo de aprendizado. Também precisam aprender que o estresse faz parte da rotina, que é salutar quando aprendemos a lidar com ele, mas é maléfico quando não conseguimos lidar com situações inesperadas ou rotineiras.

Como os filhos são diferentes, os pais devem trabalhar de forma particular com cada um, mas têm de se lembrar que todos precisam de apoio, o que vai variar é a intensidade desse cuidado.

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Ângela Abdo

Ângela Abdo é coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES) e assessora no Estudo das Diretrizes para a RCC Nacional. Atua como curadora da Fundação Nossa Senhora da Penha e conduz workshops de planejamento estratégico e gestão de pessoas para lideranças pastorais.

Abdo é graduada em Serviço Social pela UFES e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e em Gestão Empresarial. Possui mestrado em Ciências Contábeis pela Fucape. Atua como consultora em pequenas, médias e grandes empresas do setor privado e público como assessora de qualidade e recursos humanos e como assistente social do CST (Centro de Solidariedade ao Trabalhador). É atual presidente da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) do Espírito Santo e diretora, gerente e conselheira do Vitória Apart Hospital.

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