A beleza do amor humano e a sexualidade

Entenda a beleza do amor humano e o dom da sexualidade

Quando se fala em beleza do amor conjugal, fala-se em doação mútua, em que os esposos se tornam uma só carne. A sexualidade humana é algo bom, querido por Deus, e, quando bem vivida no matrimônio, tem dois principais significados: o significado unitivo, isto é, o aumento da união do casal, e o significado procriativo, ou seja, a generosa abertura aos filhos.

A beleza do amor humano e o dom da sexualidade

Podemos entender esse tema de formas muito distantes da verdade. Um extremo é pensar que o sexo é um “mal menor, tolerável para que haja procriação”. Na exortação apostólica Amoris Laetitia, Papa Francisco nos diz que “não podemos, de maneira alguma, entender a dimensão erótica do amor como um mal permitido ou como um peso tolerável para o bem da família, mas como dom de Deus que embeleza o encontro dos esposos”[1]. A união carnal entre os esposos é algo sagrado, em que um expressa seu amor ao outro, dando-se inteiramente, e recebe o outro como um dom.

Dessa bela união entre duas pessoas, pode ser gerada uma nova vida, o que torna o ato conjugal ainda mais belo. Compreender esse ponto nos ajuda a não cair no outro extremo: o de pensar no “sexo pelo sexo”, na busca para satisfazer o próprio prazer. Não se pode separar o aspecto unitivo do procriativo, porque um complementa o outro.

Isso é o que nos ensina o Beato Papa Paulo VI, em sua encíclica Humanae Vitae (aliás, leitura indispensável sobre o tema!): “Na verdade, pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher.

Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade”[2]. Dando ao ser humano a capacidade de gerar vidas, Deus deu-lhe uma participação no próprio ato criador. E estar aberto aos filhos, aberto à vida, é a atitude generosa de quem se sabe amado por Deus, e que quer viver sua vocação ao amor até o fim.

Isso significa também estar aberto ao número de filhos que Deus queira dar: podem ser muitos, ou talvez, nenhum. O casal que aceita viver a aventura de sua vocação, aceita a vontade de Deus com generosidade e alegria. E não são poucos os exemplos de casais que se santificaram nessa vocação, vivendo com alegria o amor humano!

O exemplo de Santa Gianna

Um deles é a italiana Santa Gianna, médica, esposa e mãe. Em uma de suas anotações, podemos ler: “Toda vocação é vocação à maternidade: material, espiritual, moral, porque Deus nos deu o instinto da vida. O sacerdote é pai; as irmãs são mães, mães das almas. Preparar-se para a própria vocação, preparar-se para ser doador da vida… saber o que é o grande sacramento do Matrimônio”. Ser doador da vida é algo grandioso, que não pode ser ofuscado por interesses próprios.

“Quero formar uma família verdadeiramente cristã; um pequeno cenáculo onde o Senhor reine nos nossos corações, ilumine as nossas decisões, guie os nossos programas”, escreveu a Santa para seu noivo, Pietro, alguns dias antes do casamento. A família cristã é chamada a ser realmente um pequeno cenáculo, um lar de Nazaré, que emita luz e amor para toda a sociedade. E essa missão começa com o amor entre os esposos.

Minha experiência como membro de uma grande família

Eu sou a quinta filha de sete. (Oito, para ser exata, pois uma irmãzinha nossa não chegou a nascer.) Meus pais sempre nos diziam que, se não fosse por misericórdia de Deus, não haveria nem a segunda filha. “Mas Deus é fiel” – nos diziam – “e nos deu outros filhos que foram dons para nós”. Muitas vezes, escuto as pessoas dizerem que não querem ter muitos filhos pelos gastos e pelo trabalho. Bem, é claro que não tínhamos os vídeo games mais recentes, nem viajávamos todos os anos para a Disney (a propósito, a maior parte das famílias brasileiras não vive assim).

Também é claro que demos muito trabalho para nossos pais: noites em claro com filhos doentes, ter que contar até a última moeda para pagar aquele gasto extraordinário, e um “longo etcétera”.

Mas sou testemunha dessa fidelidade de Deus: não cessa de dar em retribuir em “cem por um” aos que lhe são generosos. Os frutos foram maiores que as privações: em casa, aprendemos a dividir nossas coisas, a pensar no outro que ainda vai chegar para jantar, a saber ceder nos nossos gostos, a conviver com as diferenças de temperamento, e a amar as pessoas como são e como estão. Se meus pais tivessem que escolher, por exemplo, dois dos sete, quem teriam escolhido? Não acho que seria possível tal escolha!

Evento: Afetividade e Sexualidade na ótica do Papa Francisco

E para você que gosta desse tema ou tem interesse em se informar melhor sobre o assunto, na segunda-feira, 29 de agosto, a Cátedra da Família da PUC-SP, em parceria com o Vicariato Episcopal para a Educação e Universidade da Arquidiocese, promoverá o evento “Afetividade e Sexualidade na ótica do Papa Francisco”, a partir das 19h30 na PUC-SP.

A mesa redonda contará com a presença de Dom Carlos Lema Garcia, Bispo auxiliar de São Paulo e responsável pelo Vicariato para a Educação e a Universidade; Magna Celi Mendes da Rocha, Doutora em Psicologia da Educação e Assessora da Pastoral Universitária da PUC-SP; e Carmen Silvia Porto, Diretora no Brasil do Programa Protege Teu Coração.

O evento é gratuito e para participar basta fazer sua inscrição clicando no link abaixo:
bit.ly/afetividadePapa

Evento:
Afetividade e Sexualidade na ótica do Papa Francisco
Ciclo de Estudos sobre Família

Data: 

29 de agosto, segunda-feira, das 19h30 às 21h30

Local: PUC-SP, Campus Monte Alegre, Rua Ministro Godoi 969
Edifício Bandeira de Mello, Auditório 239

[1] Amoris Laetitia, n. 152.
[2] Humanae vitae, n. 12. Nessa encíclica, o Beato Papa Paulo VI fala que o amor conjugal tem notas características: é humano, total, fiel, exclusivo e fecundo (n. 12). Além disso, também alerta sobre alguns problemas de dissociar o ato sexual da abertura aos filhos – problemas esses que podemos ver hoje em nossa sociedade –, como a desvalorização e instrumentalização da mulher, a busca do sexo apenas para o prazer, maior abertura para a infidelidade e para o descompromisso, e a manipulação demográfica.

Maria Isabel Gonçalves – São Paulo, SP

 

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