Educação coerente

Como escolher a melhor escola para os filhos

É importante que os pais discutam entre si e planejem o futuro do filho

Piscina de bolinha, fazendinha, árvores, massinha, cozinha experimental, parques, ateliê, biblioteca, sala de informática, auditório, viagens de estudo… Ufa! Que demora para chegar ao livro, ao caderno, ao lápis, à leitura, à tabuada, à cópia e ao rascunho, ao mapa e às contas; e se for preciso, à caligrafia… Mas chegou!

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Está sendo muito comum observar, nos espaços escolares, um esforço muito grande por parte dos diretores e professores para suprir as exigências do mercado e oferecer um ambiente que satisfaça as necessidades dos alunos, os quais deveriam estar nas mãos do Estado, da família, e não somente do ambiente escolar.

Por não encontrar parques e praças adequadas, os alunos que vivem “apartamentados” motivam seus pais a procurarem escolas com ambientes mais lúdicos, cuja proposta de convivência esteja sustentada em relacionamentos sustentáveis. Os pais, em sua maioria, trabalham assumindo cargas horárias pesadas, enfrentam um trânsito difícil, que os impedem de estar em casa na hora das refeições; também os cuidados com as atividades domésticas deixam pouco tempo para brincar com as crianças ou até mesmo para fazer companhia aos adolescentes que moram em um mesmo ambiente.

O corpo que nasceu para o movimento está cada vez mais acomodado em um sofá para o ver o tempo passar. Isso quando não está sobrevivendo, falando e sentindo sozinhos as aventuras dos vídeo-games. Portanto, faz-se necessário que escola e a família demarquem o seu espaço, a sua função e o compromisso que gostariam que seus alunos e filhos tivessem com a sociedade e com ele mesmo. A partir daí, a escola deverá definir o seu Projeto Político Pedagógico, e as famílias precisam escolher a escola mais adequada para seus filhos.

Como escolher a escola certa para o seu filho?

É importante que os pais discutam entre si e planejem o futuro do filho. Precisam determinar se gostariam de ter filhos sensíveis, politizados, críticos, criativos, espiritualizados, responsáveis e organizados. Sendo assim, precisarão pesquisar escolas em que a projeto pedagógico contemple essas aspirações. Geralmente, são escolas que trabalham pedagogicamente os princípios sócio-interacionistas. Trata-se de um sistema aberto de ensino, que apesar de ter foco nos resultados, trabalha com projetos, o que permite ao aluno um jeito novo de aprender, considerando suas ideias, formas de pensar e de resolver problemas sem distanciar-se do currículo formal da série em estudo.

Ao aluno é permitido fazer uma leitura de mundo a partir das suas experiências e dos conhecimentos já adquiridos e ampliados por ele nas mais diversas situações da sua vida. Geralmente, os alunos que estudam em instituições de ensino que contemplam tais comportamentos são falantes, participam de apresentações, desenvolvem liderança e recebem uma educação sócio-moral no seu dia a dia. Uma outra forma de desenvolvimento educacional para o filho são as escolas que trabalham com métodos, dentro de um sistema de ensino fechado e que supervalorizam o conteúdo e a disciplina. A chamada escola conteudista-tradicional.

Geralmente, são escolas que não devolvem o valor necessário para a convivência, os trabalhos em equipe nem realizam ações pedagógicas que contemplem a criatividade e o senso crítico. Mas quando o assunto é escolher uma escola para o filho ficar ou sair, essa decisão envolve outras análises além dessas. É preciso fazer uma análise sobre a linha de espiritualidade da escola e a formação do corpo docente.

São orientações pertinentes para que não haja um choque de realidade por parte dos alunos, restando a eles escolher a quem seguir. O seu filho não precisaria escolher o lado A ou B, mas, juntamente com a família e a escola, sentir-se apoiado e conduzido da forma mais harmônica possível. O turno em que seu filho vai estudar é importantíssimo, pois nem a criança nem o adolescente podem ser privados do sono. Principalmente os adolescentes deveriam estudar no turno vespertino, já que, geralmente, dormem mais tarde, o que é típico da idade.

Além dessas especificidades, as famílias têm de colocar, na ponta do lápis, os valores da mensalidade, a lista de material, o uniforme, os projetos de festas comemorativas da escola, a distância geográfica da escola para casa, o transporte escolar e o lanche diário.

Os filhos são muito importantes e é dever da família promover a educação deles, mas sabemos que uma casa não tem como gasto apenas a escola deles.

Então, a escolha não está apenas no campo da pedagogia, na estrutura física ou algo do tipo, mas também no valor financeiro desse grande investimento e da disposição da família em realizar suas aspirações na paz familiar, na assistência, no acompanhamento em casa, nas exigências adequadas à idade da criança e no cumprimento das regras estabelecidas. O reforço positivo por parte dos pais, durante a vida escolar do filho, é tão fundamental quanto deixar claro o que a família espera de um estudante.


Judinara Braz

Administradora de Empresa com Habilitação em Marketing.
Psicóloga especializada em Análise do Comportamento.
Autora do Livro “Sala de Aula, a vida como ela é.”
Diretora Pedagógica da Escola João Paulo I – Feira de Santana (BA).

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