Ano da Misericórdia

Tocado pela misericórdia divina

Deixe-se tocar pela misericórdia de Jesus Cristo

Jesus nunca foi indiferente diante da dor e do sofrimento. Sua misericórdia acolhia a todos. Seu toque curador restabelecia a dignidade humana. Hoje, muitos vivem à margem da sociedade. Os excluídos de nosso tempo, na maioria das vezes, são ignorados pelos olhares da multidão. Talvez, seja mais fácil desviar o olhar que buscar soluções eficazes que devolvam ao ser humano a dignidade de filho de Deus.

Tocado pela misericórdia divina

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Quais são os excluídos de nosso tempo? Onde vivem? Como sobrevivem? O que fazemos para amenizar seus sofrimentos? Qual nossa contribuição concreta?

No tempo de Jesus não era diferente. Muitos viviam excluídos à margem da sociedade. Havia entre estes uma classe de pessoas que carregavam o pesado fardo do preconceito: os leprosos. Vigorava o seguinte pensamento: uma pessoa leprosa carregava um grande pecado na vida e sua doença era um castigo de Deus. Diante de tal situação, tais pessoas eram excluídas do templo e da comunidade. Deveriam viver em regiões isoladas, tendo como companhia os mesmos de sua categoria sofredora. Precisavam demonstrar publicamente sua condição de impureza. Deixavam a barba e o cabelo crescerem, e andavam com as roupas rasgadas. Sem dignidade nem esperança, viviam uma situação de completa exclusão social, humana e espiritual.

Nesse contexto, Jesus se encontra com um leproso (cf. Mc 1,40-45) que carregava na alma e no corpo as marcas da exclusão. Sem dignidade diante dos homens, era vitima de um fardo imposto por leis que o oprimiam e roubavam dele o direito de viver.

De joelhos diante do Senhor, ele pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. Com certeza, ele já tinha ouvido falar de Jesus, e viu, no momento, uma oportunidade de ter sua dignidade restabelecida. Sua atitude é um tanto quanto ousada, tendo em vista que nenhum leproso poderia aproximar-se de outra pessoa sob o risco de transmitir sua situação de impureza. Com a ousadia da esperança, ele se aproxima diante d’Aquele que poderia devolver-lhe a vida plena.

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Jesus sabia da triste condição que aquele homem trazia na alma e no corpo. Sua misericórdia acolhe com compaixão o leproso. Sob o risco de ser catalogado como impuro, Jesus derruba os muros do preconceito de uma lei que excluía o ser humano da graça de Deus, estende Sua mão e toca no leproso dizendo: “Eu quero: fica curado!”.

Jesus quer nos tocar

O toque de Jesus é terapêutico, pois cura as feridas do corpo e da alma, devolvendo a paz àquele coração angustiado. Diante de uma vida que estava condenada à exclusão e à dor, Jesus se aproxima com a misericórdia do Pai e devolve àquele coração aflito a dignidade de filho de Deus.

Jesus não tem medo de aproximar-se de nossas lepras. Seu amor ultrapassa nosso limitado entendimento e Sua misericórdia abraça todas as nossas mazelas. Diante do Senhor, quais são as nossas lepras que precisam ser tocadas pela misericórdia do Senhor? Quais são as lepras de nossos irmãos e irmãs que precisam ser tocadas com a nossa misericórdia?

Não tenhamos medo de nos aproximarmos de quem sofre e ser para estes um sinal permanente do amor de Deus. Não tenhamos medo de nos deixarmos tocar pelo amor do Senhor, que nos dá vida em plenitude.Confira também:


Padre Flávio Sobreiro

Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP e Teólogo pela Faculdade Católica de Pouso Alegre (MG), padre Flávio Sobreiro é vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Santa Rita do Sapucaí (MG), e padre da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). É autor do livro “Amor Sem Fronteiras” pela Editora Canção Nova. Para saber mais sobre o sacerdote e acompanhar outras reflexões, acesse: facebook.com/peflaviosobreiro

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