Consequências

O interesse do controle de natalidade para os governos mundias

O controle de natalidade vai gerar um colapso mundial

O número de filhos em todo o mundo tem diminuído assustadoramente. Basta olhar o número de filhos de nossos avós comparados com nossos pais, irmãos e vizinhos. Salvo algumas exceções. Eu, por exemplo, sou fruto de uma família numerosa, 14 filhos. Esse número de filhos, na atualidade, é impensável. Algumas vezes, gera espanto nas pessoas quando eu falo que tenho 13 irmãos. Por que gera espanto? Exatamente porque a mentalidade dos novos casais está deturpada por ideologias contrárias à vida, como o controle de natalidade.

Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com 

Essa concepção de poucos filhos é fruto de uma mentalidade muito bem planejada pelos governos mundiais. Eles, por meio de políticas públicas, foram disseminando várias ideologias, entre elas: muitos filhos dão dor de cabeça; os tempos mudaram, não é mais possível educar bem como antes; a situação financeira será sempre precária e os filhos ficarão sempre na miséria. Essas e muitas outras ideologias estão presentes na mente de muitos casais em todo o mundo.

O objetivo do controle de natalidade

É perceptível que o controle de natalidade se trata de um controle da taxa de natalidade exercida pelos governos de diversos países. Isso implica dizer que o que se chama de “planejamento familiar”, na verdade, trata-se de controle de natalidade, pois não envolve a preferência dos casais simplesmente; pelo contrário, no fundo, trata-se de uma política de governo, cujo objetivo é diminuir o crescimento populacional.

Percebe-se que essa ideia de diminuir o número de filhos foi se tornando real, mais que isso, uma obrigação para todos. Em particular, depois da década de 60, a família foi sendo pensada de forma a ter o menor número de filhos possível. Família numerosa saiu do vocabulário dos países que são a favor da diminuição da população mundial.

Vale ressaltar que esse controle de quantidade de filhos, num primeiro momento, foi feito mediante o uso dos métodos contraceptivos, de forma particular os hormonais orais. Isso aconteceu na década de 60, mas percebemos que não é diferente na atualidade.

Pesquisas mostram que, no Brasil, houve uma queda absurda da natalidade. Rodolfo Pena, mestre em geografia, diz: “O Brasil, desde 1974, adota medidas para educar e incentivar a prática do Planejamento Familiar para fins de controle das taxas de natalidade. Estabeleceu-se, por meio da mídia, principalmente, que uma família ideal teria o número máximo de dois filhos por casal. Além disso, acontece, até hoje, a distribuição de pílulas anticoncepcionais e camisinhas, bem como a venda desses produtos a preços acessíveis e sem controle médico”.

Objeto de manipulação

Quando não se valoriza a pessoa humana, corre-se o risco de ela se tornar mero objeto de manipulação. Dados mostram que, infelizmente, os países pobres, na década de 60 especialmente, serviram de cobaia para a implantação das pílulas. A fiscalização, nos países de terceiro mundo, era infinitamente menor que nos de primeiro. Consistindo assim em uma maior difusão das pílulas em países considerados terceiro mundo, como o Brasil.

Não é por acaso que, segundo o IBGE, a taxa de fecundidade, no Brasil, diminuiu 20,1% na última década. O fato é muito concreto: com o aumento da propagação dos anticoncepcionais, o resultado é a diminuição da taxa de natalidade.

Em 1950, a taxa de natalidade, no Brasil, era de 6,2 filhos por mulher; em 1970, baixou para 4,7; em 1990, caiu para 2,6; em 2010, caiu para 1,8, podendo chegar a 1,7 filhos por mulher. De 2010 até os dias atuais, esse número tem ainda diminuído. É algo drástico, porém real.

As pessoas ainda não tomaram consciência desse drástico controle de natalidade que está acontecendo. Essa situação não está somente no âmbito da moralidade, vai muito além, tem impacto até também na economia.

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As consequências do controle de natalidade

O porta-voz da Conferência dos Bispos de Portugal, padre Manuel Morujão, destacou as consequências deste “inverno demográfico” no próprio Estado Social. Diz ele que “os serviços de saúde, de previdência social colapsarão, porque será um pequeno número de pessoas a trabalhar para uma imensa população que está aposentada”. Este “colapso” assim o chamou, acontecerá em qualquer país onde a natalidade for menor que a mortalidade.

Como vimos, os países, em todo o mundo, têm trabalhado para que esse controle de natalidade seja cada vez mais concreto. No primeiro momento, como visto anteriormente, as pílulas foram as primeiras a servirem de instrumento para que esse projeto fosse executado. Porém, não pararam aí. Posteriormente, surgiram vários outros métodos contraceptivos que ganharam força ao longo dos anos.

Sabendo disso, cabe a nós fazermos alguma coisa para inverter essa situação. Algo concreto a fazer é sermos propagadores da vida como dom e não como sacrifício. Os filhos são, como nos lembra o salmista, presente de Deus, bênção do Senhor (Sl 127,3). Dessa forma, combateremos a ideologia de poucos filhos, resgatando o verdadeiro valor da família de muitos filhos.


Elenildo Pereira

Candidato às Ordens Sacras na Comunidade Canção Nova. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP).  Bacharelando em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté (SP) e pós-graduando em Bioética pela Faculdade Canção Nova. Atua no Departamento de TV da Canção Nova, no Santuário Pai das Misericórdias e Confessionários.

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